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Se, de um lado, se observa políticos manchados pela corrupção tentando sobreviver, registra-se na outra ponta o aumento de candidatos egressos das forças armadas e das polícias federal, civis e militares em busca de cargos eletivos. Além do capitão Jair Bolsonaro concorrendo à presidência da República, 28 candidatos - 8 ao governo, 12 vices e 8 ao Senado – egressos das forças armadas, polícia federal e polícias estaduais se apresentam para as eleições. Isso, além das dezenas de concorrentes à Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas, parte deles concorrendo à reeleição. Em São Paulo, duas candidatas a vice-governador e um pretendente ao Senado são PMs.

Essa participação de egressos da máquina militar e policial deveria ser considerada normal, mas ocorre num momento em que a Nação se encontra escandalizada diante da série de atos de corrupção descoberta, que envolve destacadas figuras da vida política. Tudo cometido num tempo em que imperaram os falsos democratas que levaram o pais à ruptura de 1964 e seus sucessores, muitos deles com imagem construída perante a população através  de um discurso moralista não colocado em prática depois que assumiram o poder. Também coincide com um tempo em que segurança pública está em crise, em grande parte decorrente da demagogia onde se trocou obrigações estatais por votos e governantes, a título de serem democráticos, fizeram de tudo para enfraquecer as instituições encarregadas da segurança.

O candidato militar ou policial não deve ser encarado como alguém que vem para endurecer o regime ou confrontar a democracia. Mas como um profissional preparado, que passou a vida toda estudando para cumprir sua missão e, por isso, traz consigo forte viés de cumprimento das leis e fortalecimento da sociedade. Diferente do que pregam os falsos democratas que nos conduziram à atual crise, são cidadãos que já cumpriram suas jornadas na caserna ou na instituição policial e se sentem em condições de contribuir ou, ainda, que trocam a estabilidade da função pública pela carreira política onde sentem que podem ajudar  a sociedade.

Os militares – das forças armadas ou das polícias estaduais – ou policiais civis são cultores da legalidade. Uma vez eleitos, terão a oportunidade de cobrar o cumprimento de normas e leis que o modismo, a acomodação e a luta ideológica fizeram questão de ignorar, e terão o condão de promover o equilíbrio social cuja falta é cada dia mais reclamada pela população. Ainda mais: entrando pela porta das eleições, desarmam de forma eficaz as tentativas de intervenção militar mediante ruptura democrática.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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