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As Fake News existem desde que o bicho homem aprendeu a ligar lé com cré. Os séculos passaram e, com o vagar dos anos, os meios de comunicação - e trumbicação - foram sensivelmente sendo aprimorados por esse bicho que nunca mais parou de falar pela boca e pelos cotovelos e, ao que tudo indica, não vai parar tão cedo assim de parlar.

Bem, devido a essa ampliação significativa dos falantes públicos que hoje temos (ampliação essa potencializada pela estrondosa acessibilidade da população aos meios de disseminação e recepção de informações), duma hora para outra as migues News tornaram-se objeto de discussão pública, de propostas de leis, de etílicas conversas de bar e por aí vai.

Fazer o quê, não é mesmo? Já que o bicho sapiens sabe falar e tem meios para ampliar o alcance de sua voz, que fale, pois, como a muito dizia Abelardo Barbosa, “quem não se comunica, se trumbica”.

E verdade seja dita: com muitos ou poucos falantes, sempre haverá a possibilidade de nos enganarmos e, com toda certeza, sempre teremos aqui e acolá um e outro espírito suíno mentindo descaradamente sobre os mais variados assuntos.

Nesse sentido, quanto mais falantes houverem, maior será o número de pontos de comparação que teremos a nossa disposição para, se desejarmos, tentar chegar a verdade dos fatos e boatos.

Isso mesmo! Basta que nos disponhamos a aprender a comparar pontos divergentes para encontrarmos, mesmo que lentamente - e geralmente o trem é bem lerdinho - os pontos que convergem com a realidade dos acontecimentos.

Dito isso, o amigo pode estar se perguntando: caramba! Então não há perigo algum com as fofocagens noticiosas jocosamente chamadas de fake News? Sim, claro que há. Mas esse problema resolve-se, no meu entender, com a adoção desse procedimento acima indicado. Não tem muito mistério; mas tem um bom tanto de trabalho. Um bom tanto mesmo.

E digo mais! Tal procedimento não é infalível. Sim, sei disso. Mas nada que seja feito por mãos humanas é perfeito. Há sempre a possibilidade de erro e, sou franco em dizer, qualquer um que afirme o contrário e deposite uma fé pública, cega e absoluta, em uma entidade ou instituição humana é porque está de sacanagem. E põem sacanagem nisso.

E tem outra! Como havíamos dito logo no início desta missiva, desde que o mundo é mundo, existiram enganos involuntários e bem como mentiras no ato de comunicar. Sempre existiu e sempre existirá. O que é novo no mundinho em que hoje vivemos é esse clima de histeria – midiática, coletiva - que se criou em torno do termo “fake news”, como se essas fossem uma espécie de praga bíblica que, de repente, começou a assolar a nossa triste sociedade, como se antes a grande mídia sempre tivesse comunicado única e exclusivamente a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

E, como todos sabem, num clima de histeria coletiva, quando a multidão é possuída por essa súcuba ordinária, acaba sempre tendendo a não crer naquilo que está diante de seus olhos, mas sim, a ver e crer naquilo que está ouvindo, num intrigante processo auto-hipnótico tão descarado quanto maquiavélico.

Bem, e aí fica a pergunta: quem ganha com tudo isso, com esse clima de histeria? Quem? Opa! Calma lá. Sem respostas automáticas. Sem pressa. Devagar com esse andor crítico.

Isso mesmo! Creio que é urgente que aprendamos a cultivar a virtude da prudência para não sermos devorados pela multidão histérica e, naturalmente, para não terminarmos sendo consumidos pelo turbilhão demencial de notícias incertas que são vomitas diariamente em nossas mentes.

Por fim, lembremos que qualquer que seja nossa opinião sobre esse ou aquele assunto que porventura esteja tomando a nossa atenção, e da atenção dos nossos concidadãos, isso não irá mudar os rumos do mundo, nem de nosso país, de nada. Porém, a forma como nós abordamos os temas que nos inquietam poderá determinar de maneira atávica o tipo de pessoa que acabaremos nos tornando.

E por hoje é só pessoal. Fim de causo. Bola pra frente.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela   -   dartagnanzanela@gmail.com

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