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Pesquisadores afirmam que diante de situações catastróficas, guerras, terrorismo, algumas pessoas adoecem seriamente em sua dimensão psíquica e mental, elevando o nível de agressividade na população, mortes e assassinatos. Até certo ponto essas pesquisas têm razão. O nosso cérebro pode adoecer muito diante dessas situações, gerando o que psicólogos chamam de sintomas de stress pós-traumático (TEPT), por exemplo. 

Mas a boa notícia é que já passamos por  tantas adversidades, tantas catástrofes, e o mundo não se tornou pior, porque dentro de nós existe uma capacidade gigante de superar as situações mais terríveis. O Brasil foi construído e colonizado por pessoas que vieram refugiadas da 2ª Guerra Mundial e de outras guerras. Olha a força que nós temos geneticamente falando dentro de nós, uma herança transgeracional. Quantos dons, capacidades que nós herdamos, isso é um ponto muito bonito de se ver.

Religiosos que estavam em Nova York quando as Torres Gêmeas caíram no dia 11 de setembro de 2001, me diziam assim: “Estou vendo aqui muito amor. É como se as pessoas tivessem acordado para o amor, a solidariedade, para a capacidade de um cuidar do outro...” Então, que decisão você vai tomar diante de tudo que você está vivendo?

No meu livro “A cura dos sentimentos em mim e no mundo”, cito Viktor Frankl, que foi prisioneiro em Auschwitz, com este trecho: “Sigmund Freud, que afirmou: Deixe alguém tentar expor à fome diversas pessoas, de maneira uniforme. Com o aumento da urgência imperativa da fome, todas as diferenças individuais [desaparecerão]”. Graças a Deus, Sigmund Freud foi poupado de viver a experiência dos campos de concentração. Seus textos deitam-se nos sofás de veludo da cultura vitoriana, não na sujeira de Auschwitz. Lá, as “diferenças individuais” não obscureceram, ao contrário, as pessoas tornaram-se mais diferentes; as pessoas se desmascararam… O homem é essencialmente autodeterminante. Ele se transforma no que fez de si mesmo. Nos campos de concentração, por exemplo, nesse laboratório vivo e nesse solo de testes, nós presenciamos e testemunhamos alguns de nossos companheiros comportarem-se como porcos, enquanto outros se comportavam como santos. O homem tem ambas as potencialidades dentro de si mesmo: a que se efetiva depende das decisões, não das condições”.

Entenderam a profundidade disso? Diante de tudo que você está vivendo: o que você vai decidir? “Ah, mas já perdi tudo, estou desempregado.” O que você pode estar fazendo durante este período? Voltando a estudar? Existem cursos que estão sendo oferecidos gratuitamente, inclusive por universidades. Descobrir novos dons, redescobrir talentos que tinha lá na infância e que você pode trazer agora. Pode fazer aquele pão caseiro e oferecer para sua vizinhança. Lembro-me da “Espiga Dourada”, perto de Vargem Grande Paulista (SP), onde existe o centro do movimento Focolares, é uma panificadora que me dá água na boca de lembrar, e como ela começou? Com as consagradas vendendo pão na esquina da rodovia. Começou pequena. Enfim, dentro de nós existem heranças de nossos antepassados, dons, e forças capazes de enfrentar situações mais adversas. Então, o que você vai fazer nesse período vai determinar se você é “porco” ou santo.  

Adriana Potexki é psicóloga, certificada pelo EMDR Institute; autora dos livros “Cura dos sentimentos – em mim e no mundo”, “A cura dos  Sentimentos nos Pequeninos – Papai e Mamãe brigaram” e “Vencendo Os Traumas que nos Prendem”; colunista do canal Formação Canção Nova e membra do Movimento dos Focolares.

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