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Não bastasse o desconforto e a incerteza gerados pela suspensão de atividade que busca impedir a proliferação do coronavírus, vemos os políticos se digladiando em atitudes que miram as próximas eleições e, até, as de 2022. Presidente, governadores, prefeitos, ministros, secretários e demais envolvidos têm de cumprir rigorosamente seus deveres de ofício. Pensar exclusivamente no bem-estar da população e no provimento do socorro àqueles que vierem a adoecer. Em vez de medidas midiáticas de fechar estabelecimentos, terminais, vias e avançar sobre áreas de atribuição que não são de sua alçada, devem se unir e agir harmonicamente, focados na solução dos problemas. Se assim o fizerem, não haverá lucro político-eleitoral, mas a população será a grande beneficiada.

Nesse momento grave, não cabe polarização. Quem ganhou as eleições, independente de quem seja, tem o direito e - mais que o direito – o dever de governar. Os que perderam devem se resignar, não atrapalhar os que estão com o bastão de comando e, se assim o desejarem, apresentar seus nomes como candidatos nas próximas eleições. Fora disso, tudo o que fizerem será extemporâneo, impróprio e, até, criminoso. Atrapalhar ao socorro às vítimas de uma pandemia como a que se apresenta, com certeza, deve estar capitulado em algum ponto do Código Penal.

No lugar de medidas de impacto midiático, espera-se dos governantes informações concretas sobre o número de leitos, UTIs, respiradores, kits de exames e outros insumos para o combate ao mal que se aproxima. Será triste e altamente revoltante constatar que - a despeito dos recessos e da cessação das atividades econômicas, sociais, educacionais, religiosas e outras - um dia não vamos ter a infraestrutura suficiente para atender aos que vierem a adoecer. Se os médicos, por falta de equipamentos, forem obrigados a fazer entre os doentes a desumana escolha dos que vão viver e dos que vão morrer porque não há como atendê-los, restará claramente provado que não temos governo. É por isso que os governantes devem focar exclusivamente nas providências e jamais nas próximas ou futuras eleições.

Além dos governos, a sociedade, notadamente o empresariado, tem de dar sua participação para que a passagem desse momento difícil seja menos traumática, especialmente para os pobres, que não dispõem de meios próprios de defesa. Os recursos emitidos pelos governos têm de atender linearmente a todos, desde as grandes corporações, o médio empresariado e até aos desvalidos. E todo aquele que receber algum tipo de ajuda, terá, também, o dever moral de ajudar aos mais fragilizados de sua cadeia econômica, mantendo empregos, contribuições e outros tipos de apoio. Quando fala em Plano Marshall (em alusão ao programa que restaurou a Europa depois da 2ª Guerra Mundial), o empresariado deve estar consciente de que também tem de colaborar para evitar o caos.

O coronavirus é genérico em sua infestação. Já matou os presidentes do Banco Santander (Portugal), do clube Real Madrid (Espanha) e, no Brasil, acometeu o presidente do Senado, senadores, deputados e mais de duas dezenas de integrantes da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bosonaro na viagem aos Estados Unidos. É preciso todo cuidado. Parem as tentativas de desestabilizar o governo. O ódio nelas destilado em nada contribui para salvar as vidas ameaçadas pelo vírus. Deixem o embate para o período eleitoral... 

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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