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A Covid-19 tirou o mundo dos eixos. Não bastando os lockdowns, quarentenas e outras providências de afastamento pessoal cujos resultados são pelo menos inconclusivos, pois têm aumentado em vez de diminuído os infectados, doentes e mortos, ainda se verifica problemas de ordem comportamental. Começou, no ano passado, com os políticos tentando levar vantagens rumo às eleições de 2022. Houve quem pretendesse chegar à presidência da República, governos estaduais e até as prefeituras de suas cidades, como resultado das atitudes e visibilidade adquiridos no decorrer da crise sanitária. Parece que não deu certo pois, até o momento, não surgiram – ou pelo menos não se sustentaram - os paladinos sociais da pandemia. Ela se mostra cada dia mais incontrolável e ninguém lucrou com sua presença.

De outro lado, encontramos os aproveitadores de plantão, que se tornaram párias, maus exemplos e até casos de polícia ao furar a fila da vacinação, aplicar vacinas de origem duvidosa ou até falsificadas, e tiveram outros comportamentos anti-sociais. Isso sem falar na crônica falta de insumos, que hoje está no kit de medicamentos para intubação de pacientes, mas já ocorreu no fornecimento de oxigeno e principalmente nas vagas de leitos e UTIs hospitalares. Também não se pode ignorar a corrupção que, na esteira dos contratos emergenciais para compra de equipamentos e insumos, já provocou o afastamento de dois governadores, prefeitos e a prisão  secretários estaduais e outras figuras que ousaram meter a mão o dinheiro destinado ao enfrentamento do coronavírus.

Nas últimas horas observamos duas ações inusitadas. Uma farmacêutica foi presa no interior de São Paulo porque aplicava em sua casa os testes da Covid-19, o que é proibido pelas normas sanitárias. Também houve uma cidade que pretendia colocar uma pulseira nos munícipes que testarem positivo, para evitar que continuem circulando e redistribuindo o virus. Só não o fez porque o Ministério Público alertou que isso poderia trazer problemas por contrariar os direitos individuais.

Mas, pior do que todas as esquisitices é a fome que começa a tomar de assalto os vulneráveis. As restrições à circulação levam os trabalhadores – principalmente os informais, mas também microemprendedores e até empregados que não recebem ou recebem parcialmente seus salários – a não terem meios de subsistência. Aumentou o número de pedidos de ajuda nos setores de assistência social. Prefeituras, veículos de comunicação e entidades sociais realizam  campanhas de arrecadação de alimentos, mas revelam que o número de doações é sensivelmente inferior ao dos tempos anteriores à crise sanitária.

O auxilio emergência do governo federal - que em vez dos R$ 600 do ano passado hoje vai de R$ 150 a R$ 375 – não saiu para muitos que o aguardavam e hoje tem seus cadastros devolvendo a informação “em análise”. A antecipação do 13º salário que o ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro vêm anunciando desde o começo do ano também não saiu, e o povo se endivida. Precisam os governos federal, estaduais e municipais e todas as forças econômicas capazes, além do Judiciário e do Legislativo, remarem todos para um mesmo destino com o objetivo de evitar o caos enquanto os setores específicos tratam da vacinação do povo, combate à pandemia e ao seu letal vírus.

As trocas de acusações entre os políticos é o item insólito desse quadro de horrores. Divergem e se lançam farpas quando deveriam estar unidos contra o mal maior, apesar de suas diferenças. De tudo, o mais preocupante é a fome dos paupérrimos. Necessário se faz buscar providências para aplacá-la e, com isso, evitar uma possível revolução famélica que, além de desunama, se ocorrer, vai jogar por terra a nossa imagem e reputação, além dos conflitos que serão inevitáveis e também poderão custar vidas. Quem tiver pelo menos um pouco de juízo e puder fazer algo, que o faça já, antes que a convulsão social se torne realidade...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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