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Isoldinha começou a perceber que havia algo errado com seu noivo Guilhermino há um bom tempo. Por várias ocasiões nesses dois anos desde que o moço pedira sua mão, notou um comportamento estranho quando o rapaz iria jantar em sua casa e sua mãe preparava as mais diversas sopas, que era costume naquela casa uma vez por semana.

Quando o prato principal era sopa, seja ela de legumes, de macarrão, de fubá, de feijão ou outras tantas que sua sogrinha preparava com muito amor, Guilhermino dava uma desculpa e não ficava para comer. Quando o cardápio não era sopa, o moçoilo comia e até repetia o prato

A moça então o questionou do por que nunca ficar para a sopa de sua mãe.

- Guilhermino, meu amor, não vai ficar para a janta hoje? Vai ter uma deliciosa sopinha de macarrão com batata e carne moída.

- Não posso benzinho, tenho que consertar o abajur de minha mãe.

- Mas fica só para um prato, não demora nada.

- Não posso mesmo. Deixa para outro dia.

- Que outro dia? Você nunca fica para tomar sopa. Algum problema?

- Claro que não! Adoro sopa!

- Mas por que nunca ficou para experimentar uma das sopas de minha mãe?

- Bobagem amor. Só não tive oportunidade. Além do mais a sopa de sua mãe deve ser deliciosa como todas as comidas que ela faz.

- Então fica para a janta?

- Não.

- Se você não ficar para tomar a sopa hoje, vou acabar com nosso noivado.

- Que é isso? Por causa de uma sopa?

- É mais que isso. Não dá para confiar em alguém que foge de uma sopa assim como o diabo foge da cruz.

- Está bem, vou confessar para você. Não tomo sopa na sua casa porque... tenho vergonha...

- Vergonha de quê?

- É que eu costumo babar quando tomo sopa.

- Como assim?

- Toda vez que levo a colher com sopa na boca, costuma respingar para fora, não consigo tomar uma colherada sem que caia alguns pingos ou escorra pelos meus lábios. Uma coisa horrível.

- É brincadeira né Guilhermino?

- Claro que não. Acha que vou brincar com uma coisa serias dessas!

Isoldinha demorou para acreditar naquela história. Até o dia em que Guilhermino tomou coragem e sentou-se à mesa para uma sopa.

Para encurtar a história, agora além dos pratos e talheres à mesa nos dias de sopa, sua sogra coloca também para Guilhermino um grande babador de tecido que tem um enorme bordado com a letra G.

Presente de sua noiva Isoldinha.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores - rodrigojacutinga@hotmail.com

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