Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

Pelas ondas da rádio OM de uma pequena cidade interiorana, mais um jogo seria transmitido para todo o país em uma partida importante pela rodada da oitava divisão do campeonato de veteranos. O jogo entre o escrete Local contra Quebra Nozes era um clássico regional.

O jogo começa e o narrador que por sinal era fanhoso narra o jogo assim:

- Alô oufintes, estamos aqui ao fifo, direto do estádio municipal para mais uma rodada da Copa Sênior, fálida pela oitafa difisão. Que prifilégio para nossa cidade conseguir entrar nesse grupo da elite dessa tão aclamada difisão... Bola rolando... O atacante ataca, passa a bola de um lado, recebe de folta, ele domina passa por um, passa por outro, chuta... pra fora!!!

A bola voa para fora do estádio (o muro é muito baixo), o gandula vai buscar a bola, mas foge com ela! A polícia é acionada, mas o meliante ladrão de gorduchinhas some no meio do mato.

Não tem outra bola reserva, o juiz decide fazer uma vaquinha entre os jogadores para comprar outra bola na loja de 1,99. Passaram-se trinta minutos e o jogo recomeça.

Algumas nuvens negras encobrem o estádio e logo uma forte chuva cai. O público desesperado se aglomeram um em cima do outro no pouco espaço coberto por telhas Brasilit que existia na arquibancada.

O narrador fanho berra no radinho:

- O jogo continua numa partida enfolfente e o placar continua zero a zero para o time da casa.

Porém, a chuva aperta e o jogo é novamente interrompido porque muitos raios estavam caindo e o estádio não tinha para-raios. Os jogadores correram para o banco de reserva e ficaram jogando pife-pafe até a chuva passar.

Quando a chuva finalmente amenizou já era noite e a espera pelos refletores deixaram o juiz impaciente.

Logo chega um aviso:

O estádio não tem refletor. Não tem nem mesmo lâmpadas comuns de cem velas.

O jogo toma um novo rumo e para terminar logo a partida o juiz arruma um pênalti a favor do time da casa (é claro).

Mas ninguém enxergava nada, alguns jogadores que eram fumantes ascendem seus isqueiros para clarear o gol. Nesse momento não tinha mais torcida no estádio (foram todos assistir à novela das oito).

- E lá fai ele. Olho no lance... bateu o pênalti... pra fora!

Mas ninguém viu nada, o juiz dá o gol, aponta para o centro do campo e termina o jogo.

 Os atletas locais alegres pela vitória comemoram a grande conquista, mesmo sem saber como foi. Dizem que a bola furou a rede.

Entretanto, no outro dia encontraram a bola no meio da arquibancada, distante mais ou menos uns oitenta metros do gol.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. Colabora com crônicas para jornais e Blogs Literários- rodrigojacutinga@hotmail.com

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios