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Não seria necessário ser um cartomante para prever, no momento em que o Senado Federal, sob a batuta do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, cindiu um julgamento uno para preservar os direitos políticos de Dilma Rousseff, que  fértil imaginação política rodeara o cenário final do impeachment.

Ai está a presidente "injustiçada" a estocar de imediato a decisão de privatizar a Eletrobrás, como, de resto, deveriam ser privatizadas todas as brás, para desinchar-se um estado que, se permanecer como se encontra, estará sempre perto de estourar as metas fiscais, o respectivo governo violar a lei de responsabilidade e as oposições se regozijarem.

Além disso, a cartilha deve ser rezada. Não seria compatível com um partido de esquerda, há pouco desmoronado no campo da ética e, por consequência, da política, negar os dogmas do estado forte, precisamente o que nos levou ao fundo do poço. A proposta de Temer, a valorização das ações da Eletrobrás em 30%, caiu no colo dos imaginativos restauradores do "ancién regime" populista bolivariano. A campanha petista não demorou.

Lula, em que pesem suas caravanas circenses, é uma incógnita, face a uma campanha eleitoral extremamente exigente, como a brasileira, e a possibilidade concreta de sua prisão em decorrência de uma lei de iniciativa popular apoiada por muitos quadros petistas.

A melhor alternativa é Dilma, que pode aliar ao discurso roto da esquerda a indignação de quem teria sido punido injustamente. O "J' accuse" de  Émile Zola dará os ares românticos a um Dreyfus feminino na terra das bananas em busca de um "contragolpe", injetando-se a emoção que sempre guiou nossas eleições e plantando-se de novo o projeto de poder que nos levou ao buraco mais profundo da história.

Não obstante isso, a tragicomédia não passará e as privatizações demonstrarão a virtude de fazer emagrecer esse estado deturpado e tornar, a curto e médio prazo, razoável a dívida pública do Estado brasileiro, que pouco importa à "troupe" das ilusões envolventes de parte de um povo que, por razões compreensíveis, se deixa levar pelo pão e circo, ainda que, nesses passos,  nossas estruturas e instituições nos tornem uma tosca e imensa aldeia de braços com a Venezuela, a Bolívia e a Cuba dos Castros.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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