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Que tempo vivemos! Já conseguimos dar largos passos nos descobrimentos científicos e tecnológicos. Quantas coisas nos surpreendiam em desenho ou filme e hoje parecem tão normais? Quantos avanços na medicina (cirurgias, vacinas, métodos de prevenção). E os cursos à distância! Quem diria? É uma realidade. Quanta gente ganha a vida com o conhecimento ou a expertise através de vídeos? 

Mas e a fé, a vida com Deus? Nesse tempo do famoso slogan “fique em casa”, entre avanços tecnológicos e regressos, devido a desigualdade social, tenho visto e ouvido muitos testemunhos de pessoas que estão de volta à “Casa do Pai”. Elas não estão fisicamente no Santuário do Pai das Misericórdias, mas com um coração contrito e aberto fazem a experiência de estarem mais próximos de Deus, por meio dos dispositivos eletrônicos e os meios tradicionais de comunicação. 

Apesar do povo não estar na igreja, na Canção Nova, eu os sinto muito próximos. Não estão aqui presencialmente, mas pelo mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, na qual Jesus é a Cabeça e nós os membros. Claro, sinto saudades do povo e muitas pessoas manifestam este sentimento recíproco: “temos saudades da Eucaristia, da igreja e dos padres”.

Exercendo o sacerdócio vejo, sim, muitas vezes, uma “sede” de felicidade, de bem estar, a busca por uma espiritualidade como uma forma de alívio, de conforto. Entretanto, há muitas pessoas com sede de santidade, gente que busca a Deus de coração, que, por amor a Jesus, suporta os sofrimentos, como os que temos enfrentado nesse tempo de pandemia. Gente que quer Ele mesmo e não as coisas que pode oferecer. Filhos e filhas de Deus que desejam se unir a Ele por uma vida de oração e caridade. 

Sinto que nesse tempo muita gente descobriu o amor de Jesus, assim como outras pessoas voltaram a amá-Lo com mais intensidade. “De todo mal se tira um bem?” Sim, vamos tirar um enorme bem. Daqui a pouco vamos voltar a frequentar os nossos templos, mas precisamos ser, estar diferentes! Que passemos a viver com mais devoção, com mais entusiasmo, com mais equilíbrio, com mais caridade e amor ao próximo. Quando o templo nos foi tirado, aprendemos que o templo é o outro, que deve ser também valorizado, cuidado e amado. Será que não precisávamos disso? Para amar mais a Deus e ao próximo? 

Padre Marcio Prado é sacerdote da Comunidade Canção Nova e Vice-Reitor do Santuário do Pai das Misericórdias. É autor dos livros “Entender e viver o Ano da Misericórdia” e “Via-sacra do Santuário do Pai das Misericórdias”, pela editora Canção Nova. Instagram: @padremarciocn  

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