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Estamos na véspera de mais uma manifestação, convocada via redes sociais, desta vez para apoiar a reforma da Previdência e outras pautas caras ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Discute-se a oportunidade (ou necessidade) de uma mobilização dessa ordem, já que o presidente não é acusado de nada e nem tem seu poder ameaçado. O próprio governante já disse que não comparecerá, aconselhou aos ministros também se manterem ausentes. Agradeceu aos que pretendem apoiá-lo, advertindo que os pretendentes ao fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e ao confronto entre instituições e seus membros, se comparecerem, estarão em manifestação errada.

É importante destacar que o direito à manifestação é constitucional, e as redes sociais – nova ferramenta de mobilização – oferece a oportunidade do povo e segmentos da sociedade convocar a eventos em favor de suas teses. Devem todos se lembrar, no entanto, que vivemos sob o império da lei e insuflar o choque entre os poderes e a praticar a desobediência civil são crimes. Todos são livres para protestar ou apoiar aquilo que seja legal ou, no máximo, pela mudança sas leis; nunca para potencializar o seu descumprimento. Quem o fizer, estará sujeito a ter de prestar contas à Justiça, guardiã do ordenamento jurídico nacional. Isso sem dizer que o Ministério Público e os ofendidos também poderão promover ações chamando-os à responsabilidade.

O governo tem menos de cinco meses de trabalho, luta pelo reequilíbrio da Previdência, endurecimento contra o crime, com projetos de leis já propostos nesse sentido, e anuncia como próximos passos medidas para alavancar a economia e, com isso, gerar empregos e novas oportunidades à população prejudicada pela crise. É impróprio utilizarem os atos chamados em favor do Brasil governável para atirar contra o Legislativo e o Judiciário ou seus integrantes. Ou para pregar a intervenção militar que, no atual quadro, é inteiramente incabível. Os que têm essas bandeiras para empunhar, devem utilizar o direito à manifestação que a lei lhes faculta, e convocar atos específicos. Feito isso, terão a oportunidade de aferir qual a aceitação popular aos seus propósitos e, a partir de então, decidir de continuam ou desistem.

Por mais imperfeita e problemática que seja, a democracia é o nosso caminho. E não pode ser contaminada pela esquerda (como o foi ao longo das ultimas décadas) e nem pela direita. Precisamos encontrar o ponto de equilíbrio que devolva ao brasileiro o desenvolvimento, a segurança e a paz social. Os atos extremistas merecem todo o repúdio, pouco importando o seu viés ideológico.  A mobilização desse domingo só terá valor se for ordeira e, ao seu final, o Brasil sair fortalecido...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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