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Dias abafados nestes meados de janeiro de 2021, o ano da vacina contra o coronavírus. Muito calor e pouca chuva. A gente sai apenas  para ir à farmácia, supermercado, quitanda, e cada vez vejo mais pessoas sem máscaras, na rua. A impressão que dá é que a pandemia já acabou e isso não é verdade, pelo contrário. É muito triste perceber que as pessoas não entendendo a gravidade da situação. E isso só agrava a contaminação ainda mais.

Nosso neto Rio liga dia sim, dia não, pois eles estão se preparando para mudar de apartamento e nesta época isso fica mais difícil, pois está muito frio em Portugal. Queríamos estar lá para ajudar, mas dependemos da vacina para poder viajar. E está difícil para começar essa vacinação no Brasil, sem considerar que depois de começada também não sei como vai ser: é preciso que haja continuidade sem intervalos. Espero que tudo corra bem, mas já estão querendo dar uma dose só de vacinas que são de duas doses. Precisamos nos vacinar, todos precisam estar vacinados para que a pandemia passe e a gente possa se desobrigar de tantos cuidados, para que se possa viver com mais liberdade. Se é que poderemos - eu espero que sim.

A tragédia do atraso das vacinas no Brasil tem mais um capítulo neste final de semana e não garante que essas vacinas sejam liberadas: o Butantan questionou o Ministério da Saúde sobre quantas doses da CoronaVac, vacina produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, serão destinadas ao estado de São Paulo no Plano Nacional de Imunização. A pergunta foi enviada após o órgão federal ter emitido um ofício, na tarde de sexta, requisitando a entrega “imediata” de todas as 6 milhões de doses prontas importadas da China, confiscando, mesmo. A gestão João Doria estima que cerca de 1,5 milhão sejam referentes ao que o estado tem direito por conta da proporção da população. Ao que o Ministério da Saúde – leia presidanta Bolsonaro – respondeu que exige a entrega do lote integral, todas as 6 milhões de doses. Isso vai parar na justiça, para atrasar tudo ainda mais. Sem contar que a reunião da Anvisa, no domingo dia 17, para liberar as vacinas do Butantan e da FioCruz pode não ter correspondido às expectativas: será que a Coronavac foi aprovada? A Anvisa responde ao presidanta, ou seja: ele manda lá também.

Mais um “atraso” na decolagem do avião que estava esperando para ir à India buscar a vacina que o presidanta Bolsonaro, “líder” do ministério da saúde, teria negociado com a AstraZenca, só que não. O presidanta Bolsonaro disse, na sexta 15, que o lote da vacina Oxford/AstraZeneca que vem da Índia ia atrasar “uns três dias”. A partida da aeronave – que traria dois milhões de doses que teriam sido adquiridas do laboratório indiano Serum – estava programada para as 23h de sexta. Mas, até que enfim, resolveram usar a aeronave para levar oxigénio para Manaus, no sábado, cidade onde estão morrendo pacientes asfixiados, por falta de ar. Em entrevista à TV Bandeirantes, o presidanta falou em "pressões políticas" na Índia que, segundo ele, retardaram a viagem. Ah, tá bom: a India, segundo país com a maior população do mundo, vai deixar de vacinar o seu povo, nesta hora de máxima emergência, para ceder suas vacinas para o Brasil. O presidanta não quis comprar, negociar com os laboratórios quando ofereceram suas vacinas, e agora acha que vai conseguir assim, na mole. Ou na marra. Ele acha que todo mundo obedece a ele. Só que, de novo, não. Lá fora, pelo menos, não. Só aqui dentro do Brasil que todo mundo abaixa o rabinho, mesmo aqueles que poderiam fazer alguma coisa.

Ao comentar a tragédia anunciada da saúde no Amazonas, quando muitas pessoas morreram e estão morrendo por falta de oxigênio, o presidanta Bolsonaro disse que o “o governo federal fez a sua parte” para ajudar o Estado. Ele mente na cara dura, é um mentiroso cruel e profissional. "Terrível, o problema em Manaus. Mas nós fizemos a nossa parte. O ministro da Saúde esteve lá segunda-feira e providenciou oxigênio", declarou. Ah, é? Se tivesse providenciado oxigênio, as pessoas estariam, agora, morrendo asfixiadas, sem oxigênio? O vice, Mourão, afirmou que “o governo está fazendo além do que pode”. Pode, isso? Pois é. Desfaçatez. Esses são os “governantes” que temos.

O Brasil segue como segundo país mais atingido pela pandemia. Estamos, já, com mais de 200 mil mortos, com mais de mil óbitos por dia. Os número de casos confirmados já passam de 8 milhões e estamos com mais de cinquenta mil casos novos por dia, tendo já ultrapassado, dia destes, os oitenta mil em apenas 24 horas.

É imperativo que nos cuidemos, que sigamos os protocolos sanitários, pois a pandemia está avançando, apesar do aceno com a vacina por aqui, que não sabemos ao certo quando vai chegar.

Nossa bandeira está manchada de sangue. E a culpa não é só da pandemia.

Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 40 anos em 2020. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

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