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O desfecho das negociações para uma eventual abertura do comércio de rua neste sábado, o primeiro do mês e normalmente o que registra o maior movimento nas lojas, é um grande revés para toda a cidade.

Sem acordo entre o Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina (Sindecolon) e o Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), os lojistas ficam impedidos de exercerem seu papel social e são obrigados a contabilizar mais prejuízos em um momento de ansiedade pela retomada após uma crise longa e terrível.

A Associação Comercial e Industrial de Londrina lamenta que os interesses corporativos prevaleçam sobre a imensa maioria dos londrinenses, que poderiam, inclusive, aproveitar mais um dia da Semana do Brasil, iniciativa que pretende conjugar as manifestações cívicas com uma campanha de descontos.

Em uma sociedade democrática, a vontade da maioria deve sempre prevalecer. Em uma economia de mercado, não há barreiras desta natureza para o consumo, para a geração de renda e empregos.  É, portanto, inaceitável que em plena era digital as velhas ideias ainda sejam capazes de sufocar o dinamismo do varejo.

O inconformismo sempre foi uma marca da nossa cidade e é preciso exercê-lo mais uma vez diante desta distorção. É preciso debater com urgência a flexibilidade do funcionamento do comércio. Caso contrário, continuaremos sob o julgo do radicalismo sindical.

Nos próximos dois meses, haverá outros dois feriados celebrados em sábados.

Em outubro, dia 12 (Dia da Padroeira do Brasil), o fechamento compromete o segundo fim de semana do mês, normalmente outra data de grande movimento. Por fim, em novembro, dia 2 (Dia de Finados), as lojas ficariam fechadas no primeiro fim de semana do mês.

É uma sequência muito ingrata para a economia local e que deveria ser motivo de debate das forças políticas. A ACIL continuará se empenhando em reverter este calendário traumático. Vamos sempre sugerir a troca de dias propícios à alta demanda por outros dias com baixa expectativa de vendas, de modo que os trabalhadores também se beneficiem com a mudança, ampliando seus ganhos por comissão. E seguimos acreditando no entendimento, como houve, por exemplo, no segmento dos shoppings centers – nos cinco maiores as lojas ficarão abertas das 10 às 22 horas neste sábado.

O comércio de rua vai sobreviver, ainda que enfraquecido por tantos prejuízos. O que os londrinenses devem se questionar neste momento é qual nosso nível de liberdade econômica.  Estamos cuidando da nossa cidade, defendendo o comércio de rua como fator decisivo para a ocupação e a conservação de áreas históricas? Estamos preocupados com esta região afetiva para os moradores de todas as regiões da cidade? Estamos facilitando o desenvolvimento do varejo e desobstruindo as barreiras legais incompatíveis com os nossos tempos?

As portas fechadas das lojas em pleno sábado são as mais claras respostas para quem ainda tem alguma dúvida da nossa passividade.

Muda já, Londrina!

Fernando Moraes - Presidente da ACIL

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