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Que o rito empregado pelo juiz Sérgio Moro para a prisão do ex-presidente Lula não foi o melhor, é inegável. Apesar de ter terminado bem, um formato mais simplório de arresto teria economizado a vigília de mais de 48 horas, evitado o discurso vitimista e incendiário do condenado e a irresponsável pregação da desobediência civil praticada pelos seus seguidores, alguns deles detentores de foro privilegiado. Concluída a operação, é hora de voltar à rotina do dia-a-dia. O reeducando a cumprir sua pena e ter garantidos todos os direitos de recorrer, para o que dispõe de famosos e caros advogados, entre os quais um ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. E as autoridades – cada qual na sua área de atribuição – têm de cumprir o seu dever imposto pelas respectivas investiduras.

Toda tentativa de desobediência civil tem de ser prontamente rechaçada em nome da própria democracia. O povo não pode e nem deve ser insuflado ao enfrentamento e os que tentam fazê-lo têm de ser contidos e responder judicialmente pelos seus atos. Por mais sedutora que seja a tese de defesa do ex-presidente, para ter-lhe algum proveito, ela deve ter o condão de convencer as cortes de apelação. Será impróprio se forem dirigidas à população que, mesmo indignada, não tem credenciais para analisar os fatos e, muito menos, meios para realizar algo em benefício do detento. Para o bem geral da nação e da democracia, em vez de chamado à revolução, o povo deve ser estimulado à manutenção da ordem. E se assim não ocorrer, as autoridades constituídas precisam ter a coragem de agir.

Lula não é o primeiro chefe de Estado a ser preso na atualidade. Na Coréia do Sul, a presidente foi afastada, presa imediatamente e agora condenada a 24 anos. O mesmo ocorre na África do Sul e até no vizinho Peru, sem que isso represente o caos nacional. Em vez de incendiar o país, os que querem o bem do ex-presidente deveriam torcer para a manutenção da paz e das condições para que ele, através dos seus defensores, produzam boas defesas no sentido de safar-se da pena já imposta e daquelas que poderão advir dos outros sete processos a que responde nas varas federais de Curitiba e Brasília. O Brasil, e o próprio Lula, precisam mais de bombeiros do que de incendiários...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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