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O evoluir da ciência e da tecnologia sempre envolveu algumas brigas com os costumes e os estados culturais dos povos. Os primeiros automóveis eram vistos, por muitos, como armas ameaçadoras. Não sem nenhuma razão, em vista das infelicidades automobilísticas que até hoje nos afligem. Diga-se o mesmo dos navios, dos aviões etc, sob a necessária ressalva do reconhecimento do progresso que esses equipamentos trouxeram à humanidade.

A evolução das tecnologias produtivas provocaram desemprego em massa e fome, o que gerou sangrentas insurgências contra a automatização do trabalho em séculos passados. A energia atômica trouxe incomensuráveis benefícios e, ao mesmo tempo, Hiroshima e Nagasaki.

Nada se compara, porém, ao avanço da atual rede mundial de comunicações em velocidade estonteante e tempo real.

O lado "negativo" das comunicações virtuais surge quando elas são dispostas a uma população carente de educação fundamental e aos sicários do crime que cada vez mais se organiza, a desafiar as instituições democráticas e jurídicas.

Num momento crucial para a política brasileira, os resultados - parciais - já se apresentam. Um grande contingente de pessoas, infelizmente, por irresponsabilidade do Estado brasileiro, sem a mínima ideia da sintaxe do idioma e de simples operações aritméticas, obviamente jejunas em matéria política, tem a seu dispor as redes sociais para dizer o que querem, por mais grotescos que seja seu imaginário de barbáries.

E o pior: essas garatujas eletrônicas crescem, arrebanham adeptos dos que querem ouvir  ruídos e não  cânticos elaborados; a algaravia atingiu o ponto em que nos encontramos,  onde o autoritarismo derruidor da democracia, tão arduamente reconquistada por toda uma geração, potencializa sérios riscos num regime de liberdades ainda precário, em que os símbolos quase únicos são as urnas periódicas e obrigatórias.

A falta de aprofundamento dos candidatos sobre as soluções do grave problema que estremece,  neste momento, nossa nação, em linguagem correta, mas a mais simples possível, sem o uso de siglas incompreensíveis, contribui acentuadamente para um regresso há pouco tempo inimaginável em nosso modelo de proteção das pessoas em face de um Estado opressor e iníquo.

A bala - cuja bancada parlamentar se regozija - é a "solução" simples. Tal como é simples erradicar uma doença matando o doente.

Esperemos que a comunicação política pelos meios midiáticos convencionais, não obstante os defeitos dos quais nenhuma iniciativa humana escapa, mas sujeitas a princípios básicos de ética e responsabilidade, seja capaz de demonstrar a inanidade grosseira que tem permeado nossas redes de comunicação,  pretensiosa e irracional.

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados - bruna@deleon.com.br

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