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Desde que aqui se instalou, a pandemia da Covid 19 provoca um insano efeito colateral. Além das mortes que causa, está destruindo as relações políticas e o respeito entre os eleitos pelo povo e a sociedade. Presidente, governadores e prefeitos divergem, radicalizam e judicializam questões que deveriam ser resolvidas através do diálogo e da negociação. Desde o começo, Bolsonaro manifesta sua preocupação com a paradeira que poderá destruir a economia e, subsidiariamente, levar a saques e outros atos anti-sociais praticados pelos desesperados que, impedidos de trabalhar, não terão renda e passarão fome. Governadores e prefeitos, por seu turno, insistem na quarentena, divulgam o lado mais tétrico da pandemia (evitam, por exemplo, dizer quantos dos infectados já se recuperaram) e ameaçam a população com restrições cada dia maiores. Em São Paulo, o prefeito tentou bloquear grandes avenidas e, como não deu certo, impôs o rodízio leonino, que impede a circulação de veículos e leva milhares de habitantes à aglomeração no transporte público. Quem é impedido de trabalhar para não se contaminar, pode fazê-lo no ônibus, no metrô ou nas estações e pontos de embarque e desembarque.

Na falta de entendimento, o presidente recorre a empresários – entre eles p residente da Fiesp, Paulo Skaf -  e os exorta a pressionar governadores e prefeitos a flexibilizar as restrições como forma de evitar que a pandemia, ameaçadora da saúde, também prejudique a economia e espalhe a miséria entre os brasileiros. Antes de propor a pressão a estados e municípios, Bolsonaro foi ao Supremo Tribunal Federal, que deu força para governadores e prefeitos decidirem sobre as medidas de enfrentamento, também acompanhado de empresários que querem trabalhar.

A tensão estabelecida não atende aos interesses da população, única destinatária dos atos praticados por governos e órgãos públicos. O presidente, os governadores e até os prefeitos precisam estar abertos ao diálogo. Reconhecer que ninguém sabe exatamente o que é mais adequado para enfrentar a pandemia, já que ela surgiu em dezembro lá na China, suas nuances e principalmente o comportamento futuro, são desconhecidos. Na comunidade científica existem opiniões divergentes àquelas dos que querem fechar tudo e parar o país. Melhor seria buscar o consenso e, adotadas precauções profiláticas, permitir o trabalho e a produção. Ninguém é capaz de dizer com segurança quanto tempo ainda vamos ter de  conviver com o coronavírus. É preciso encontrar regras não imobilistas. Não basta evitar que o indivíduo morra de Covid 19. É necessário, também, garantir os meios básicos para que, salvo da doença, não venha a perecer de fome ou de qualquer outro efeito decorrente da miséria... 

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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