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Não seria dado ao homem optar, entre os inúmeros cultos, inclusive o ateísmo, pelas convicções ou simples fé que o tornassem mais feliz? Borges disse que "Falo com liberdade; o Shinto é o mais leve dos cultos”.

Crença haveria de ser renúncia, sofrimento, adoção de valores que não nos comovem?

Não haveria que ser resolvido tudo nesta vida? Depois, se não o vislumbrarmos, que corresse em seu espaço, tempo e modo.

Há cultos mais e menos severos, uns pesados e outros de menores resignações e dor.

Ao versejar sobre o Shinto, Jorge Luis Borges o concebe como alívio a nossos sofrimentos:

Quando nos desalenta o infortúnio,

por instantes nos salvam

as aventuras ínfimas

da atenção ou da memória:

o sabor de uma fruta, o sabor da água,

esse rosto que o sonho nos devolve,

os jasmins inaugurais de novembro,

o anseio infinito de uma bússola,

o livro que julgávamos perdido,

o pulso de um hexâmetro,

a breve chave que nos abre uma casa,

o aroma da biblioteca ou do sândalo,

aquele antigo nome de uma rua,

as cores de um mapa,

uma etimologia imprevista,

a lisura de uma unha lixada,

a data que buscávamos,

contar as doze escuras badaladas,

uma brusca dor física. ("Shinto").

Por que não acertarmos neste próprio mundo todas as diferenças?  Depois da morte, zeram-se os cartões (mors omnia solvit). O homem morto amparará os seus. A árvore morta amparará as vivas. Deixemos o resto às oito milhões de divindades do Shinto, "que viajam pela terra, secretas, ..., só nos tocam, tocam-nos e nos deixam". 

Os momentos nos deixam abertas as portas do inferno e do céu. O Shinto nos introduz no céu. Nossos inimigos - se os há - não podem nos fazer mal, pois disto só são capazes os que nos amam. 

O pêndulo fixo do Shinto está fixado em algum ponto mágico entre o sol e a terra.

Sua mensagem à nossa sociedade leva o nome de pacto social.

À nossa desencarnada política, nova assembleia constituinte, do povo, direta e independente, o sol do direito constitucional.

O signo do Shinto é a plenitude do zodíaco. 

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados - daniel@deleon.com.br

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