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“Pelo amor de Deus, minha gente! Agora que todos estão ouvindo, faço um apelo especial a todos: ajudem as crianças pobres, ajudem os desamparados. É o único apelo nesta hora muito especial para mim". Com essa declaração e, aproveitando os holofotes apontados em razão do milésimo gol de sua carreira, que acabava de marcar naquele 19 de novembro de 1969, Pelé dividia a alegria do seu sucesso com o apelo pelas crianças e desvalidos. Hoje, 50 anos depois, lembra do episódio e produz outra declaração, não sob todos os holofotes, mas com a representatividade que a vitoriosa carreira futebolística lhe confere: “É preciso confiar no Brasil e nas pessoas que estão no comando do País”. Oxalá seu apelo atual seja mais observado que o do passado e ajude a tornar melhor a vida das próximas gerações de brasileiros.

Pelé reconhece que, embora merecessem sua preocupação, as crianças de então não eram tão desprotegidas e vitimadas quanto as de hoje, e também brada contra o feminicídio. Evita contestar quem não adotou as medidas que então pedia e, apesar de todas as incompreensões, críticas e até dos problemas de saúde enfrentados, ainda é um otimista que confia no Brasil. Lembra que, quando Jovem, ainda morando em Bauru, ouvia seus tios dizerem que o Brasil, já naquela época, não tinha jeito. “O Brasil tem jeito sim” – diz.

Jogando o futebol que jogou – e o fez “rei” da modalidade em todo o mundo – Pelé não tinha a menor necessidade de falar pelas criancinhas de 1969, assim como hoje também não precisaria pregar pelo Brasil. Mas seu exemplo é marcante e merece reflexão. Se quando rogou pelas crianças, tivesse encontrado um mínimo eco (não críticas), talvez hoje não tivéssemos a juventude tão sem perspectivas, abandonada à própria sorte e vitimada pela desagregação da família e da sociedade. Se o que diz hoje merecer pelo menos a atenção das pessoas que influenciam a vida nacional, por certo não teremos desenlace análogo ao das crianças e necessitados.

Pelé poderia estar calado, isentão, e isso até lhe seria mais confortável. Mas, mesmo assim, continua pregando por um Brasil em paz e confiando no futuro que muitos de nós esperamos com impaciência. É de se aguardar que os detentores de alguma parcela de poder – seja ele público ou social – sejam capazes de raciocinar sobre o que diz o hoje quase octogenário futebolista que, queiram ou não, é um brasileiro com status de cidadão do mundo e visão muito acima das questões que movem os grupos de pressão antagônicos que hoje atuam no país. Acima de ideologias e preferências, é preciso noção de Pátria e Nação, senso de responsabilidade, respeito mútuo e compromisso com o futuro. Sem isso, a derrocada será certa, mesmo para os que venham a vencer momentaneamente...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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