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Impactante e lamentável. Assim pode ser classificado o episódio do ônibus sobre a ponte Rio-Niterói, sequestrado com 37 pessoas a bordo, pelo jovem de 20 anos que, portando arma e combustível, ameaçava atear fogo ao veículo. Diferente do ocorrido no ano 2000 com o ônibus 174 – que se tornou argumento de filme - onde uma vítima sequestrada morreu pelo tiro do sequestrador e este perdeu a vida sufocado no interior da viatura policial numa operação malsucedida, no perigo iminente o agressor de agora foi abatido por atiradores especialmente treinados para momentos-limite como este. O ideal seria que o sequestro não tivesse ocorrido, mas isso é uma questão maior especialistas devem estudar, não para censurar ou aplaudir os fatos, desfecho ou pessoas, mas para dali retirar conhecimentos e providências que possam evitar a sua repetição.

Em qualquer parte do mundo dito desenvolvido, o indivíduo que ultrapassa a barreira de segurança – ou é suspeito de tê-lo feito – é imobilizado com o uso moderado dos meios disponíveis, objetivando proteger suas possíveis vítimas e a coletividade. Recorde-se do ocorrido com o brasileiro Jean Charles de Menezes, abatido em 24 de julho de 2005, pela Scotland Yard, no metrô de Londres, onde foi confundido com um terrorista que no dia anterior havia tentado explodir uma bomba no sistema de trens daquela capital. Mesmo com o erro publicamente reconhecido, os policiais londrinos executores foram condecorados, para indignação de nós, brasileiros. É a rotina do chamado primeiro mundo.

No Brasil demagógico das últimas décadas, autoridades e lideranças temerárias criaram fortes restrições à atuação das forças de segurança. Muitos policiais, pelo simples cumprimento de suas obrigações de oficio, foram acusados subjetivamente de cometer excessos, afastados do serviço, processados, condenados e até encarcerados. A polícia esteve impedida de atuar e os criminosos promovidos a “vítimas” da sociedade. Afagados pela irresponsável política de direitos humanos e por legislações potencializadoras da impunidade, floresceram as facções criminosas, as quadrilhas que escravizam as populações onde atuam e, ao serem contrariadas, agem em represália, incendiando veículos, vandalizam o patrimônio público e particular e, até, matando pessoas.

O ocorrido na terça-feira (20) no sofrido Rio de Janeiro, conflagrado pela inconsistente política de segurança de muitos anos, é uma mudança de postura. Além do profissionalismo das equipes de segurança, destaque-se o apoio das autoridades. Não queremos um estado ameaçador e truculento, mas também não podemos continuar à mercê dos criminosos. Quem se atreve a enfrentar a ordem pública e cometer crimes, principalmente os hediondos, tem de, por regra, saber que pode perder seu bem maior: a vida.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br  

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