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Em recente entrevista, o presidente Michel Temer falou sobre a existência de preconceito contra os militares e afirmou que eles deveriam participar mais da administração pública. A fala ocorreu no contexto da nomeação do general Souza Braga como interventor da segurança pública no Rio de Janeiro, e ensejou a manifestação do general Augusto Heleno, ex-comandante das forças brasileiras na missão da ONU no Haiti, em evento da última quarta-feira, dia 7, na Escola Superior de Guerra. Segundo o general, hoje na reserva, os militares passam a vida inteira estudando, são mal aproveitados e ainda sofrem preconceito. “O país luta contra todos os preconceitos, menos contra esse” – disse, recebendo aplauso da plateia composta por 300 militares e acadêmicos.

Ressalte-se que esse preconceito, infelizmente, tornou-se lugar comum no Brasil redemocratizado. Os que se confrontaram os militares de 64 e foram por eles vencidos, presos ou até exilados, voltaram depois da anistia e se empenharam na desconstrução do militar. Em pregação ideológica, tentaram (e ainda tentam) colocar nas costas do militar de hoje a problemática e os denunciados excessos daquele período. Vem daí o clima de rejeição criado ao militar indistintamente e, principalmente, a permanente contestação contra as ações das polícias militares que nos últimos anos tem levado à represália dos bandidos que, defendidos incondicionalmente por instituições ideológicas, partem para o revide e o vandalismo. Deu no que deu e hoje se torna necessária a intervenção, que não deve ficar só no Rio de Janeiro, pois existem muitas outras áreas conflagradas no território nacional.

 É preciso acabar com a hipocrisia. Durante o governo militar ocorreram excessos de ambos os lados. Vivemos uma guerra urbana e até a guerrilha, onde o governo defendia sua posição e os opositores tinham objetivos diversos, inclusive a implantação de uma ditadura de esquerda. A Anistia foi a forma de pacificação encontrada no começo dos anos 80 e perdoou a todos. Mas a narrativa dos vencidos que anistiados voltaram à atividade política, é voraz contra os militares. É importante lembrar que, passados 33 anos do fim do regime militar (1985), muitos dos militares de então já estão mortos e todos os vivos já foram para a reserva. Temos uma nova geração fardada após a redemocratização, toda voltada para o profissionalismo e o cumprimento da missão militar.

Já passou da hora de, pelo simples fato cronológico de os militares que combateram a luta armada e a guerrilha dos anos 60 e 70 já terem morrido ou, na melhor das hipóteses, estarem vivos com idade avançada, os seus detratores os deixarem em paz. Aqueles fatos hoje já se encontram cobertos pela poeira da história e superados pela Lei da Anistia que, na época, todos aceitaram e até queriam mais abrangente. Chega de preconceito! Vamos aproveitar o que os atuais militares têm a oferecer de serviços ao país...

Não vamos esquecer que, além de suas obrigações de caserna, historicamente, os militares possuem, ao longo da historia, uma larga folha de serviços prestados à sociedade. Grandes exemplos são as incursões do Marechal Rondon pelo interior na implantação da comunicação telegráfica e pacificação indígena e, entre outros, as obras que os batalhões de engenharia, ao longo dos anos, tocaram em todo o país integrando regiões antes isoladas.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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