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Desde os tempos do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Congresso Nacional tem imposto espetáculos degradantes aos brasileiros. Primeiro foram as escaramuças tentando salvar a governante decadente, depois a defesa cega da tese do “golpe”, onde congressistas insistem em qualificar como ilegais atos praticados pela maioria dos componentes das próprias casas legislativas. E, desde o começo do ano passado, a campanha de vitimização do ex-presidente Lula e em favor de sua libertação, que é uma questão judicial e não política. Homens e mulheres, que não representam a si próprios mas a todos que os elegeram, afirmam sabidas inverdades e, não conseguindo validá-las, partem até para o desforço físico, como aconteceu nesta terça-feira, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, levando ao encerramento da audiência com o ministro Sérgio Moro.

Sem qualquer juízo de valor sobre as questões em discussão, os congressistas deveriam ser mais ciosos no exercício do mandato conquistado junto ao povo. Por mais torcedor de qualquer dos lados, o eleitor jamais votaria em alguém para, investido na função de representação, afrontar os regulamentos legislativos ou ignorar o decoro parlamentar. Como representantes de milhares de brasileiros, senadores e deputados têm o dever de urbanidade e condução pacífica de suas demandas, por mais controversas que sejam. O mandato tem de ser tratado como algo sagrado, oportunidade ímpar do eleito trabalhar para resolver os problemas do povo – saúde, educação, trabalho, segurança e outros – e com isso tornar a vida melhor para toda a comunidade. Preservar a dignidade e lutar pelo bem geral são as premissas básicas.

Da forma descortês e arbitrária que parlamentares têm encaminhado as diferenças, resta à população a sensação de que eles são desnecessários. Se fosse para brigar e não resolver, cada um do povo poderia fazer por conta própria, numa espécie de democracia direta, e não precisaria investir a vultosa soma de dinheiro público hoje consumida por Senado, Câmara dos Deputados e nos parlamentos estaduais e municipais.  

Já passou da hora de se buscar ética e respeito. Os plenários têm de abrigar gente educada, em condições de conviver com os diferentes para, através do meio pacífico, fazer a sociedade evoluir. Não interessa ter desordeiros como representantes, independentemente de sua ideologia ou posição político-partidária. Os parlamentares têm de se respeitar e, dentro dos princípios de decência e urbanidade, encaminhar a solução das contendas, que são muitas e urgentes. Em vez de trabalhar pelo “quanto pior, melhor”, todos têm a obrigação legal e moral de respeitar as leis, acatar as decisões do colegiado e trabalhar pelo aperfeiçoamento do país. Devem mirar no compromisso com o futuro e ter no passado apenas os exemplos do bom que pode ser repetido e do ruim que precisa ser evitado. As corregedorias e comissões de ética precisam funcionar mais para, pelo menos, evitar o total descrédito do Poder Legislativo...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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