Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

É quase um clichê: “os opostos se atraem”, mas a verdade é que essa atração é momentânea, pois esse tipo de casal tende a não construir relações duradouras. É o que defende o filósofo Fabiano de Abreu, que explica que essas diferenças não dizem respeito a gêneros musicais, gastronomia ou esportes. “Ao contrário, esse tipo de diferença é até interessante para fortalecer a relação. O problema é quando há divergência de valores”.

De acordo com o filósofo, apesar de serem justamente as diferenças as responsáveis por fazer nascer atração — que faz com que ambos acreditem em uma paixão inabalável—, com o tempo, são as mesmas ideias opostas, os separam pois geram batalhas constantes com o parceiro que deveria ser porto-seguro. “Com a convivência, as diferenças se acentuam e pesam negativamente na balança do relacionamento”.

Isso porque, esse tipo de relacionamento se baseia em um jogo de renúncia, no qual um sempre terá que se anular com relação às vontades e desejos do outro e, assim, gerando o desgastes da relação. “Não é possível se anular o tempo inteiro e renunciar as coisas que se gosta para satisfazer os desejos alheios”, argumenta Fabiano.

De acordo como o filósofo, algumas diferenças não conseguem ser conciliadas com o tempo, se transformam em um abismo na relação. “Imagine, por exemplo, um casal o qual um tem o sonho de ter filhos e o outro não tolera criança. Um, terá que abdicar, pelo outro, um questão que em um cenário não-amoroso, não seria negociável. Alguém vai estar infeliz”.

O filósofo defende a teoria baseada nos princípios de empatia, valores familiares e hábitos. “É complicado entender situações e pessoas de mentalidades divergentes. E a empatia é necessária em um relacionamento. Hábitos opostos vão gerar com frequência, brigas por motivos simple.

“O descontentamento por conta dos objetivos alheios, que não condizem, e por muitas vezes, também se afastam dos do companheiros, influenciam  no desamor. É a impossibilidade do sonhar junto. Além disso, após conhecer a pessoa o encantamento tende a sumir e dar lugar um vazio, pois os gostos e interesses de cada um são completamente diferentes”.

Dentre os que defendem relações do gênero, o argumento é que pessoas diferente se completam, mas para Fabiano de Abreu, essa é uma questão que não gera amor e sim, dependência. “Indivíduos que buscam uma pessoa se completar, na maioria dos casos, têm problemas de baixa autoestima e dificuldades para se relacionar. Esse não é o tipo de objetivo, que gera relacionamentos saudáveis”, argumenta Fabiano.

Encontrar alguém com gostos parecidos, pode ser o primeiro passo para um relacionamento duradouro. “ Afinidades com o parceiro geram maiores chances de gerar uma atração que pode se transformar em amor real. Mas o principal, é que ambos precisam trabalhar juntos para construir um relacionamento duradouro”.

A afinidade é algo que a maioria dos indivíduos procura. E isso pode ser confirmado inclusive em um estudo do pesquisador Michael Kosinski da Stanford Graduate School of Business. Na pesquisa, foram utilizados o típicos casais que se encaixam na hipótese de que os opostos se atraem.

O resultado foi que o americano constatou que o sucesso dessas relações é uma exceção. Intitulado de "Birds of a feather do flock together" — expressão idiomática que significa algo como 'farinha do mesmo saco'— o estudo indicou que ao invés de buscar características complementares, a maioria das pessoas procuram no parceiro, mais de si mesmo.

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios