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Após um ano de uma mudança intensa em nossas vidas com o início da pandemia, temos observado comportamentos dos mais variados no cotidiano. Do estresse continuado, passando pelos lutos ainda não elaborados, a mudança de vida radical para muitos, as perdas de várias naturezas e o isolamento social têm trazido fatores importantes e de grande impacto no comportamento humano.

Em países onde se inicia o desconfinamento, como em Portugal, que passou por regras mais rígidas e um fechamento por completo das cidades, observa-se em parte da população sinais e sintomas característicos da ansiedade, bem como medos acentuados e muitos destes sinais são advindos de um tempo que, para muitos, trouxe sofrimentos intensos. Isso também ocorre em várias partes do mundo. Conversando com pessoas que vivem em outros locais, muitos relatam angústia, medo e tristeza constante.

Os impactos da pandemia nas pessoas

Públicos distintos vivem quadros emocionais específicos. As mulheres têm apresentado um impacto psíquico significativo, uma vez que boa parte delas também carrega consigo a responsabilidade das aulas on-line, do trabalho, do sustento da casa, muitas vezes, e de uma série de condições sociais

Podemos pensar efetivamente que as pessoas mudaram ou mudarão após tudo isso? Será que existem reações momentâneas ou, de fato, este momento trará uma mudança de comportamento?

Estamos numa fase onde várias pesquisas acerca das reações e dos comportamentos na população têm sido realizadas, mas até o momento sabemos que os níveis de estresse pelas incertezas têm se mostrado cada vez mais presentes, bem como uma debilidade na saúde emocional, no aumento expressivo nos casos de depressão e ansiedade.

Além disso, fica mais evidente, infelizmente, o agravamento dos casos de violência doméstica das mais diversas naturezas. Dos lutos que ainda serão elaborados às perdas de várias naturezas, temos vivido adaptações a cada dia e, na verdade, temos mais dificuldade de adaptação ao novo, especialmente se este novo ocorrer com frequência.

Como tem vivido os dias de pandemia?

Refletindo sobre o tema, noto que esta expectativa sobre um novo comportamento das pessoas pode ser ampliado se pensarmos: como eu tenho visto a vida a partir da experiência vivida neste tempo de pandemia? Mais do que esperar que o mundo mude e as pessoas mudem, posso pensar: como eu tenho vivido? O que tenho valorizado ou deixado de valorizar?

Portanto, mais do que esperar novo modelo de vida e comportamento, podemos pensar nos seguintes pontos:

– Tenho valorizado a vida que tenho?

– Qual meu olhar frente a vida e a morte, uma vez que tocamos efetivamente na fragilidade da vida, ou seja, como é importante viver bem a cada tempo, visto que somos tão frágeis.

– Quais padrões de consumo eu tenho? Realmente preciso de tudo o que compro e guardo? Tenho acumulado desnecessariamente, comprado demais, acumulado dívidas sem necessidade?

– Vivo para trabalhar ou trabalho para viver? Como tenho conduzido minha vida profissional, o equilíbrio no trabalho e minhas escolhas? Tenho vivido bem meu trabalho, seja ele qual for?

– Como tenho conduzido meus relacionamentos familiares, profissionais, de amizade, de afeto? Tenho levado a vida com rancores e egoísmos excessivos?

– Como tenho alimentado minha vida intelectual? O que tenho consumido nas mídias, nas redes sociais, no aprendizado? Tenho usado boas fontes? Tenho me preocupado com meu desenvolvimento pessoal e profissional?

– Tenho lidado com a vida de forma realista ou ainda de forma imatura frente às dificuldades? Procuro soluções mágicas e fáceis ou tolero a busca por aquilo que realmente vai me ajudar?

– Penso realmente no coletivo ou tenho vivido uma vida egoísta e autocentrada, que não leva em conta o outro, o meio ambiente, as pessoas ao redor?

Avalia a sua postura frente a pandemia

Estes e outros pontos são formas de ver e rever nossa vida. Mais do que esperar que o outro tenha um novo comportamento e uma nova atitude, um bom começo é revermos as atitudes que eu temos frente a este momento de vida.

Diferente daquilo que muitos pensam, não podemos afirmar que a totalidade das pessoas adotará novas posturas, mas comece por você a pensar em como que poderá ter um novo comportamento frente à vida.

Elaine Ribeiro dos Santos, Psicóloga Clínica pela USP – Universidade de São Paulo, atuando nas cidade de São Paulo  e Cachoeira Paulista. Neuropsicóloga e Psicóloga Organizacional, é colaboradora da Comunidade Canção Nova.

Site: www.elaineribeiropsicologia.com.br

Facebook: elaine.ribeiropsicologia

Instagram:  @elaineribeiro_psicologa

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