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O suicídio de policiais é um problema que há muito incomoda a classe e exige providência dos governos empregadores e da sociedade a que esses profissionais servem. Enquanto na população a incidência é de 5,8 casos por 100 mil habitantes, o número vai a 30,7 por entre policiais civis e 21,7 dos militares paulistas. Em nível nacional, o 13º Anuário de Segurança Pública informa que em 2018 suicidaram-se 104 agentes policiais, um número maior do que os mortos em confronto, que somaram 87. Logo, a letalidade intra atividade é maior do que a decorrente do exercício profissional e de seu choque com criminosos e outros antagônicos. O quadro pode ser mais grave, levando-se em consideração que parte das unidades federativas não produz estatísticas a respeito.

No seu dia-a-dia, o policial, tanto o civil quanto o militar, tem contato direto com as iniquidades, o sofrimento e as angústias da população, e as somatiza. Também sofre, como profissional, ser humano e chefe de família, as agruras pessoais representadas por salários incompatíveis com a função e seus riscos, falta de condições ideais de trabalho e questões paralelas. Até o “bico” que agora é chamado função delegada e oficializado, periclita a sua vida pois lhe tira a oportunidade de descansar e se recuperar entre uma jornada e outra. Não bastasse isso, é ainda submetido a um rígido controle disciplinar e, por outro lado,  atacado pelos criminosos e desordeiros sociais, cada dia mais violentos e determinados a subjugar os agentes da lei. Nisso se incluem os fatos de ter de utilizar o mesmo transporte público usado pelos criminosos a que tem o dever de combater, ter de morar em regiões problemáticas e ser perseguido e literalmente caçado pelo crime organizado.

É importante considerar que o policial é um servidor público com importantes e específicas atribuições. Durante os demagogos anos em que os governos, a título de se parecerem democráticos, enfraqueceram as polícias e empoderaram os criminosos, ficou mais difícil a vida no quartel ou no distrito policial. São Paulo, estado mais desenvolvido da federação tem apenas duas psicólogas e duas assistentes sociais para servir aos 28 mil policiais civis. A Polícia Militar só tem atendimento do gênero em 35% das unidades. A Ouvidoria de Polícia está acompanhando e identificando o problema. É preciso, pelo menos, “segurar a cabeça” de quem convive com tantos problemas.

A classe espera ser socorrida por quem de direito (e obrigação). Encarregado de proteger os cidadãos, o policial como profissional, contribuinte, chefe de família, cônjuge e filho, carece da assistência do Estado a que serve e ajuda a manter estável. Já foi muito desrespeitado pelos irresponsáveis governos que os deixaram entregues à própria sorte. O agente da lei é uma peça importante da sociedade e mantê-lo vivo constitui a grande obrigação de todos os que dependem de seu serviço. Governantes, parlamentares e lideranças sociais precisam pensar nisso e agir. Sem demora...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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