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O acidente do Rio Moju, no Pará, onde uma balsa bateu na pilastra e derrubou a ponte, por onde passavam dois veículos, na madrugada do sábado, era algo evitável. Assim como o ocorrido recentemente, no Rio Tietê – interior de São Paulo – onde um veículo que teria sido abalroado por uma máquina agrícola foi projetado para dentro do rio, matando suas duas ocupantes. São centenas os acidentes envolvendo o tráfego dentro e fora das águas. Muitas das vezes, as embarcações fluviais batem nos pilares e danificam a pista da ponte. Outras, os veículos que trafegam pela crista perdem a trajetória e caem dentro da água. Tudo isso se resolve com a colocação de defensas metálicas, tanto para proteger os pilares em relação às embarcações do rio, quando nas margens das pontes, para evitar que os veículos cujos condutores percam a direção caiam na água. Mas essas providências só ocorrem depois dos acidentes e mortes que comovem a população.

Há muito tempo deixamos de ser aquele país atrasado onde a vida seguia em baixa velocidade e boa parte da população morava na fazenda. A proliferação de boas estradas, veículos velozes e o alto índice de utilização das vias passaram a exigir providências de segurança que nem sempre vêm no devido tempo. Em São Paulo, por exemplo, precisou a ponte que dá acesso da Marginal Pinheiros à Rodovia Castello Branco ceder e quase matar gente para o poder público atentar para a necessidade de manutenção e, principalmente, acompanhamento das demais pontes e viadutos em operação na cidade e região. Se em São Paulo, a maior cidade do país, é assim, imagine-se no resto.

Nunca é demais lembrar que em 2013, após o incêndio da Boate Kiss, de Santa Maria (RS), que teve o pavoroso resultado de 242 mortos e 680 feridos, decorrentes da inobservância de normas de segurança e fiscalização, ficamos sabendo da existência de centenas, talvez milhares, de prédios públicos – alguns até em Brasília – que recebem grande número de usuários e visitantes e funcionam sem o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros porque não atendem aos requisitos técnicos impostos pela entidade. Enquanto a questão da boate repercutia, prometeu-se soluções, mas até hoje pouco se sabe a respeito. Precisamos, urgentemente, ter observadas as normas de segurança para evitar que estruturas caiam sobre nossas cabeças ou que com elas sejamos tragados para dentro dos rios ou atirados de encostas ou ribanceiras.

O desenvolvimento do ultimo século nos legou um país novo, colocado entre as dez maiores economias do mundo. Mas faltam muitas providências para que os brasileiros possam ter vida segura e sustentável. Não basta ter normas de segurança no papel. Elas têm se ser seguidas rigorosamente...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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