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A exploração dos recursos naturais piora a cada década. De acordo com um estudo publicado pela revista científica Nature, os humanos já gastaram cerca de 173% da biocapacidade do mundo. Há 40 anos, o percentual estava em 119%. Os dados comprovam que, à medida em que o tempo passa, o meio ambiente vem sofrendo as consequências da exploração irresponsável.

No Brasil, o cenário percorre a mesma direção. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia tem mais de 1,1 milhão de hectares de floresta derrubados. Os dados são de 2020. Naquele mesmo ano, outra triste marca alcançada. Foram quase 223 mil focos de queimadas em território nacional, o maior número registrado na década. Destaque para o Pantanal, cujo índice cresceu 120% em relação a 2019. A degradação do meio ambiente provoca alterações irreversíveis no bioma, ciclo hidrológico, agravamento do efeito estufa, mudanças climáticas, poluição, potencialização de desastres naturais, entre outras dezenas de consequências.

Toda e qualquer atividade que o homem exerça no meio ambiente provoca um impacto ambiental. Para que tenhamos uma boa convivência, é necessário tomar atitudes para preservá-lo, sem deixar de lado as demandas por inovação, desenvolvimento de tecnologias e avanços na sociedade. E eu entendo que esse é o papel das profissões de Engenharia, Agronomia e Geociências: trabalhar de tal maneira que o meio ambiente seja um parceiro e não agente passivo do processo.

A Engenharia Ambiental tem papel fundamental nisso. O profissional estuda, elabora e executa ações que visam controlar os impactos ambientais de instalações industriais, recuperar a biota e oferecer soluções para geração de energia renovável, por exemplo. O Engenheiro Sanitarista atua diretamente na gestão do saneamento básico, com o objetivo de tornar a água potável para o consumo humano, além do gerenciamento de resíduos sólidos, tratamento de esgoto e drenagem urbana, evitando assim as enchentes e alagamentos e preservando a vida aquática. O Engenheiro Florestal, por sua vez, trabalha na elaboração e desenvolvimento de projeto de reflorestamento, visando estabelecer o equilíbrio do ecossistema. O Engenheiro Químico e Engenheiro de Materiais são responsáveis pela criação de bens de consumo com materiais recicláveis e biodegradáveis, pensando sempre na diminuição do uso do plásticoe na redução daextração de novos materiais da natureza.A atuação desses profissionais na esfera pública ou privada é focada no equilíbrio entre a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico.

A mesma prerrogativa é praticada pelo profissional de Engenharia Civil. O setor de construção civil é responsável por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Com tamanha importância econômica, o profissional moderno se preocupa em atuar de maneira inovadora, usando de tecnologias ecológicas para poupar o meio ambiente. Desenvolve projetos inteligentes, usa materiais ecológicos, reaproveita a água, reduz o desperdício de materiais e aumentaa eficiência energética.

O Engenheiro Agrônomo tem no meio ambiente seu parceiro inseparável. É nele o fim e o meio. Pode trabalhar na assistência técnica no campo, nas agroindústrias, engenharia genética, no controle de sanidade e na conservação de solo e água. Na esfera pública, pode assumir funções mais burocráticas, mas igualmente necessárias como fiscalizações e aporte de recursos. Não importa qual seja a área de atuação, a postura é de constante preservação diária dos recursos naturais, com vinculação direta para a sustentabilidade.

Apesar de ter sido regulamentada apenas em 1979 no Brasil, a profissão de geógrafo teve origem na Grécia e é considerada uma das mais antigas da humanidade. É dele a função de estudar os espaços físicos do planeta, desde a criação de mapas e estatísticas, até planejamento urbano e análises de impactos no ambiente, com estudos de solo, relevos, vegetações e organização do homem no espaço. As atuações perpassam pelo ecoturismo, geopolítica, planejamento urbano, geografia de transportes e geotecnologia.Os geólogos igualmente podem atuar em empresas de âmbito privado, na academia ou em organizações sem fins lucrativos. São insubstituíveis em projetos de recuperação ambiental e prevenção e preparação de desastres naturais.

Em outras dezenas de Engenharias como de Segurança do Trabalho, de Alimentos, Computação, de Produção, Telecomunicações, Elétrica, Mecânica - só para citar algumas delas - há espaço e possibilidades de atuação em prol da conservação do meio ambiente. São consideradas profissões tradicionais e imprescindíveis para a construção da sociedade e possuem um leque diverso de especializações e espaço infindável para trabalhos estruturados e consolidados em sustentabilidade, sem deixar de lado o crescimento econômico.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o Crea-PR faz coro aos 77% da população brasileira que respondeu ser urgente proteger o meio ambiente numa pesquisa realizada pelo Ibope. Preocupar-se com ele e, mais que isso, desenvolver estratégias, investir em conhecimentos e aplicá-los no dia a dia é responsabilidade de todos os trabalhadores de Engenharia, Agronomia e Geociências. O Crea-PR renova seu compromisso como autarquia responsável pela regulamentação e fiscalização de empresas e profissionais das áreas de sua competência e reforça seu papel fundamental na proteção do meio ambiente, saúde e qualidade de vida da população.

Rafael Ciciliato, Engenheiro Ambiental e Conselheiro do Crea-PR e Lorian Voigt Gair, Engenheira Agrônoma e inspetora do Crea-PR.

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