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Só na terça-feira (25), foram registrados 25 assassinatos no Ceará, um número quase sete vezes maior que o da terça anterior (17), véspera da eclosão do motim de policiais que reivindicam melhores salários e condições de trabalho. Naquele dia morreram três cearenses. Na semana de greve, o estado registrou 170 mortes, segundo informe da secretaria estadual de Segurança Pública e Defesa Social. Esses números servem para destacar a importância dos trabalhos policiais para a segurança da população. Desde 1997, quando policiais militares mineiros fizeram a primeira greve e um policial morreu baleado em passeata, a classe luta por avanços salariais e profissionais. Em 12 estados há, atualmente, pressão nesse sentido, habilmente explorada por políticos que, a nosso ver, poderiam até apoiar, mas com o cuidado de não transformar as reivindicações em plataforma eleitoral.

A polícia existe desde que o mundo é mundo e seus profissionais são diferenciados. Por isso, eles não têm o direito legal de entrar em greve e nem de fazer ações que reduzam a eficiência do seu trabalho. É importante que a classe observe essa limitação e reivindique no estrito terreno legal para evitar revezes e, principalmente, a morte tanto de integrantes da classe quanto de pessoas do povo como decorrência dos movimentos. Em suma: se a polícia parar, é o caos e, além de patrimônio, vidas são colocadas em jogo. Os governantes não devem se aproveitar desse espaço menor de pressão para negligenciar as reivindicações pois, aí, não restará alternativa diferente do que apelar à ilegalidade, com todos os riscos que isso representa. Não se deve ignorar as agruras que o policial passa por, sem ganhos suficientes, ter de morar em locais perigosos da periferia onde nem pode declinar sua profissão porque seus vizinhos são os marginais inimigos da corporação, por ter de dividir o transporte público com aqueles que combate profissionalmente e, principalmente, por não conseguir pagar suas contas com o que ganha. É preciso considerar o grande numero de suicídios e de moléstias de ordem psicológica existente nas tropas.

Durante as últimas décadas, quando o país caiu nas mãos dos demagogos que buscaram encurtar a ação dos meios de segurança pública para com isso obter votos, todos os policiais foram prejudicados. Mas tudo tem um limite. O Ceará já explodiu e outras 11 unidades da federação têm problemas explícitos que, não resolvidos, também poderão levar ao desastre. Governos – federal e estaduais – e lideranças políticas e sociais devem se preocupar com isso. Ouvir e atender aos reclamos da classe naquilo que for possível. Até porque, sem contar com os trabalhos dos policiais, a vida fica mais difícil para todos e, gradativamente, passa a ser mais volátil e a ter valor insignificante...

Vale, nesse caso, o velho jargão do próprio meio, a ser observado tanto por policiais quando pelos governantes, políticos e cidadãos. “Não faça da polícia uma arma; a vítima será a sociedade”...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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