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Bolsonaro falou - na última terça-feira - sobre um estudo que estima serem apenas 20% dos 164 mil brasileiros dados como mortos pela pandemia as reais vítimas do coronavírus. Os demais teriam perecido pelas moléstias pré-existentes, que até podem até ter sido agravadas quando expostas ao mal epidêmico. Em vez de só acenar, o presidente tem o dever de abrir o que sabe sobre esse assunto e convocar a comunidade científica para se pronunciar com isso conter o pânico da população. Só o conhecimento poderá nos poupar de novas quarentenas e isolamento radicais e evitar medidas restritivas, reservando-as apenas aos grupos de risco. Isso seria menos impactantes do que o "fecha tudo" que  vivemos este ano e hoje apresenta suas consequências sociais e econômicas. Deveria, ainda, o presidente, encaminhar ao Ministério Público o estudo que apura os 20%, com pedido para apurar os reais motivos dos óbitos, promover o encontro dos fundamentos e, até, apurar possíveis ações e omissões. Isso finalmente eliminaria o viés politiqueiro dado à pandemia e faria justiça ao povo, que sofre com os diferentes reflexos do mal.

Não há porque ignorar que os registros do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam, desde 2009, a morte de mais de 3 mil brasileiros todos os dias; e que o “relógio” da população mantido pela ONU (Organização das Nações Unidas), disponível na internet, atesta que no Brasil ocorrem em media 3621 mortes diárias, muitas delas por diferentes enfermidades que, no entanto, não provocam tanta repercussão quanto a Covid-19. Registros de diferentes órgãos citam milhares de mortes anuais por doenças cerebrovasculares (AVC), cardiológicas (infarto), pneumonia, hipertensão, diabetes, bronquite, câncer, dengue, sarampo, zika, chicungunya, etc. A entrada da pandemia não autoriza a pensar que, diante dela, as diversas moléstias pararam de fazer vítimas fatais.

Para ser honesto e prático, e preciso verificar as verdadeiras causas da morte em vez de, comodamente, atribuí-la à pandemia, mal do momento. Não há porque colocar na conta do coronavírus os eventos decorrentes dos males que as vítimas já sofriam. O relatório criterioso, além de ser justo, ainda poderá oferecer subsídios para futuros acontecimentos do gênero, especialmente evitar quarentenas e isolamentos radicais e extensivos a toda a população.

Desafortunadamente, a pandemia foi politizada no Brasil. Teria sido melhor se todos tivessem trabalhado unidos, sem pensar em lucro nas próximas eleições e, muito menos, na oportunidade de praticar a maldita corrupção, que já levou agentes púbicos ao cárcere e ainda deverá encerrar carreiras políticas precocemente. Espera-se que a fase das vacinas não caia na vala comum dos interesses político-eleitorais e muito menos no ramo do lucro fácil e criminoso. Dela depende a volta da população à saúde plena e do país à normalidade social e econômica. Que cada agente público ou especialista em Saúde e logística do meio, na devida área de atribuição, cumpra suas responsabilidades e, principalmente, atue com honestidade, humanidade e, até, patriotismo. É obrigação dos governos e dos operadores da Saúde tratar com o mesmo empenho e dedicação os pacientes e todas as moléstias, sejam elas a pandemia, epidemias, surtos ou endemias. Afinal, a própria Constituição (artigo 196) define que Saúdé é “direito de todos e dever do estado”. Cumpra-se.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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