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Os coronavírus são conhecidos desde os anos 1960, quando derivaram da alpaca (camelídio lanífero criado no Peru, Chile e Bolívia) e a maioria das pessoas com eles se infecta ao longo da vida, mas de forma branda, moderada e de curta duração. São gripes ou resfriados de poucos dias. Sua circulação foi registrada também em 2002, 2004, 2005 e 2012, vindo de morcegos, bovinos e camelos. A forma agressiva, que hoje amedronta o mundo, surgiu o ano passado na China. Foi transmitida ao humano pelos pangolins, um mamífero coberto de escamas que vive nas zonas tropicais da Ásia e da África. A velocidade da propagação na China, Europa e em outros países do hemisfério norte, colocou o mundo em alerta. A falta de conhecimento sobre a evolução é o grande e aterrorizante complicador.

Até amanhã de ontem (16), haviam no mundo 169.484 casos confirmados da doença e 6.518 mortes. No Brasil, chegamos a 200 casos confirmados, um aumento de 60%, pois no domingo eram 121, e até agora, sem mortes. Na América do Sul, morreram cinco, sendo duas vítimas na Argentina, duas no Equador e uma na Guyana (inglesa).

Mais do que a possibilidade de infestação e morte, estamos sofrendo uma sinistrose.  O país proibirá a reunião e circulação das pessoas para evitar a transmissão em alta escala que leve à necessidade de internação além da capacidade de nossa rede de saúde, especialmente hospitais com isolamento e UTI. Especialistas divergem na previsão do número de possíveis infectados. O dr. David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, informou que o governo trabalha com a possibilidade do vírus contaminar entre 1% e 10% da população do estado, de 46 milhões de habitantes. Isto que dizer que poderão ser infectados entre 460 mil e 4,6 milhões de pessoas. Mas o infectologista Anthony Wong, diz que, “se chegarmos, será no máximo 2 a 3 mil casos”.

O mercado financeiro está tenso, as empresas aéreas, de turismo, escolas, shoppings, cinemas, restaurantes e outros estabelecimentos de grande movimentação de público tendem a parar e os prejuízos serão inevitáveis, podendo até inviabilizar os negócios atingidos. É importante que as autoridades sejam comedidas para evitar medidas extremas e desnecessárias, que possam produzir efeitos colaterais piores que o próprio problema.

Uma coisa o coronavírus já provou. O mundo globalizado, não está preparado para enfrentar problemas decorrentes da própria globalização. Diferente do passado, quando a relação dos povos se dava através vagarosos navios, hoje temos a celeridade e a grande frota de jatos que decola e pousa diariamente em todos os quadrantes do planeja. Além das medidas profiláticas para evitar o embarque dos males e sua ida de um lugar para o outro, é preciso ter estrutura mínima capaz de garantir a saúde da população nos momentos em que os controles venham a falhar. Uma obrigação de Governo, Parlamento e órgãos de saúde.  Ainda mais: os especialistas lembram que o coronavírus tem taxa de propagação de 2,2 a 2,5, menor do que as influenzas contra as quais nos vacinamos anualmente e infinitamente inferior às do sarampo (18 a 20), da dengue (16) e da catapora (12 a 13). Esses males, presentes endemicamente entre nós, não podem ser negligenciados por conta da epidemia (ou pandemia) agora surgida...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)  aspomilpm@terra.com.br 

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