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A tristeza materna acomete até 80% das mulheres

No artigo anterior, comentei com você sobre a DPP – Depressão Pós-Parto, porém, é muito conhecido entre a psicologia e a área médica um outro quadro clínico chamado Tristeza Materna (baby blues, post-partum blues).

O que muda entre a depressão pós-parto e a tristeza materna é a intensidade dos sintomas, a gravidade do quadro e a forma como atinge a mulher, incapacitando-a, colocando em risco sua vida, a do bebê e a capacidade de fazer coisas, até mesmo as mais simples do dia a dia, como arrumar-se, fazer sua higiene pessoal, amamentar entre outras atividades.

Como já comentei, é muito importante que a mulher seja cuidada nesse período. É comum que o marido ou os parentes achem muito normal, até mesmo uma fraqueza da mulher ou “coisa de mãe e de grávida”.

Os riscos da tristeza materna

O risco não é apenas materno, mas também da qualidade da saúde mental do recém-nascido, pois a mãe passa a destinar sentimentos negativos ao filho, muitas vezes, este passa a ser vítima de maus-tratos; em casos extremos, ela sente vontade de eliminar a vida da criança. Isso não é apenas maldade ou falta de Deus; trata-se, sim, de um quadro que requer atenção redobrada, acompanhamento materno e proximidade com ela.

sociedade trata certas regras, quando falamos sobre depressão e gestação, como se a mulher necessariamente tivesse que transbordar de alegria diante do nascimento do filho. Isso é o socialmente esperado, porém, a estrutura emocional feminina reage de forma diferente a cada caso. Certamente, não é uma ingratidão pelo milagre de vida que lhe foi concedido, pelo milagre da maternidade.

A tarefa de ser mãe, algo que pode inicialmente ser muito desejado, pode despertar sentimentos de incompetência, incapacidade, limitação nos papéis ocupados pela mulher na sociedade, na família, no casamento.

A transformação psíquica em uma mulher

Gosto da leitura e complemento com um dos textos que busquei: “O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar, no ciclo gravídico-puerperal, envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de formas diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um desses temas requer uma reordenação psíquica, que incide sobre as vicissitudes de cada mulher. A mentalidade de que a chegada de um filho é isenta de ambiguidade tende a dificultar o auxílio que essas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família seu estado” (IACONELLI, V. – Revista Pediatria Moderna, julho-agosto, 2005).

Os números mostram claramente essa realidade: a Tristeza Materna (“baby blues”) acomete até 80% das mulheres, mas, devido ao tabu mencionado, pode-se imaginar um índice até maior. “É um estado de humor depressivo, que costuma acontecer a partir da primeira semana depois do parto. Esse humor é coerente com a enorme tarefa de elaboração psíquica citada anteriormente (transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade). De forma geral, a mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não é mais de uma grávida tampouco retomou à sua forma original; que entre ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como um outro ser humano aos olhos dessa mãe e precisa encontrar um espaço dentro dessa configuração anterior (casal), de forma a deixar preservada a sexualidade dos pais. Forma-se o triângulo que remete o casal a suas próprias questões com seus pais” (idem).

Sintomas da Tristeza Materna

O quadro é benigno à medida que essas questões possam ser elaboradas e regridem por si só por volta do primeiro mês. Aparecem sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, tristeza, insegurança, baixa autoestima, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e outros.

Lembre-se: “A tarefa de uma mãe de bebê é monótona, desgastante e sem recompensas ou reconhecimento do bebê a curto prazo. O bebê é impiedoso em suas necessidades e é difícil que a mãe possa atender-lhe se estiver num estado de comprometimento psíquico” (idem).

O conhecimento é essencial na percepção e até mesmo antecipação da existência potencial dessa problemática que acomete tantas famílias.

Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica pela USP – Universidade de São Paulo, atuando nas cidade de São Paulo  e Cachoeira Paulista. Neuropsicóloga e Psicóloga Organizacional, é colaboradora da Comunidade Canção Nova.

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