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Então é Natal! E daí? E daí que estejamos às portas da celebração do Natal. O nosso coração está aberto para tudo o que essa data representa? Nossa alma, de fato, está ávida para mergulhar, por inteira, na renovação que a encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade significa para amontoados de células sem valor como eu e você? 

Bem, essas são perguntas que, imagino eu, cada um, em sua íntima relação para com o Criador, podem responder. 

Posso até ousar, de modo bem petulante, aqui com essas turvas linhas apresentar algumas reflexões soltas e disparatadas a respeito desse acontecimento cósmico, porém, todas as palavras que eu escrever aqui, possivelmente acabarão tendo pouco significado, ou significado algum para o leitor que, possivelmente, viva sua jornada nessa terra desolada por um ângulo que não lhe permita ver o que vejo.

Mas fazer o quê? Isso, literalmente, faz parte da vida. Nosso Senhor Jesus Cristo que o diga.

Divagações à parte, voltemos ao ponto inicial desse conto mal contado: e daí que é Natal? Nietzsche, esse “profeta” maldito não havia declarado em alto e bom tom, no crepúsculo do século XIX, que Deus morreu? E Deus está morto. Mortinho.

Dói dizer isso, mas é verdade. Ele morreu e quem O matou fomos todos nós. Cada um de nós.

Basta que sejamos um pouquinho sinceros para conosco mesmo para constatarmos com clareza que essa afirmação feita a muito por Nietzsche faz algum sentido.

Guimarães Rosa dizia que a única questão que realmente importa é se Deus existe ou não. E ele estava certíssimo.

Quando alguém afirma que Deus existe, quando uma pessoa procura, dentro de todas as suas limitações, orientar a sua vida a partir da certeza de que Deus existe, que Ele criou tudo e que, acima de tudo, Ele nos ama, esse alguém está dizendo com todas as letras que a vida tem sentido e que este não seria uma reles invencionice de sua imaginação ou uma elucubração dum inconsciente coletivo.

Nada disso. A vida tem sentido e Ele vem ao nosso encontro.

Agora, quando um infeliz diz que Deus não existe, quando um sujeito vive os seus dias como se não houvesse nada superior a razão humana, o que esse caboclo está dizendo, também, com todas as letras, é que a vida não tem nenhum sentido objetivo que esteja além de nossa imaginação.

Nesse caso, sem se dar conta, todo indivíduo que assim procede está declarando ser uma espécie de deus [sem criação alguma], que decreta: “tudo o que existe, para ser reconhecido como legítimo, deve seguir minhas regras”.

A consequência desse tipo de atitude perante a existência é a abertura das portas da insensatez para o niilismo que, inevitavelmente, acabam nos levando construção dum inferno na terra, onde o “faça o que tu queres” seria a lei das leis.

Se Deus não existe, tudo é permitido, como sabiamente nos aponta Dostoievski. Se nos permitimos tudo, as noções de bem e mal tornam-se caducas por perderem a sua objetividade ontológica e, por isso mesmo, sua relevância, levando-nos lentamente (ou nem tão lentamente assim) para um mundo onde o absurdo é normatizado.

Lembramos, em tempo, que entre aqueles que professam a existência de Deus e os que creem na Sua inexistência, há um terceiro grupo de pessoas que, conforme as palavras do Papa Emérito Bento XVI e Dinesh D'Souza seriam os “ateus práticos”.

Estes, em resumidas contas, seriam pessoas que dizem crer em Deus e que, inclusive, praticam ritualmente uma religião, porém, vivem suas vidas como se Deus não existisse.

No popular, seriam os chamados “atoas”, “amornados”, “jujubas”, “bons-moços” e demais “nutellas” de plantão. E o mundo está cheinho deste tipo de gente.

Por isso e diante do exposto, repito: e daí que é Natal? Nietzsche não disse que Deus está morto? Nós de certa forma, não acabamos por matar Deus em nosso coração e terminamos por bani-lo da vida moderna? Verdade.

Mas Cristo, o Verbo divino encarnado, da mesma forma que foi morto, por todos nós, no alto do monte Calvário, ressuscitou no terceiro dia, por cada um de nós, no Santo Sepulcro. E Ele continua nascendo, sendo morto e ressuscitando em nossos corações para que, com Ele, voltemos nossas vidas para a Eternidade.

O coração de cada um de nós, por definição, é um microcosmo onde esse drama macrocósmico é repetido, reencenado, revivido para que possamos ser salvos dos redemoinhos da efemeridade que tudo tragam para o nada.

Sei que é difícil para nós, pessoas modernosas, escravizadas pelas luzes dos brinquedos eletrônicos para adultos, entendermos isso, mas tudo o que acontece no macrocosmo ocorre, de certa forma, em função do microcosmo.

Toda a criação, todo o universo foi criado para que Cristo nascesse, fosse morto e ressuscitasse para que nós, junto com Ele, pudéssemos renascer para vivermos uma vida nova.

Sim, sei que para muitos é absurdo que tudo o que existe tenha sido criado para que nos sejamos refeitos por Deus. Mas é isso que o Natal anuncia para homens velhos como eu e você [desde que tenhamos um mínimo de boa vontade para ouvirmos essa Boa Nova].

Uma oportunidade para permitirmos que a Luz da Verdade inundem nossa caverna existencial, nos guiando para fora e para além dela e, assim, para que possamos nos tornar o homem novo de que nos fala a Sagrada Escritura.

Não é por acaso que em todo fim de ano temos uma baita confusão. Esse baita furdunço nas casas, nas ruas e demais cantos. Tudo a nossa volta, como nos lembra C. S. Lewis, nos dá a impressão de negar o significado do Santo Natal.

Consumismo desenfreado dum lado, bebedeiras doutro, orgias gastronômicas aqui e acolá, brigas e discussões tolas para todos os lados. Tudo virado num chapéu velho.

Pois é. Mas aquilo que aparentemente nega a santidade do Natal, acaba confirmando-a.

Um Deus está nascendo para viver entre nós. Deus está encarnando para nos salvar, para ver se criamos vergonha na cara.

Ora, é mais do que compreensível que o mundo fique inquieto com tudo isso. Estranho seria se não ficasse.

Não é um qualquer, como eu e você, que está nascendo. E toda vez que Seu natalício é celebrado, no dia 25 de dezembro, nosso coração [microcosmo] e o mundo a nossa volta [macrocosmo] sentem Sua presença e, é claro, se agitam. Como se agitam!

É o homem velho que resiste, que não quer que mudemos de vida para nos tornarmos o homem novo. 

Enfim, e daí que é Natal? Pois é. E daí? Continuaremos com nosso coração fechado? Continuaremos agarrados às sombras das superstições da razão instrumental ideologizada moderna para não olharmos, admirados, para as luzes da Verdade divina?

Permitiremos que nosso coração torne-se uma manjedoura para receber Aquele que é o caminho, a verdade e a vida ou continuaremos a vagar a esmo, sem rumo, por esse vale de lágrimas, sepultando-nos na frieza dum coração que se nega abrir para o verdadeiro caminho que nos leva à verdade da vida?

Por fim e sem mais delongas, Nietzsche, o maluco filosofante que havia declarado que Deus estaria morto, em seu leito de morte, encerrou sua jornada por esse vale de lágrimas, beijando um crucifixo e pedindo perdão ao Cristo. Pedindo perdão aos gritos.

Gosto de pensar que ele, Nietzsche, na hora derradeira, tenha se reconciliado com Nosso Senhor. Aliás, se o pedido foi sincero, com certeza, o Bom Pastor recolheu em seu aprisco essa bigoduda ovelha tão aloprada quanto perdida.

Seja como for, penso que não devemos ser imprudentes, nem levianos, deixando pra fazer isso, nos reconciliar com Deus, quando estivermos próximos do expirar de nossas vidas, pois não sabemos quando e como isso ocorrerá.

Por isso, peçamos a Deus, que nesse Santo Natal, Ele, sem demora, faça em nós novas todas as coisas, todas, haja vista nossas limitações e fraquezas demasiadamente humanas. Fraquezas e limitações essas que, infelizmente, não são poucas.

É isso. Feliz Natal e um abençoado 2019 para todos com muito café.

Dartagnan da Silva Zanela - dartagnanzanela@gmail.com

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