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A Prefeitura de Cambé, por meio da Secretaria de Assistência Social e com apoio das secretarias de Saúde e de Educação, lança nesta terça-feira (18), às 16h, no Calçadão, um pacote de medidas que visam a proteção à criança e ao adolescente de Cambé. Entre as ações, estão a implantação da comissão de Escuta Especializada no município e o encaminhamento de um Projeto de Lei para a Câmara Municipal, que institui a lei da Família Acolhedora e o Apadrinhamento Afetivo.

O lançamento se dá no dia em que é celebrado o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que estimula a reflexão sobre o papel da sociedade civil no combate a esse tipo de crime.

A atenção à criança e o combate a todas as formas de violência contra elas é uma das prioridades do prefeito Conrado Scheller e está em seu plano de governo. “Não posso admitir que uma criança sofra violência, seja ela qual for. Precisamos cuidar de nossas crianças e isso é um trabalho integrado de várias áreas da prefeitura. A gente sabe que, muitas vezes, a violência ocorre em casa. Por isso, precisamos estar atentos a qualquer sinal e também oferecer mecanismos de prevenção, de denúncia e de acolhimento a essas crianças”, cobrou o prefeito.

Em Cambé, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) é quem acolhe as denúncias e que presta o atendimento psicossocial às vítimas e ao núcleo familiar envolvido. As denúncias podem ser feitas, de maneira anônima, pelo telefone 3174-0452, ou no formulário online, disponível no site da Prefeitura, clicando no link “Notificar é cuidar” (http://sistemasweb.cambe.pr.gov.br:8080/NotificaViolencia/form_notificacao/). Desde a criação do Creas em Cambé, em 2009, foram registrados 609 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes na cidade. A maior parte delas – 72% – ocorreu dentro da própria família.

Escuta Especializada

De acordo com a secretária de Assistência Social de Cambé, Lucilene Diório, a Escuta Especializada é uma forma de poupar a criança ou adolescente de ter que ficar relembrando várias vezes o abuso e passar pelo constrangimento de ficar contando a história para várias pessoas. “O objetivo é que o sistema de proteção não seja mais um violador. Um profissional apenas ouve essa criança e dá continuidade no atendimento junto aos outros órgãos”, explica.

Apadrinhamento afetivo

No caso do Apadrinhamento Afetivo, padrinhos e madrinhas oferecem momentos de carinho, acolhimento, lazer e diversão às crianças que ainda estão inseridas no ambiente familiar. “Em meio ao processo que envolve casos de violência, mantemos as crianças no convívio de padrinhos e madrinhas para realizarem atividades sociais, como um passeio de final de semana, que vão ajudar no tratamento dessas vítimas”, explica Diório.

Família acolhedora

No caso da família acolhedora, a criança fica sob os cuidados de uma família por um período pré-determinado, até que a situação na família de origem seja resolvida. “É parecido com uma adoção, pois a família é responsável pela criança tanto nos cuidados como nos gastos, mas tem um prazo estabelecido. Nosso objetivo não é tirar a criança do convívio familiar, mas sim resolver a situação para que ela volte em segurança para a casa”, reforçou Diório, lembrando que as famílias acolhedoras passam por uma capacitação para receber as crianças.

Conforme a psicóloga e diretora de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social de Cambé, Flavia Iwakura, as crianças vítimas de violência sexual podem sofrer consequências, que vão influenciar em seu comportamento para o resto da vida. Por isso a importância de um trabalho forte e contínuo para a promoção da recuperação psicossocial delas. “Quando a criança ou o adolescente sofrem violência, o desenvolvimento sexual natural é rompido. Se não tratado, essa vítima pode se tornar outro abusador no futuro ou então pode ter problemas sexuais para o resto da vida”, pontuou. “Por isso, é preciso denunciar. Quem tem conhecimento de abusos e não denuncia também violenta”, completou.

Para celebrar a criação do pacote de proteção e também o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a Secretaria de Assistência Social promove até o dia 21 um Museu de Rua no Calçadão com ações ligadas ao tema.

NCPMC

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