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De gosto adocicado e longe de ser ardida, a pimenta doce ou americana faz sucesso na cidade localizada no Norte do Estado. Tanto que a receita da iguaria, frita, cortada em rodelas e servida com pouco sal, corre de boca em boca no município, o maior produtor do Paraná.

Parece um pimentão verde, mas é, na verdade, uma pimenta que, digamos assim, não é bem uma pimenta. De gosto adocicado e longe de ser ardida, a pimenta doce ou americana faz sucesso em Primeiro de Maio. Tanto que a receita da iguaria frita, cortada em rodelas e servida com pouco sal, corre de boca em boca entre as pequenas quadras do município.

É, ao lado da inauguração do resort do Hard Rock Café, prevista para ocorrer ainda neste ano, o grande cartão de visitas da cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, próxima à Londrina, na Região Norte.

Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontam que o município produziu 700 toneladas de pimenta doce no ano passado, com valor bruto de produção (VPB) de R$ 2,5 milhões. São 20 hectares dedicados à cultura, responsável por 1% de tudo o que Primeiro de Maio tirou da terra em 2020. É quem lidera a produção paranaense.

Espaço maior, inclusive, ao destinado ao “primo famoso”. O pimentão ocupa 15,2 hectares e rende VPB de R$ 936,6 mil, em uma produção de 549 toneladas.

“A cidade é muito forte nas orelículas em geral, produz berinjela, vagem, abobrinha, jiló… Mas o destaque é a pimenta doce mesmo. É algo muito forte, que ajuda as famílias na composição de renda e gera a necessidade de contratação de mão de obra na época da colheita”, afirma o extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-PR) na região, Juvaldir Olímpio.

“Ela pode ser consumida frita, no molho da carne e na salada. Ou ainda em conserva, como geleia ou recheada. A pimenta doce é a marca de Primeiro de Maio”, acrescenta Olímpio.

Boa parte dessa pimenta que faz a fama da cidade vem da propriedade do agricultor Ivandir Resende da Costa. Ele tem mais de 20 de história com o vegetal, que demora cerca de 90 dias para ser colhido após a plantação. As caixas com 13 quilos que comercializa três vezes por semana na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa) de Londrina ajudaram a criar os dois filhos e a diversificar a produção da pequena propriedade familiar.

“Mas os filhos estudaram e saíram fora, não quiseram mais saber de passar o dia debaixo do sol, com a enxada na mão. Deixaram tudo para o velho aqui. Ficou eu, a mulher e dois funcionários”, conta, rindo das voltas que o mundo deu no clã. “O pessoal da ‘cidade’ adora essa pimenta, é muito procurada”, emenda.

Especialista, ele enfileira uma série de características que causam estranhamento e confusão nas pessoas. A cor verde, forte e brilhante, além do formato muito parecido com um pequeno pimentão, diz o agricultor, fazem com que as pessoas confundam os vegetais. O sabor e o aroma, porém, logo desfazem a interrogação. E transformam a pimenta doce em uma estrela na cozinha, acrescentando originalidade a diferentes pratos. 

Saúde

Assim como outros tipos de pimenta, a doce carrega benefícios para a saúde da população. O principal, indicam especialistas, é a ação oxidante resultante de um composto muito presente nas pimentas, a capsaicina. Já a luteína, encontrada nas pimentas de cor verde, é excelente para a saúde geral dos olhos.

Os ácidos ferúlico e sinapínico, também encontrados nesta pimenta, são ótimos oxidantes que auxiliam na prevenção de doenças que afetam o sistema nervoso, além de possuírem ações anti-inflamatórias e de combate a tumores.

Qualidades e características que fazem com que a população local sonhe em ver os dois cartões-postais de Primeiro de Maio reunidos, com a pimenta doce compondo e adornando diferentes pratos que podem ser servidos aos turistas hospedados no Hard Rock Café. “Aí ninguém mais segura”, diz Olímpio.

São 20 hectares dedicados à cultura, responsável por 1% de tudo o que Primeiro de Maio tirou da terra em 2020. Foto: José Fernando Ogura/AEN

Série

A pimenta doce ou americana de Primeiro de Maio faz parte da série de reportagens “Paraná que alimenta o mundo”, desenvolvida pela Agência Estadual de Notícias (AEN). O material mostra o potencial do agronegócio paranaense. Os textos são publicados sempre às segundas-feiras. A previsão é que as reportagens se estendam durante todo o ano de 2021.

AEN

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