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Canei, aqui vai nossa singela homenagem

Textos como este aqui que você começou a ler são tão duros que simplesmente não merecem ser redigidos de acordo com os padrões regulares – e por vezes frios – que o jornalismo nos impõe.

Para início de conversa, ele é escrito em uma sala de parede e meia com o espaço onde ficava um dos meus colegas de trabalho na Prefeitura de Tamarana. Ali ao lado, a menos de três passos, estava Claudiney Alcântara de Oliveira, o Canei. Então, padrões, me desculpem, mas dessa vez vou relevá-los.

Porém, embora abalado pelos fatos das últimas horas, não posso dar início nestas linhas sem antes transmitir uma pontinha do bê-a-bá do Canei para quem nos lê de fora.

Porque, dos seus 57 anos de idade, quase 23 deles foram construídos dentro da Prefeitura de Tamarana, onde atuava desde novembro de 1997 como fiscal de tributos. Era um dos servidores mais antigos de casa. Quando começou por aqui, o município de Tamarana ainda engatinhava. E isso não é pouca coisa.

Herdou dos pais, João Baptista de Oliveira e Ilone de Alcântara e Oliveira, as habilidades musicais. Exímio sanfoneiro, tocava esse e tantos outros instrumentos com uma maestria ímpar.

Só que vidas não podem ser resumidas a dois ou três parágrafos. Assim, talvez o silêncio de textos curtos explique melhor o vazio e o nó na garganta que rondam o prédio da prefeitura nesta triste terça-feira (01/09).

Ali na porta de entrada, o recado é simples. LUTO, em letras garrafais. E talvez seja mais completo do que esta tentativa de transmitir uma merecida mensagem de alento à família. Porque estou desde de manhã na frente dessa tela e algo me diz que, hoje, enchê-la de palavras não será suficiente.

Protocolarmente, então, encerro informando que, hospitalizado desde o último dia oito após ter contraído Covid-19, Claudiney Alcântara de Oliveira perdeu a vida na noite da segunda-feira (31). Ele tinha um quadro de diabetes e hipertensão.

Suas histórias, seu legado e seu bons atos em vida agora ficam como herança à esposa Ledina (também servidora: é educadora na rede municipal de ensino), ao filho Thiago, à filha Mariely, ao genro João Vitor, à nora Danieli, aos netos Diogo e Lara, aos três irmãos, aos demais familiares e a todos os tamaranenses que se alegraram com o tocar de sua sanfona.

Bom descanso, Canei.

Com carinho,

Do vizinho de parede Lucas e de toda a equipe da Prefeitura de Tamarana

P.S. 1: Canei foi enterrado junto ao pai, João Baptista de Oliveira, na tarde da terça-feira (1º), no Cemitério Municipal José Bolotari. Assim como seo João, o falecimento do nosso servidor motivou um decreto de luto oficial de três dias no município, publicado no Jornal Oficial sob o número 126/2020.

Lucas Marcondes Araújo/NCPMT

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