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Atriz, escritora e bailarina gaúcha, a multiartista compila sua pluralidade criativa em 10 faixas que passeiam por canções autorais e novos olhares para músicas atemporais

 “Sem medo e sem receio de mostrar nenhuma parte minha. ‘Alma Nua’ nasceu assim, numa enxurrada”. É desta forma que a cantora e compositora Ana Carol define a criação da música que intitula o seu disco de estreia. Com produção de Moogie Canazio, nome por trás de lançamentos de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Sandy & Junior e João Gilberto, o trabalho chega hoje, 9 de fevereiro, nas plataformas de streaming (ouça aqui).
O fluxo de criatividade destacado por Ana foi decisivo não apenas para dar nome ao seu primeiro álbum, também para que ela se descobrisse como compositora. “Foi a primeira música que compus. Tenho uma certa noção de vários instrumentos, mas como não toco nenhum efetivamente, pensava que não iria conseguir criar algo”, conta antes de destacar o encorajamento dado por Moogie quando se encontraram em Los Angeles, cidade onde o disco foi gravado, no estúdio East West Studios. 
Também autoral, “Janela” (assista aqui) saiu como primeiro single e chamou atenção assim que chegou ao mundo. Surgida em meio a trivialidade de uma visita imobiliária, a letra nasceu pelo verso “Toda janela convida pra viver” e se desenvolveu no instante em que Ana Carol ouviu a melodia criada por André Moraes - cineasta, músico e compositor já indicado ao Grammy Latino. Nome por trás da aclamada trilha musical de Lisbela e o Prisioneiro (2003), André, também marido da cantora, foi o encarregado por criar a pluralidade dos arranjos que embalam as dez faixas do disco. A parceria profissional e pessoal, inclusive, foi um dos pontos fundamentais para construir o álbum de maneira a ser “conduzido pelo afeto e costurado pelo amor”. Além dos arranjos de André, os dois filhos da cantora também participaram, cada um à sua forma. “Estávamos todos juntos ali, eu grávida de Antonio durante as gravações e Francisco, meu filho mais velho, no chocalho de ‘Janela’, backing vocal de ‘Mas Que Nada’”, lembra. 

Complementando as criações autorais, o equilíbrio para encontrar a dose certa de originalidade também é um elemento presente em Alma Nua. E os artistas homenageados por Ana Carol em suas versões se entrelaçam a símbolos de suas vivências. “Modinha”, por exemplo, representa a influência de Tom Jobim e Vinícius de Moraes - o último, dono de obras responsáveis por instigar Ana a começar a escrever poesias, aos onze anos de idade. Enquanto isso, “Feira de Mangaio”, originalmente conhecida na voz de Clara Nunes, aproxima a figura do pai da cantora, personalidade determinante para a filha despertar os seus ouvidos para uma percepção musical mais perspicaz. “Tive uma enciclopédia musical na minha casa desde muito pequeninha. Eu queria muito fazer essa homenagem pro meu pai e para uma das mulheres que me inspiraram a começar a cantar”, conta. 
“O Tempo Não Para”, de Cazuza, é outro clássico brasileiro que chamou a atenção do olhar de Ana, que também é atriz, escritora e bailarina. “É uma música que fala muito do que eu tenho vontade de dizer no momento político atual”, declara. A aversão aos rumos políticos do país ainda impulsionou a escolha de criar o seu próprio registro sonoro e visual para a música “Bicho Burro” (assista aqui), da banda Dônica - lançada originalmente em 2015, mas pertinente à presente conjuntura governamental segundo a multiartista. “Me alivia poder cantar e colocar para fora um pouco de tudo que me engasga”, confessa. 
Alma Nua ainda resgata “Balada do Louco”, interpretada por Ney Matogrosso e escrita por Rita Lee, para trazer a admiração da artista pelos ícones e fontes para sua inspiração. A mais antiga, “Felicidade”, do compositor conterrâneo da cantora Lupicínio Rodrigues, e “Amiúde”, de Roberta Campos, complementam a pluralidade sonora que reflete a essência de Ana Carol.    
Além do frescor da voz da cantora e da experiência de Moogie, o trabalho de estreia de Ana Carol conta ainda com um grande “elenco”. Os instrumentistas envolvidos no projeto trazem vivências expressivas. Mika Mukti (teclado, piano e escaleta), Rafael Padilla (percussão), Stuart Hamm (baixo em “Bicho Burro”), Vini Junqueira (Baixo), Henrique Petters (piano e teclados), Carlitos del Puerto (Baixo em ‘Mas Que Nada’), Cheche Alara (Hammond em “Mas Que Nada”) e Gary Novak (bateria em “Mas Que Nada), por exemplo, já trabalharam ao lado de nomes como Lady Gaga, Christina Aguilera, Whitney Houston, Shakira, Bruce Springsteen, Alanis Morissette, Joe Satriani, Os Mutantes, Sérgio Mendes e Carlinhos Brown.  

Ouça Alma Nua aqui

Carol Pascoal/Asimp

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