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Sociólogos e filósofos fazem análise sobre como as pessoas enxergam o isolamento

Em uma edição histórica, o programa Big Brother Brasil completa 20 anos e também marca recordes mundiais. Em março, uma das fases eliminatórias, o famoso “paredão”, alcançou 1,5  bilhão  de votos, o que equivale a cinco vezes a população brasileira.

Afinal, qual o segredo para esse sucesso? Há quem diga que está na seleção dos participantes – metade são influenciadores nas redes sociais e metade são pessoas comuns. Mas há quem defenda que, na verdade, a receita não é nova, já que traz uma boa dose de realidade entre os cômodos vigiados, e também uma parcela de fuga da realidade e entretenimento. Para o filósofo Alailson de Oliveira, do Colégio Marista Santa Maria, os dois elementos combinados asseguram o sucesso do programa. “Apesar de ser um jogo, um programa em que todos sabem que são vigiados, o que representa uma fuga da realidade, ali também se vê opiniões e posições que são reais. Isso gera identificações e reflete a nossa realidade de certa forma”, esclarece.

A socióloga Marcia de Oliveira reforça essa ideia ao afirmar que a casa representa muito do que é a realidade da vigilância assistida. “Está cada vez mais aceito o vigiar, o assistir. Se o público quiser, consegue observar os participantes da casa durante 24 horas por pay per view, por exemplo. É o que se faz nas redes sociais também”, explica.

Marcia comenta também que o programa é um bom exemplo do que fala o autor Zygmunt Bauman, em sua obra “Sociedade Líquida”. “Vivemos em uma era das relações líquidas, não perenes, em uma sociedade que rapidamente transforma alguém em celebridade, mas que a esquece com a mesma facilidade. Ao mesmo tempo em que isso é entretenimento, é também a nossa realidade”.

Outro fator importante para a grande adesão dos brasileiros a um modelo que já poderia estar repetitivo, é a conexão com os participantes. A professora de interioridades do Colégio Marista de Brasília, Kelly Maia, explica que o programa é composto pelo confinamento de pessoas de diferentes origens, crenças e valores. “O público estabelece uma relação afetiva com os personagens que elege dentro da casa. Esse vínculo faz com que os telespectadores apoiem, votem, torçam e debatam os temas defendidos lá dentro”.

“Somos curiosos por natureza. Gostamos de espiar e como vivemos em meio a padrões sociais, nos espelhamos nos outros para organizar nossas condutas”, analisa Marcia, que conclui: “ter a possibilidade de decisão sobre o destino do outro, é muito empoderador. E no fim das contas, resolver o problema alheio, decidir questões do outro é sempre mais fácil do que as nossas próprias, muito do sucesso do programa pode estar aí”, conclui.

O debate completo dos especialistas pode ser visto no canal do YouTube do Colégio Marista, na série Papo Cabeça. Sempre às quartas-feiras um episódio novo vai ao para analisar questões atuais da nossa sociedade, do ponto de vista de especialistas da área. Confira: https://www.youtube.com/channel/UCWRf9sfqdy5SBdLSgGkm2rg

Asimp/Rede Marista de Colégios

#JornalUnião

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