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Coluna Social 30/10/2014  11h00

Funcart estreia peça sobre os mistérios da Londrina antiga

Espetáculo “Se essa rua fosse minha”, da Escola Municipal de Teatro, resgata lendas de terror da Londrina dos anos 70

Conta-se que, há muito tempo, uma menina odiada pela madrasta foi morta e enterrada por ela ao pé de uma árvore num gramado de Londrina. Desde então, quem passava por ali ouvia a voz infantil cantarolando o lullaby: “nessa rua, nessa rua tem um bosque / Que se chama, que se chama solidão / Dentro dele, dentro dele mora um anjo / Que roubou, que roubou meu coração”. Mas apenas um menino conseguia ver o fantasma. Esta e outras lendas urbanas, já quase esquecidas nos dias de hoje, compõem o espetáculo “Se essa rua fosse minha”, em cartaz no Circo Funcart a partir deste sábado e domingo, 1 e 2 de novembro, às 21 horas. A temporada prossegue nos dias 7, 8 e 9, no mesmo horário. Os ingressos, a R$ 20 e R$ 10 (meia), já podem ser adquiridos na Funcart. Informações pelo telefone (43) 3342-2362.

A montagem da Escola Municipal de Teatro mergulha no universo mítico da Londrina da década de 1970, quando estes causos horripilantes andavam de boca em boca e provocavam medo não só em quem morava por aqui, mas também nos migrantes que passavam pela cidade. “Eu lembro que minha família chegou aqui nesta época e a gente ouvia as lendas. Viemos de Maracaí (SP), uma cidade completamente católica, e Londrina já era conhecida como um lugar que tinha muitos crentes e pessoas de outras religiões”, lembra Silvio Ribeiro, coordenador da EMT e dramaturgo da peça.

“Se essa rua fosse minha” foi concebido com base em suas recordações de juventude, mas também em pesquisas sobre a religiosidade e os causos londrinenses. Os personagens habitam um bairro imaginário. Dentre eles, uma benzedeira, duas irmãs evangélicas, uma zeladora de capela que decora os andores e prepara a missa – homenagem à avó de Silvio, que contava as histórias de terror como ninguém. O personagem do menino que vê o fantasma da criança enterrada ao pé da árvore personifica o próprio dramaturgo, quando criança.

Mas as narrativas fantásticas não causam só medo. Lidas através das gerações, os causos aparecem no espetáculo com um tom de humor. Assim é, por exemplo, a antiga lenda da grávida que tem desejo por fígado; seu marido rouba um pedaço do órgão de um defunto e o morto volta para assombrar a família. Ou a história da mulher que vai buscar conselhos em uma benzedeira e acaba tomada pela Pomba Gira.

Carol Ribeiro assina a direção do espetáculo, que fecha os dois anos de formação de 12 alunos da Escola Municipal de Teatro, com idades entre 14 e 60 anos. Segundo ela, trabalhar com um grupo tão eclético é um desafio que rende resultados satisfatórios. “Percebemos que muitas dessas histórias se perderam num mundo de tanta informação e tecnologia, mas é impressionante como os atores, quando motivados, passam a se interessar pelo universo da oralidade. O espetáculo traz uma formação humanística, faz com que eles tenham outra visão sobre a cidade e o tempo passado”, destaca.

Sob a coordenação do dramaturgo e da diretora, o grupo trabalhou por quase oito meses em pesquisas documentais, exercícios em sala e ensaios – processo que contribuiu tanto para a construção do texto quanto para a encenação.  Um bom exemplo é o figurino, também assinado por Carol. Ele nasceu de uma investigação em álbuns de família da década de 1970. “As cores, formas e tecidos não foram baseados em conceitos clássicos da moda da época, mas no próprio cotidiano das pessoas retratadas nos álbuns”, explica a diretora.

Ficha Técnica:

Texto: Silvio Ribeiro

Direção: Ana Carolina Ribeiro

Direção de Produção: Fernanda Fernandes

Figurino: Ana Carolina Ribeiro

Equipe Técnica: Roberto Rosa e Romildo Ramalho

Assessoria de Imprensa: Renato Forin Jr.

Elenco (alunos formandos da EMT/Funcart – Vespertino 2014): Ana Lopes, Cezar Scalli, Debbie Lee, Iolanda de Melo, Jefferson Maciel, João Mosso, Luana Toyoshi, Marina Madi, Maurício Vieira, Nelson Moraes, Otávio Pelisson e Veridiana Pinheiro

Clique nas fotos para ampliar

Elenco da EMT leva à cena causos de mistério de uma Londrina antiga. FOTOS: Carol Ribeiro
Elenco da EMT leva à cena causos de mistério de uma Londrina antiga. FOTOS: Carol Ribeiro
Elenco da EMT leva à cena causos de mistério de uma Londrina antiga. FOTOS: Carol Ribeiro

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