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Espetáculo "Las Cuatro Esquinas", da Cia de Flamenco Del Puerto (RS
 
Em sua 11ª edição, evento traz a Londrina o diretor Eugenio Barba e a atriz Julia Varley. Programação inclui espetáculos de três países e importantes nomes da cena nacional, como a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil
 
Renato Forin Jr./Asimp/ Festival de Dança de Londrina

De 4 a 13 de outubro, uma edição emblemática do Festival de Dança de Londrina movimenta a cidade. A proposta da organização é consolidar duas características do evento: a diversidade da programação, com espetáculos que valorizam o diálogo entre as artes a partir da dança, e a intensa grade de atividades formativas.
 
Para 2013, estão previstas cerca de 20 atrações entre montagens de palco e de rua, cursos, oficinas e mesas de debate. A grande surpresa é a presença do consagrado Odin Teatret (Dinamarca), além de companhias de Portugal e da França. O Festival também oferece um panorama da produção brasileira, com a participação de coreógrafos e grupos de vários estados.

“Nosso critério é, sobretudo, a qualidade das montagens e o potencial das obras de despertarem reflexões no público. Apesar das limitações financeiras e de espaço, procuramos fazer do Festival um período vigoroso de transformações, de efervescência estética, de trocas”, explica Danieli Pereira, coordenadora geral do evento.

Em mais um ano sem o Teatro Ouro Verde, a maior parte das apresentações acontece no Circo Funcart. Além deste palco, situado na Rua Senador Souza Naves, às margens do Lago Igapó, a organização também ocupará espaços abertos como o calçadão e o Anfiteatro do Zerão. “Temos dificuldades para trazer grandes companhias em razão das exigências técnicas e do número de bailarinos. A linguagem da dança, por estas características, sofre especialmente com a ausência de dispositivos cênicos adequados na cidade”, explica a coordenadora, reiterando a urgência de reconstrução do Ouro Verde.

Espetáculos internacionais
 
Prestes a completar meio século de uma trajetória revolucionária, o grupo dinamarquês Odin Teatret será um dos pontos altos do evento com o espetáculo “Ave Maria”, solo de Julia Varley dirigido por Eugenio Barba, e com a master class “Pensar por Ações”, atividade conduzida pela atriz e pelo diretor.

“Vai ser um momento luminoso para o Festival. A prática e a teoria desenvolvidas pelo Odin são bases fundamentais para se pensar a presença de bailarinos e atores em cena e para o rompimento das barreiras entre as artes”, explica Danieli Pereira. A esse propósito, Eugenio Barba destaca que "a distinção rígida entre o teatro e a dança, característica da nossa cultura, revela uma profunda ferida, um vazio na tradição que continuamente ocasiona o risco da atrair o ator para o silêncio do corpo e o bailarino para o virtuosismo”.

São preceitos da chamada Antropologia Teatral, linha desenvolvida por Barba e pelo Odin desde a fundação do grupo, em 1964. O diretor, que possui 21 livros publicados e traduzidos, percorreu as mais variadas culturas do globo investigando diferentes comportamentos do homem em estado de representação.

Durante o Festival, a master class (prevista para o dia 9 de outubro) será a oportunidade de estudantes e profissionais ligados às artes cênicas partilharem desta tradição e experimentarem um pouco do treinamento do Odin. No dia seguinte (10), Julia Varley apresenta “Ave Maria”, espetáculo de singular delicadeza sobre o sentimento de solidão na hora da morte. A montagem estreada em 2012 é uma espécie de cerimônia em homenagem à atriz chilena María Cánepa, amiga de Varley que, segundo o material de divulgação, “soube deixar um rastro após sua partida”.

Outras duas atrações internacionais compõem a programação do Festival 2013. De Portugal, o grupo Dancenema explora as relações com o circo e com as artes plásticas em “Azul Infinito” - montagem de dança aérea em que três bailarinas, com os corpos pintados, mergulham nas sensações e simbologias desta cor. Já a companhia francesa À Fleur de Peau, dos coreógrafos Denise Namura (Brasil) & Michael Bugdahn (Alemanha), retrata com movimentos precisos e poéticos as relações cotidianas de um casal em “Un ange passe-passe ou entre les lignes il y a un monde”.

Espetáculos nacionais
 
Da cena brasileira, o Festival traz a Londrina montagens que passam por linhas clássicas, contemporâneas e tradicionais. A curadoria, igualmente, buscou obras que investissem nas interfaces artísticas. A Compassos Cia. De Danças, de Recife (PE), baseia-se na dramaturgia de Hermilo Borba Filho para conceber “Sobre um Paroquiano”. Com forte teor teatral, o grupo desenvolve a chamada “dança do cotidiano” para narrar os conflitos de uma família burguesa decadente.
 
Foram selecionados dois grupos de Porto Alegre (RS): a GEDA Cia de Dança e a Cia de Flamenco Del Puerto. A primeira apresenta “Não me toque, estou cheia de lágrimas – Sensações de Clarice Lispector”, com coreografia inspirada na vida e obra da escritora. A segunda participa do Festival com “Las Cuatro Esquinas”, montagem com música ao vivo e elaborada a partir de referências da dança espanhola.

Dentro da programação 2013, a linguagem do clássico terá um incensado representante: a Escola do Bolshoi Brasil, que reúne em Joinville (SC) um celeiro de talentos da dança. Bailarinos de grande rigor técnico, integrantes do Bolshoi, apresentarão números de balé de repertório no Anfiteatro do Zerão no encerramento do Festival 2013 (13 de outubro). A intenção é repetir o sucesso da “Noite de Clássicos” realizada em 2012, que levou para aquele espaço um publico estimado em 5 mil pessoas.

Também no Zerão, o Ballet de Londrina comemora seus 20 anos de existência e o centenário de “A Sagração da Primavera” com uma apresentação especial da coreografia de Leonardo Ramos para a partitura de Igor Stravinsky. A companhia profissional da cidade já levou “A Sagração da Primavera” a vários estados do Brasil e a Lima, no Peru, com elogios de público e crítica. Dentre as atrações locais, também estão “Túnel do Tempo”, do Ballezinho de Londrina (grupo jovem da Funcart), e as divertidas confusões de “O Exército Contra Nada”, clown que anima o dia da criança (12 de outubro).

A bilheteria do Festival funcionará na secretaria da Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380) e na Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 - loja 3). A venda de ingressos começa na última semana de setembro em data a ser anunciada no site oficial (www.festivaldedancadelondrina.art.br).
 
Cursos e oficinas
 
Paralelamente à grade de espetáculos, o Festival oferece a estudantes e profissionais das artes cênicas uma variada gama de atividades formativas. Elas propiciam o aperfeiçoamento de dançarinos, atores e performers, além de fomentar reflexões e intercâmbios com artistas do Brasil e do exterior.
 
Em 2013, estão programadas pelo menos sete atividades: oficina de Balé Clássico, com Tindaro Silvano (MG); oficina de Dança Contemporânea, com Mário Nascimento (MG); oficina de Danças Brasileiras, com Elisio Pitta (BA); oficina de Dança de Rua, com Alexandre Snoop (SP); oficina de Dança Flamenca, com a Cia Del Puerto (RS); oficina de Dança Aérea, com a Cia. Dancenema (Portugal), e a master class “Pensar por Ações”, com Eugenio Barba e Julia Varley, do Odin Teatret (Dinamarca). Esta última atividade também será aberta a ouvintes.
 
As regras e valores para inscrições nas atividades formativas do Festival de Dança 2013 estarão disponíveis no site oficial a partir do dia 23 de setembro.
 

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