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"Criei o Brazil Open de Taekwondo. Muitas pessoas até tiravam sarro de mim, pois falavam que esse modelo de campeonato só existia na Europa e que não iria funcionar no Brasil."

   Em entrevista exclusiva ao Jornal União, o mestre Fernando Madureira contou um pouco de sua história vitoriosa no esporte, mais especificamente no Taekwondo. Atualmente, Fernando é empresário, mestre faixa preta 6 Dan e Técnico da Seleção Brasileira de Taekwondo desde 2005. Madureira nasceu no dia 24 de novembro de 1969 e desde pequeno tem uma paixão pelas artes marciais. “Quando eu era criança existiam muitos filmes de lutas, e eu queria de alguma forma aprender uma arte marcial. A princípio fiz judô na UEL, mas como era muito magro, eu acabava me machucando muito e isso me fez deixar o judô”.

   Fernando perdeu sua mãe com apenas 9 anos de idade, e essa situação mudou completamente a sua vida.

 “Depois do falecimento da minha mãe, fui morar com uma tia e meu primo treinava Taekwondo e um dia me levou na academia. Quando eu vi o pessoal lutando e usando muitos as pernas, sem cair no tatame, eu encontrei o que queria. E de lá para cá, nunca mais deixei o esporte”.

   Precisando de dinheiro, Fernando teve que abandonar seus treinamentos para trabalhar. “Tive que parar de treinar por 2 anos. Com 13 anos, eu precisava trabalhar para conseguir algum dinheiro para me sustentar, já que morava longe do meu pai e minha mãe havia falecido há pouco tempo. Mas logo em seguida voltei definitivamente e depois de muito esforço peguei a faixa preta em 1989”.

  Fernando conta que não gostava muito de ser professor e que seu objetivo era lutar, mas como precisava de dinheiro, viu no Taekwondo uma oportunidade de trabalho. “Depois que entrei na Universidade, precisava de dinheiro para me sustentar, e minha irmã conseguiu um emprego na ACEL (Associação Cultural e Esportiva de Londrina) como professor. A princípio eu não gostava muito, mas com o passar do tempo eu fui pegando gosto em ensinar”.

  Madureira continuava lutando e dando aulas. Depois da ACEL, ele passou a ensinar no Londrina Country Club em 1995, quando recebeu o convite de Benedito Grizzo. “Eu gostaria de ressaltar a importância que o Doutor Benedito Grizzo teve na minha vida. Quando entrei no Country, ele foi o meu grande incentivador no esporte”. Com a vida intensa de atleta e professor, Madureira sofreu com lesões no joelho o que impedia o seu treinamento. Passou por algumas cirurgias e, mesmo parado sem treinar, ficou com a cabeça no Taekwondo.  

“Quando fiquei um ano parado em função da cirurgia no joelho, vi que não podia ficar sem fazer nada e precisava desenvolver mais alguma coisa pelo esporte. Foi então que criei uma Clínica Nacional de Taekwondo, já que era acadêmico e me despertei para o mundo cientifico. Na Clínica, eu trouxe grandes nomes do esporte e ela ficou em funcionamento por três anos”.

  Em 1996 as oportunidades se abrem para atuar como técnico, e neste momento se reinventa e idealiza o Brazil Open de Taekwondo Championship, um dos maiores eventos de Taekwondo das américas. “No período que fiquei parado, fiz questão de continuar próximo do Taekwondo. Foi então que criei o Brazil Open de Taekwondo. Muitas pessoas até tiravam sarro de mim, pois falavam que esse modelo de campeonato só existia na Europa e que não iria funcionar no Brasil. E hoje o evento é um dos maiores da América do Sul e quase não se faz mais em Londrina, porque muitas cidades querem comprar o direito de sediar o evento”.

  Devido ao crescimento do Taekwondo no Country e mudanças de estrutura no Clube, quem não era sócio não poderia mais frequentar as aulas de Taekwondo, Madureira decidiu abrir sua própria academia e deixar a sua carreira de atleta para se dedicar somente ao ensino do Taekwondo. “Em 1999 tive que sair do Country, pois o clube não aceitava mais alunos que não eram sócios. E como não poderia abandonar os meus alunos e a minha vontade em ensinar, decidi inaugurar a Academia na JK número 300 com Taekwondo e Musculação. E por lá eu era tudo: faxineiro, atendente, professor de musculação e de Taekwondo”.

  Nos primeiros anos, Fernando contava com apenas um professor que o auxiliava. Beto Rocha ajudava em todas as funções na academia. “O Beto me ajudou muito no começo de tudo. Quando eu estava no Taekwondo ele me cobria na musculação e vice-versa, e até marmita a gente dividia no fundo da academia”. Depois de muita dedicação ao esporte, Madureira recebeu, em 2005, um dos maiores convites de sua vida: o de ser Técnico da Seleção Brasileira Adulta. Antes, de 2000 até 2004, foi técnico das seleções de base. Como técnico ganhou vários títulos, entre eles o Ouro com Diogo Silva no Pan Americano do Rio de Janeiro em 2007, e o maior de todos os títulos: a conquista da primeira medalha olímpica da história do Taekwondo, o bronze da atleta Natalia Falavigna em 2008, em Pequim. Além de Pequim, Fernando também participou das Olimpíadas de Londres 2012.  

  Hoje, Madureira é empresário, técnico, professor, ministra palestras em todo o Brasil, e é criador da Casa dos Atletas do Taekwondo, além de inúmeros projetos esportivos e sociais. Formou-se mestre de Taekwondo na Coréia do Sul, trouxe o método baby Taekwondo para o Brasil, modificando o sistema utilizado nas aulas de crianças, com metodologia diferenciada para cada faixa etária. Este sistema vem sendo aperfeiçoado a cada ano, tendo formado mais de 200 faixas pretas e 10 mestres de Taekwondo. 
Possui além da Academia de Musculação, um Centro de Treinamento de Taekwondo que é referência no mundo todo, visto que várias delegações já passaram por lá para treinar.

  Madureira também administra projetos sociais. Hoje são mais de 30 polos sociais na cidade de Londrina.

 “Esses projetos sociais me animam muito, é um trabalho feito muitas vezes com pessoas que ninguém acredita, e lá nós acreditamos em todos. Já formei vários atletas, inclusive professores nas academias. Muitos ex-alunos desses projetos não se tornaram atletas, mas se tornaram grandes pessoas. Saber que você ajudou uma pessoa que não tinha condições a se tornar alguém na vida vale muito, é praticamente uma medalha”. 

  Para encerrar, Madureira não esquece de sua equipe. “Eu conquistei tudo isso com a ajuda de algumas pessoas muito importantes. A primeira pessoa que me dá um suporte imenso é minha esposa Liana Rocha, que apesar de não ser atleta, tem o espírito de vencedora e está sempre ao meu lado. Outros que gostaria de lembrar também: Thiago Alfredo, que foi nosso preparador físico durante muito tempo, Flávio Alves, Diogo Freire e o professor Anderson, que juntos hoje são meu braço direito.”

RIO 2016

  Fernando analisou a situação da seleção para as Olimpíadas RIO 2016. “Eu vejo hoje que o Taekwondo mundial está bem nivelado, e mesmo com a queda no investimento, temos atletas de alto nível e acredito que podemos conquistar medalhas nas Olimpíadas do Rio”. Ele espera também ser chamado para conduzir a tocha em Londrina. “Para mim será praticamente uma medalha no peito poder carregar a tocha em Londrina. Será um sonho realizado”.

Redação/J.U - Henrrique Reis

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