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Londrina é o berço e sede pelo 34º ano da Mostra Afro Brasileira Palmares, um evento artístico e cultural continuado e único na America Latina. Este grande evento brasileiro, sem dúvida é uma das maiores manifestações das artes na temática afro. A mostra, entre 10 de novembro a 4 de dezembro, ocorre em diversos locais e será centralizada no Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamim Constant, 900, ao lado do Terminal Urbano).

As atividades, em comemoração ao 20 de Novembro e Mês da Consciência Negra, é feito de ações que reúnem diversos setores, tanto da sociedade civil, organizações do Movimento Social Negro, quanto do institucional, na perspectiva do fortalecimento da luta de combate ao preconceito, discriminação racial e racismo. Pode-se afirmar a existência de um movimento pela construção de uma rede articulada de ações voltadas para o trabalho com a questão racial em Londrina. Os resultados desse trabalho em parceria tem apontado caminhos e possibilidades de condução de uma luta antirracista para o enfrentamento ao racismo.

Este ano a mostra traz diversos talentos, como o artista plástico Elifas Andreato, que desenhou capas de discos; a jovem Alice Steffan Retkva de apenas 8 anos; os alunos do ILECE (Instituto Londrinense de Educação para Crianças Especiais) e; o Coletivo Capstyle, formado por dez artistas que entre as atividades, farão grafite no Terminal Urbano (na parede da Rua Benjamin Constant) e no Restaurante Popular de Londrina.

Outra atividade será a Feira Afro Criativa, no Museu Histórico e que consolida a parceria com o Governo do Paraná, que cedeu 25 barracas para o afro empreendedorismo. Na oportunidade haverá feira de livros com autores londrinenses, como Aldo Moraes e Maria Nilza da Silva.

O músico Vagner Nogueira, um dos organizadores da 34ª Mostra Afro Brasileira Palmares Londrina, cita que o evento fortalece o movimento negro, tem valor inestimável e é parte do calendário cultural de Londrina. “Devemos combater a desigualdade racial e há 34 anos a mostra cria esse debate, além de agregar artistas de segmentos variados, como a Alice Steffan Retkva e o Elifas Andreato, ou o festival de grafite e a feira afro empreendedora. Culturalmente para Londrina é algo precioso, serve de referencia ao Brasil, além de espelho para cidades que não tem algo parecido. Outro ponto é que a mostra potencializa a agenda cultural do município devido ter o foco na música, artes plásticas e literatura”, pontua.

O valor histórico e cultural da Mostra Afro Brasileira Palmares

Os Festivais e Mostras de Cultura Negra tornaram-se um marco na Cultura Nacional e contribuem tanto como forma de fortalecimento da luta do negro pelo seu espaço social, quanto pela revelação de novos valores e expressões culturais renovando nomes e estéticas, além de servir como uma ponte para o processo de formação e conscientização do povo brasileiro, mormente no que tange a busca e preservação dos valores éticos e da cidadania. A mostra, desde a sua concepção permeia esses rumos que incluem arte, cultura, educação, preservação da memória negra e cidadania. Criada pelo artista plástico Agenor Evangelista, ela sempre reuniu nomes consolidados e também iniciantes em telas, desenhos, fotografias e esculturas.

 Em 1986, seguindo essa linha de trabalho, buscou apoio junto a organismos públicos, entidades privadas, a comunidade negra, a classe artística, intelectuais, órgãos de imprensa e mídia em geral, formando uma grande parceria para a sua realização. E foi com o sucesso da mostra e sua rede de apoio que foram realizadas mais de 50 shows musicais contando com artistas regionais, nacionais e internacionais, 40 exposições de artes plásticas, 45 oficinas de artes, 14 workshops, 42 palestras, 03 concursos escolares de artes plásticas (contemplando a rede municipal e estadual), 28 oficinas de pintura óleo e grafite, 16 desfiles de moda com roupas afro, 10 oficinas de máscaras africanas, 8 concursos de culinária africana, sendo que várias obras premiadas foram para exposição na Mostra Visitação no Museu do Negro, em São Paulo, além da projeção de artistas locais para o cenário nacional e internacional como Agenor Evangelista, Kátia Borges, José Maria Frutuoso, Bhall Marcos e outros.

Hoje com 34 edições desenvolvidas com sucesso e reconhecimento, fica explicito que a mostra é de grande importância para cultura, não só regional como também nacional, pois ao longo desses anos tem se demonstrado como parte representativa da identidade regional e de abrangência nacional, devido ao vínculo que o evento tem com a cultura afro brasileira e sua influencia em toda cultura americana (notadamente Américas do Sul e Norte).

O que é movimento negro?

           O Movimento Negro, desde o período republicano, vem desenvolvendo diversas estratégias de luta pela inclusão social do negro e superação do racismo na sociedade brasileira, construindo uma trajetória desde o início da República, em 1889. Desde o período republicano, o movimento vem empreendendo, dinamicamente, diversas estratégias de luta a favor da população negra. A partir destas reflexões, pode-se caracterizar movimento social como um “grupo mais ou menos organizado, sob uma liderança determinada ou não; possuindo programas, objetivos ou planos em comum; baseando-se numa mesma doutrina, princípios valorativos ou ideologia; visando um fim específico ou uma mudança social”, mas, nesse cenário, como pode ser definido o movimento negro? O movimento negro é a luta dos negros na perspectiva de resolver seus problemas na sociedade abrangente, em particular os provenientes dos preconceitos e das discriminações raciais, que os marginalizam no mercado de trabalho, no sistema educacional, político, social e cultural. Para o movimento negro, a “raça” e, por conseguinte, a identidade racial, é utilizada não só como elemento de mobilização, mas também de mediação das reivindicações políticas. Em outras palavras, para o movimento negro, a “raça” é o fator determinante de organização dos negros em torno de um projeto comum de ação.

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