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Cultura 07/01/2019  16h17

A vida ensina

Dizem que a melhor escola de uma pessoa é a vida. E realmente é verdade.

Conheço um indivíduo chamado Riobaldo que passou por várias situações na vida e hoje é uma pessoa preparada e por que não dizer, precavida.

Levar um banho de água empoçada próxima à calçada num dia de chuva por um carro em alta velocidade, quem nunca?

Por isso Riobaldo só anda em calçadas onde não há poças por perto e quando avista uma poça e um carro está se aproximando, a tensão toma conta de seu ser e Riobaldo acelera o passo, calcula a distância com a velocidade do carro e compara com a sua velocidade máxima, só assim consegue definir se conseguirá fugir do aguaceiro ou precisará correr desesperado como uma gazela para longe da poça.

Outra coisa que Riobaldo aprendeu com a vida foi a estranha sensação de que o nariz está com uma enorme catota aparecendo. Vai dizer que o amigo leitor nunca disfarçadamente enfiou o dedo no nariz e mexeu para lá e para cá, mas nada da meleca aparecer, fez praticamente um escaneamento com a ponta do indicador e não conseguiu encontrar nada, porém, parecia que todo mundo estava olhando aquela bolota saltando de seu nariz?

Riobaldo não tem mais esse problema porque sempre leva em seu bolso um pequeno espelho, no qual pode verificar se suas narinas estão sujinhas ou tudo não passa apenas de uma chata impressão.

Outra coisa que Riobaldo carrega em seu bolso é um pacotinho de papel higiênico enrolado. E o leitor não adianta corar e dizer que nunca passou por uma situação no mínimo parecida com isso:

Você chega na casa de uma pessoa ao qual não tem tanta liberdade, és apenas uma visita ou acompanha seu amigo numa visita informal e sem mais nem menos aquele Miojo com ovo que comeu no almoço já fez todo trajeto do estomago até o intestino e agora teima em sair de qualquer modo. Casa chique, moveis caros, banheiro azulejado até o teto, pia banhada à ouro, vaso acolchoado, suave cheiro de alfazema no ar.

É até gostoso se aliviar num banheiro desses, só falta uma musiquinha ambiente, talvez Haydn.

Mas aí na hora de pegar o papel higiênico, não tem nada dos lados, não tem bidê, não tem chuveiro. Tudo o que tem é um tapetinho de crochê no chão.

Se não tem tu, vai tu mesmo e o tapetinho tem que ser usado e lavado na pia banhada a ouro. No final não tem outro jeito a não ser jogar o tapetinho no cesto de papel e arrumar uma desculpa para ir embora antes que alguém entre no banheiro e não encontre o tapetinho tricotado pela avozinha da família com tanto carinho.

Pois é. Feliz do Riobaldo que carrega seu papel higiênico no bolso e nunca mais passará por uma situação dessas.

Realmente a vida ensina...

Seja numa poça d’água na rua, numa meleca de nariz imaginária ou numa violenta caganeira.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. Colabora com crônicas para jornais de Jacutinga, Mogi Guaçu - SP e Londrina - PR. Também já escreveu para jornais e Blogs Literários de diversas cidades do Brasil. rodrigojacutinga@hotmail.com

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