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O que pode um corpo? O que pode o corpo trans na arte? Pode uma travesti falar? Todo mundo tem direito? Todo mundo é teatro? O que esconde sua personagem? O que é ser normal? O que é mais frágil: nossas certezas sobre os gêneros e sexualidades ou os corpos que são vulnerabilizados? É possível existir alegria diante de tanta violência transfóbica?

Questões como estas são trazidas na peça “Transtornada Eu”. Em seu trabalho de estreia, a Cia. Translúcidas de Teatro compartilha o resultado das experimentações teatrais realizadas com o grupo, formado em julho de 2016. O Translúcidas é resultado de um processo de oficinas teatrais que foi acompanhado de uma pesquisa de mestrado em psicologia, sob orientação de Wiliam Siqueira Peres, na Unesp de Assis. Este trabalho foi realizado em conjunto com o Coletivo ElityTrans Londrina, grupo formado por travestis e transexuais da cidade. As oficinas tiveram participação de pessoas trans e travestis entre outras, lgbts ou não. Todxs se reuniram para fazer teatro, um teatro que abordasse as experiências trans, a partir das potencialidades, vivências e questionamentos compartilhados pelas pessoas que se achegaram ao grupo.

A peça, que se desenvolve num barracão, convida o público a transitar, e assim, traçar um percurso acompanhando as cenas dispostas em diferentes cantos do Canto do MARL, onde se realiza a apresentação. As cenas são fragmentos que interagem e buscam criar narrativas não-lineares. Essas conexões são parciais, incompletas, dadas a variações. São múltiplas visões, afinal, de que estamos falando. Tudo depende do que se vê.


Transtornada Eu é um título que faz referência ao movimento de despatologização das identidades trans, questionando essa visão de patologia atribuída às vidas que são, na verdade, vidas singulares, vidas possíveis.

A peça seguiu a proposta de criação coletiva e contou com a colaboração, além das que compõem o elenco, de outras pessoas que participaram de momentos diferentes das oficinas. A dramaturgia propõe a recriação de narrativas de vida e foi elaborada coletivamente a partir de experimentações teatrais.

Ficha Técnica
Concepção geral: Criação coletiva
Elenco: Fabi Ferro, Herbert Proença, Linaê Mello e Mel Campus
Participação especial em vídeo: Christiane Lemes
Dramaturgia: criação coletiva a partir de textos pessoais e textos de Susy Shok, Linn da Quebrada, Fauzi Arap, José Regio e Caetano Veloso.
Direção: Herbert Proença
Figurino: JosyaneBarandão 
Músicas: Trecho das músicas “Intro” do AlbumLetrux em Noite de Climão, “Jeito estúpido de te amar” de Maria Betânia, “Melancolia” de As Bahias e a Cozinha Mineira, “Muito talento”, “Serei A do Asfalto” e “Enviadescer” de Linn da Quebrada. 
Filmagem: Lucas Godoy Chicarelli 
Fotografia: Danilo Lagoeiro
Iluminação: Letícia CherobimGuiraud
Agradecimentos: Canto do MARL, Casa da Vila, Vila Cultural Alma Brasil, Cia. Teatro de Garagem, Cia. Curumin Açu, estagiários Eduardo, Dayana, Tiago e Vinnicius, Wiliam Peres, Valéria Barreiros, Renata Mello, Pedro José, Bruno Bazé, Tais Regina. Agradecimento especial às pessoas que participaram das oficinas: Chris Lemes, Vinícius Bueno, Luanny Vasconcelos, Betânia Terremoto, Fran Reis, Rayssa, Dienyfer, e Ionai Francisco.

Herbert Proença/Asimp

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