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João Vitor Nakao e Gustavo Gorla se apresentam juntos, pela primeira vez, como Banda Sincopaduo. A noite tem ainda o cantor  David Mour

Sincopaduo e David Mour são atrações do Projeto Banda Nova sábado (16), às 19 horas, no Centro Cultural Sesi/AML. Em comum, o trabalho autoral com onipresença dos músicos, desde as composições à produção musical, o que já garante boas expectativas. Porém, tem mais, o duo, João Vitor Nakao (voz) e Gustavo Gorla (violão e demais instrumentos) estreia no palco, matando a vontade dos que seguem os vídeos dos dois nas redes sociais de assistirem uma apresentação ao vivo. Mour mostra as novas referências para onde apontam as suas músicas.

Ao levar para o espaço de um teatro,  o trabalho praticamente inédito do Sincopaduo, o Banda Nova comprova a importância do projeto, que está na sexta edição e há 11 anos, com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic),  vem dando oportunidade para músicos, que têm repertório autoral ou original, mostrarem a sua arte. A coordenação geral é de Silvio Ribeiro e produção João Ribeiro.

Até se inscreverem no edital do projeto, Nakao e Gorla tinham como palco somente as redes sociais. O Banda Nova consolidou o duo. O show é a chance de conferir a primeira apresentação dos dois, que merecem ser observados com muito atenção. Não só pela qualidade musical, mas também por revelar, já de cara, a consciência do que fazem.

Gorla tem influências iniciais do rock, incursionando pela guitarra como primeiro instrumento. Certo de que a música seria uma boa companhia na vida, aprofundou estudos de violão, o que lhe rendeu versatilidade instrumental.

Nakao é mais ligado na pop music. Os dois se encontraram nos corredores do curso de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Juntos vão além da formação voz e violão.

"O nosso primeiro show terá vários instrumentos. Podemos dizer que são diferentes instrumentações para cada música. Tudo é feito pela e para a música. Não trabalhamos com a ideia de que os instrumentos acompanham o cantor. Buscamos equilibrar os arranjos para aflorar a música em todo lugar", afirma Gorla, que é multi-instrumentista.

O músico conta que, desde o ano passado, quando decidiram formar a dupla, os dois têm investido tempo, o que ele traduz como amor à música. Sem fugir da proposta inicial de produzir as composições de Nakao, hoje, Gorla também traz para o repertório coisas suas. Os dois também se abriram para interpretações de outros compositores.

"Cada música que gente mexe é um processo diferente. Comecei escrevendo em inglês. Para mim, a vibe é outra de uma música que componho em português. A língua muda a linguagem da música. Iniciei escrevendo, o que era mais óbvio para mim. O que mais me move para escrever são as minhas experiências, relacionamentos familiares ou o contato que tive com sentimentos, como os da ansiedade, depressão. Coisas boas a gente compartilha mais fácil, mas outras guardamos conosco e a música foi uma maneira de colocar para fora algo que tinha necessidade de falar e, muitas vezes, não encontrava espaço", conta Nakao.

O resultado é uma mescla de vários estilos. Um repertório recheado de músicas, que vão do groove ao pop music,  bossa nova e samba. Nakao e Gorla, apesar de cada um ser a cara metade de um duo, soam como uma só voz, e dão  a impressão de preencheram o palco com muitos instrumentos.

David Mour fecha a noite com um repertório que não vai em qualquer direção, mas para dentro da gente ao falar sobre a vida.

Em 2017, lançou o álbum com 10 músicas "Estrangeiro", ainda como projeto Mour, o que rendeu menção honrosa do prêmio Embrulhador, premiação já conquistada por Hermeto Pascoal, João Bosco e Criolo. Também faz música para cinema com várias participações, como compositor, em trilhas sonoras de curtas-metragens e uma web série.

O trabalho solo no EP David Mour, lançado em janeiro, reúne os músicos londrinenses Amanda Possete (piano e coro), Victória Mattos (voz e coro), Calebe Leal (bateria), Gustavo Cesar (guitarra solo), Gilberto Queiroz (trompete), Adriane Miho (trompete), Fábio Furlanete (saxofone tenor), Victor Terra e Otávio Bogado (violinos), Arthur Alves (violoncelo) e Rodrigo Salvadego (viola erudita). Porém, Mour é onipresente do começo ao fim da produção, assinada também pelo produtor Marco Silva.

Inicialmente, um autodidata no violão, Mour se dedicou ao estudo do instrumento, sendo formado em Música pela UEL. O pop, folk e a MPB orbitam o seu repertório.

No primeiro álbum, conhecemos o músico através de composições que fez entre os 17 e 20 anos. A partir daí,  ele amadureceu profissionalmente.

"No primeiro trabalho, eu escrevi alguns arranjos, mas teve instrumentos que não arranjei.Tive a felicidade de fazer tudo no novo EP, desde a bateria, metais, cordas, vozes. Acho que essa é a grande diferença. Dá para perceber bastante nas músicas esse crescimento", avalia Mour.

Beatles continua sendo uma referência para o músico, mas afirma que também deu oportunidade para que o que tem escutado, provocasse mudanças significativas no trabalho.

"No EP busquei outras referencias internacionais, que tivessem uma pegada mais contemporânea. Comecei a analisar também a produção que grandes artistas faziam para aplicar na minha música de alguma maneira", conta.

Sabe aquela coisa de aproveitar a vida e não deixar nada para depois? As composições de Mour trazem um pouco dessa urgência. São músicas românticas, intensas, que apontam para dentro, o interior de cada um.

Projeto  Banda Nova

Em 2019, o Banda Nova completa 11 anos. Sempre privilegiando qualidade e diversidade musical, revela e incentiva o trabalho de músicos londrinenses e da região. 

Nesta edição, foram selecionadas 12 bandas: Surface e Diogo Morgado Quartet, que estrearam a temporada em setembro; Aruandê e Wood Surfers, se apresentaram em novembro; Casa da Dona Alice e Etnyah, em dezembro de 2018.

 Na segunda fase do projeto, em 2019,  Búfalos D’Água e De Um Filho, De Um Cego, se apresentaram em fevereiro. Aminoácido e Octopus Trio encerram a temporada dia 6 de abril.

 Entre os critérios de seleção, o projeto prevê que as bandas não tenham visibilidade no mercado e que façam um som autoral ou original. No caso de reinterpretação de obras musicais, a exigência é criatividade e qualidade de execução.  Uma comissão formada pela equipe de produção selecionou os participantes desta edição. 

 As primeiras edições do Banda Nova aconteceram no Bar Valentino, na Concha Acústica, circulando ainda por outros espaços.  

Já passaram pelo projeto mais de 150 bandas e cerca de 600 músicos. O Banda Nova faz parte da história de músicos, alguns com destaque nacional, como Cluster Sisters, Vitor Conor, Maracutaia do Samba, The Brotherhoods, Marujo Cartel, Bemol Blues Band, Samba 172, Castores e Patos, MC Sergin, Marquinhos Diet, Lobisomem, Mucambo de Banto, entre outros.  

Realização:  Funcart em parceria com o Centro Cultural Sesi/AML. Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Apoio Rádio UEL FM e Canal Bom Negócios.

Francismar Lemes/Asimp

David Mour - Foto: Jonas Mello/Divulgação

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