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Ao celebrar sua décima edição, ECOH navega pela força da oralidade, das tradições, crenças e valores de culturas africanas

Ao celebrar sua décima edição, pela primeira vez online, o 10º ECOH traz ao público vivências de culturas da África Ocidental. Como guias dessa viagem estão o ator e contador de histórias Fançois Moïse Bamba, do Burkina Faso, e o contador de histórias, pesquisador da oralidade e ator brasileiro, Toni Edson. Eles contarão um pouco de suas gentes, de suas culturas e de tanta riqueza desse patrimônio imaterial.

Realizado entre os dias 31 de outubro e 30 novembro, o 10º ECOH, o Encontro de Contadores de Histórias de Londrina, também contará com artistas renomados de todo o país. Será um mergulho pelo universo das histórias com vários formatos de atividades para vários públicos. Haverá apresentações ao vivo, bate-papos, histórias em vídeos, áudios, podcasts e atividades formativas.

A programação completa estará disponível no site ecoh.art.br e também nas redes sociais do ECOH a partir da segunda-feira dia 26/10.

Totalmente realizado em formato online, o 10º ECOH conta com o patrocínio do PROMIC, o programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina.

O ferreiro contador de histórias

Conhecido como o “ferreiro contador de histórias.”, François Moïse Bamba nasceu na casta de ferreiros, os mestres do ferro e do fogo, em Burkina Faso. Seu pai o iniciou na arte do conto, sendo criado em estreita relação com a tradição da cultura e da arte djeli ou griot. Sua formação artística foi consolidada por Hassane Kouyaté, Habib Dembélé, Jihad Darwiche. Coletou e reescreveu contos do Burkina Faso, alguns deles dando origem a CD, DVD e livros publicados na França.

Em sua caminhada artística participou de festivais em diversos países. Como França, Niger, Egito, Djibouti, Congo, Québec, na Martinica e outros lugares. Foi, por diversos anos, diretor artístico do festival Yeleen, no Burkina Faso, diretor artístico e cultural da Maison de la Parole (Casa da Palavra) e coordenador geral da rede internacional de contadores de histórias da África do Oeste, Afrifogo.

Desde 2018, realiza em seu país o Festival Internacional dos Patrimônios Imateriais que, a cada edição, propõe um mergulho em uma das 65 etnias do Burkina Faso.

O ferreiro contador já esteve quatro vezes no Brasil desde 2017 em vários estados como Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Ceará.  Nessas viagens está sempre acompanhado por Laura Tamiana que também atua em cena e faz as traduções para português.

François Moïse Bamba faz três participações sempre acompanhado pela brasileira Laura Tamiana, em cena os dois atuam como um corpo único - Foto: Divulgação

Apresentações de François Moïse Bamba e Laura Tamiana no 10º ECOH

François e Tamiana realizam diversas apresentações no 10º ECOH. Em “Palavras de griots", François conta histórias sobre a origem e a força da oralidade na sociedade tradicional africana, onde a palavra é mantida pelos griots. Eles são os porta-vozes da vida social, conselheiros, historiadores, transmissores das memórias.

A conferência “As sociedades de tradições orais da África do Oeste, educações e transmissões” será permeada por contos, musicais e trocas entre os participantes. É a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem pelo rico patrimônio das sociedades de tradição oral da África do Oeste, na qual ele apresentará alguns de seus fundamentos essenciais.

Já em “Contos e lendas do Burkina Faso” convidam para uma viagem ao “país dos homens íntegros”, esse também é o significado do nome do país “Burkina Faso”. Por meio das histórias, será realizado um encontro com as culturas, histórias, crenças, valores e visões de mundo desses povos.

Toni Edson concentra sua pesquisa na contação de história na tradição djeli (Burkina Faso/África Ocidental) aplicada ao teatro de rua brasileiro - Divulgação

Toni é um sergipano que cresceu apreciando as manifestações da cultura popular. Começou a “bulir” com teatro aos 11 anos, depois foi contando contos populares indígenas e, desde 2003, pesquisa contos africanos. Ator, dramaturgo, diretor, compositor e contador de histórias, é membro fundador da Trupe Popular Parrua e do Grupo IWÁ. Fez parte dos grupos Africatarina, Cachola no Caixote. Além de atuar em diversos espetáculos, ministrou disciplinas, cursos e oficinas voltadas ao teatro de rua e à contação de histórias.

Por meio de suas pesquisas sobre o trabalho de François Moise Bamba, tornou-se amigo pessoal do artista. Os dois se encontraram há 5 anos em Burkina Faso, quando Toni visitou a comunidade de François em Ouolonkoto. Desde então, acompanha o artista sempre que vem ao Brasil.

No 10º ECOH, Toni Edson realiza a oficina “Tradição oral sob o viés da cultura mandinga, África Ocidental” para os professores e professoras do Proeto Palavras Andantes, da Secretaria de Educação do município, mas outras  pessoas interessadas também podem participar. Também apresentará ao vivo “Bichos, Canto e Encantos” que reúne tradições dos povos indígenas e africanos. Toni também vai participar de uma roda de conversa com o tema “A narração de histórias na Academia”.

Na oficina, fala sobre seu percurso. O contato com a cultura mandinga, o intercâmbio em Burkina Faso, a oralidade e a disciplina Narrativas na Rua que ministra em Maceió. Também há espaço para lembrar de mestres como Amadou Hampatê Bâ, Sotigui Kouyaté, Hassane Kouyaté,Toumani Kouyaté e François Moïse Bamba.

A apresentação online “Bichos, Canto e Encantos” navega pelas histórias dos povos africanos e indígenas, traz canções que despertam e permite que as crianças de todas as idades imaginem os bichos que guardam em si.

Um encontro para todas as idades

A abertura do 10º ECOH com o grupo Canastra Real, de Salvador, na Bahia, no dia 31/10 às 17h será uma celebração com muita música, canções, brincadeiras e histórias da tradição oral - Divulgação

Além de romper com as fronteiras geográficas, a realização de um encontro online também contribuiu para que o 10º ECOH se aproximasse de pesquisadores, artistas e entusiastas da arte de contar histórias de todo o país. Dessa forma, o 10º ECOH contará com atividades voltadas para crianças e jovens, como sempre faz, mas também terá várias histórias e atividades para adultos. Outra novidade é a produção de um material didático que será enviado às escolas com o intuito de contribuir para o trabalho com as histórias em sala de aula.

Escolas e educadores que quiserem receber gratuitamente esse material pedagógico para trabalhar em sala de aula junto com os vídeos, podem enviar a solicitação com o nome completo do educador, a escola e turma que deseja trabalhar para ecohpedagogico@gmail.com.

A coordenadora geral do evento, Claudia Silva, explica que a adaptação ao formato online foi um grande desafio, mas o resultado é uma programação muito potente. “Não teremos o olho no olho, que é muito importante para os contadores de histórias. Por outro lado, os narradores têm tido um papel importante na vida das pessoas durante a pandemia. E isso se reflete na programação. E claro, sem as barreiras da distância e os custos de passagens, as possibilidades de trocas se ampliam. Estamos bem felizes por trazer um pouquinho da cultura africana para o Ecoh.”

Para acessar a programação completa e se inscrever, basta acessar o site ecoh.art.br e acompanhar as redes sociais do ECOH.

Lucas Godoy/Asimp

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