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Evento traz a Londrina atrações nacionais e internacionais de peso para discutir temas atuais como as fake news e o protagonismo feminino. Mostra oficial acontece de 8 a 14 de outubro, com prévia local no dia 6.

Evento aguardado na agenda cultural de Londrina, o Festival de Dança leva aos palcos e ruas, a cada outubro, uma programação de qualidade e elege questões contemporâneas como motes de sua curadoria. A mostra oficial da 16ª edição, que começa na segunda-feira pós-eleições, dia 8, aborda o fenômeno da manipulação informativa no contexto virtual. A arte do cartaz traz um caleidoscópio em que imagens de um bailarino e de um boneco confundem-se, refletindo o território de incertezas que vivenciamos, entre mitos e verdades. Outro tema importante que atravessa mais da metade da programação é o papel feminino nos debates sociais.

Até o domingo, dia 14, o Festival apresenta três oficinas e dez espetáculos nacionais e internacionais, que colocam a dança em diálogo com outras artes, como o teatro, o circo e a música. Outra característica é o ecletismo de linguagens – do clássico ao contemporâneo, passando pelas danças populares ou tradicionais. Excepcionalmente na edição deste ano, a mostra local “Dança Londrina”, que inclui pequenos números de bailarinos profissionais e amadores de Londrina e região, acontece paralelamente à mostra oficial, na tarde (16 horas) e noite (20 horas) do dia 6 de outubro, sábado. O patrocínio do evento é da Secretaria de Cultura de Londrina, por meio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, com realização da APD – Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná.

A abertura na segunda-feira (8), às 20 horas, no Ouro Verde, traz o monumental Carmen, do Balé Teatro Guaíra, de Curitiba. Como em outras edições do Festival, a entrada é gratuita, para celebrar com o público o início da festa da dança. Com 22 bailarinos em cena, elegantes cenários e figurinos, a apresentação inaugura as comemorações do cinquentenário da companhia paranaense, uma das mais longevas do Brasil. O espetáculo abre o Festival  chamando-nos à reflexão sobre esta personagem libertária e sedutora e sobre temas como o feminicídio e a negação do mundo diante das nossas vontades. Ambientada na Espanha do século XIX, a trama costura as relações passionais e conflituosas entre a cigana Carmen, o toureiro Escamillo e o cabo da polícia Don José. A versão do Balé Teatro Guaíra tem coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni.

Outra figura feminina emblemática do universo clássico, Marguerite Gaultier, sobe ao palco do Ouro Verde na quarta, dia 10, às 20 horas, por obra da companhia anfitrião do Festival: o Ballet de Londrina. O grupo apresenta “A dama das camélias”, encenada com grande sucesso no Festival de Música deste ano. Com coreografia de Marciano Boletti e Leonardo Ramos, a versão londrinense do romance passional de Alexandre Dumas Filho contorna com linhas contemporâneas e neoclássicas o drama de uma cortesã rebelde, que é transformada pelas desgraças da vida.

Na quinta, dia 11, a bailarina e atriz paulista Andréia Nhur desfila pelo Teatro Ouro Verde famosas personagens na História e na Arte. O solo “Mulher sem fim” é uma amarração de fragmentos narrativos, falados e cantados em diversas línguas, que suscitam discussões acerca do gênero feminino – das memórias aos estereótipos. Madame Bovary, Lady Macbeth, Carmem Miranda e a cangaceira Dadá atravessam o corpo da performer.

Já as danças tradicionais brasileiras estão da ponta do cabelo à “Planta do pé” de Maria Eugenia Almeida (São Paulo), que ocupa o Ouro Verde às 20 horas do sábado, dia 13. Filha do mestre Antonio Nóbrega, ela traz no DNA a cultura popular e conta um pouco de sua história num misto de aula e espetáculo. Maria Eugenia funde a irreverência dos movimentos populares – como caboclinho, cavalo marinho e frevo - com referências artísticas contemporâneas, além de técnicas de teatro físico adquiridas entre Europa e Índia. Tais conhecimentos também serão compartilhados em uma oficina de “Danças brasileiras”, que a bailarina oferece no dia 13, das 16 às 18 horas, inclusive ao público iniciante.

Se a tradição do Balé Teatro Guaíra abre o Festival, a potência dos novos grupos paranaenses também marca presença com a Curitiba Cia de Dança, fundada há cinco anos pela diretora Nicole Vanoni. “Quando se calam os anjos” é a atração da sexta, dia 12, às 20 horas, no Ouro Verde.  O espetáculo toca diretamente no terreno de instabilidades do universo virtual, principal tema da curadoria 2018. Bailarinos reais e hologramas dançam juntos uma coreografia sobre o descaso, a indiferença e o sentimento de impotência que as redes cibernéticas suscitam, transformando o ser humano.

E se, para compreendermos o destino virtual, regressássemos à origem primitiva que constitui a essência do homem? A história da humanidade pode revelar o nosso destino individual e coletivo? Respondendo a estas questões, a Cia Alias (Suíça) abre no Festival a turnê brasileira do pungente “Antes”. É o encerramento da mostra oficial, no domingo, dia 14, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde, com classificação indicativa de 18 anos. Doze intérpretes dirigidos pelo brasileiro Guilherme Botelho – radicado há mais de 20 anos na Suíça – desenham com seus corpos uma paisagem natural, orgânica.

Trata-se, nas palavras de Botelho, de “uma ficção científica coreográfica sobre a natureza do homem antes do seu devir social”. O espetáculo extremamente plástico se constrói como um quadro abstrato feito pela anatomia da pele e dos músculos. Corpos que perdem a sua familiaridade para revelarem um lado desconhecido, escondido na ancestralidade. Guilherme Botelho também conduz uma oficina gratuita para bailarinos profissionais no dia 12, das 9 às 16 horas, na Escola Municipal de Dança. O tema é “Improvisão na dança contemporânea”. A atração artística e didática conta com o apoio da Pro-Helvetia (Fundação Suíça para a Cultura).

O 16ª Festival apresenta ainda uma amostra de ótimos espetáculos de dança e teatro da safra londrinense mais recente. Na terça-feira, dia 9, às 20 horas, o público que for ao Teatro Ouro Verde vai conferir, com o mesmo ingresso, três apresentações. “A solidão é azul”, estreia da dançarina Solange Mello, descreve o percurso introspectivo de uma mulher à beira da loucura em meio às pressões sociais. Repleto de elementos simbólicos e com movimentos do butoh, ela busca a salvação num mergulho em águas profundas. Na sequência, a Escola Municipal de Dança de Londrina exibe o virtuosismo de seus bailarinos clássicos com a suite de “A bela adormecida” e o célebre pas de deux de “O cisne negro”. Já a criançada vai ganhar de presente no feriado do dia 12 de outubro os gracejos do palhaço Petunio em “Por um X”, vivido por Den Macedo, com direção de Adriane Gomes. A apresentação, com distribuição de balões do Festival, vai acontecer no fim de tarde no Zerão, as 17 horas.

Afora as oficinas de “Danças brasileiras” e de “Improvisação na dança contemporânea”, o Festival traz pela primeira vez a Londrina o curso “Caminhos para circulação nacional e internacional de espetáculos”, com Marcelo Bones (Belo Horizonte – MG). A intenção é oferecer preparação de ponta aos muitos grupos, artistas e produtores locais sobre possibilidades de levarem seus trabalhos a outros públicos. A atividade tem caráter teórico-prático e será ofertada a 12 coletivos nos dias 10, 11 e 12 de outubro, das 15 às 18 horas, na Casa de Cultura da UEL (Ed. Júlio Fuganti). Informações sobre conteúdo, currículos e valores de todas as oficinas podem ser encontradas no site www.festivaldedancadelondrina.art.br. As inscrições são feitas presencialmente na secretaria da Funcart (Souza Naves, 2380).

Bilheteria

Os ingressos para todos os espetáculos no Teatro Ouro Verde (à exceção da abertura gratuita) custam R$10 e R$5 (meia-entrada). O Festival persiste em sua política de democratização no acesso à cultura e de valores acessíveis. Os bilhetes estão disponíveis em três pontos de venda: Secretaria da Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380 – de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 13 às 19 horas), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 - loja 3 – em horário comercial) e bilheteria do Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85 - diariamente, das 16 horas até o início dos espetáculos). Ingressos gratuitos para “Carmen”, atração de abertura, podem ser retirados em qualquer um destes pontos de venda (máximo dois ingressos por pessoa). A programação completa está disponível no site www.festivaldedancadelondrina.art.br.

O Festival de Dança de Londrina tem patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). O evento é uma realização da APD (Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná), com apoio institucional da Funcart e da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina. Apoios: Pro-Helvetia (Fundação Suíça para a Cultura, apoio outorgado dentro do programa COINCIDÊNCIA – Intercâmbios culturais Suíça e América do Sul);  Loja Shop Ballet; Rádio UEL FM e Portal Duo.

Renato Forin Jr./Asimp

Carmen - Balé Teatro Guaíra - foto de Rony Santos

Quando Se Calam os Anjos Foto Willian Abin

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