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Festival Internacional de Música de Londrina celebra a própria história com uma série de destaques internacionais; pianista brasileiro considerado um dos melhores do mundo, traz para Londrina o melhor de Schumann e Chopin

O Festival Internacional de Música de Londrina comemora 40 anos e abre, nesta terça (dia 9), a programação artística de sua 39ª edição com uma série de atrações internacionais, além de reencontros que contam, no palco do Teatro Ouro Verde, um pouco da história do festival. O destaque da Abertura Festiva é Nelson Freire, consagrado por uma carreira sólida e duradoura. É, hoje, o pianista brasileiro mais admirado no exterior.

Em seguida, no dia 11 (quinta-feira), a Abertura Solene conta com a Orquestra Sinfônica do Paraná regida pelo criador do festival, o maestro Norton Morozowicz, com Marco Antonio de Almeida ao piano, como solista.

A série de concertos dedicados à música clássica prossegue no sábado (dia 13), com a Orquestra Sinfônica da UEL, que completa 35 anos, recebendo o maestro italiano Massimiliano Carraro e o solista Leonardo Jaffé ao violino - um dos jovens talentos brasileiros, mas já com extensa carreira internacional.

Nelson Freire

Dois mestres do romantismo estão no repertório que Nelson Freire vai interpretar no Teatro Ouro Verde, na terça (dia 9): Chopin e Schumann. Não por acaso, ambos integram o repertório do pianista há décadas. Essa familiaridade esconde uma terceira presença, menos evidente: a do compositor e pianista Franz Liszt.

Schumann também exercia a crítica musical e fundou, em 1834, um jornal dedicado ao tema, o Neue Zeitchrift für Musik (ou Nova Revista para a Música). Entre seus colaboradores, estava o compositor e pianista Franz Liszt. A Fantasia Op. 17, que Freire incluiu no concerto, foi composta por Schumann e dedicada a Liszt. Para completar, uma das professoras de Nelson Freire foi Lúcia Branco, talento paulistano que embarcou para Bruxelas, e 1919, para estudar com o pianista belga Arthur de Greef. Ele, por sua vez, estudou por anos com Franz Liszt, de quem se tornaria um discípulo.

Ambos, Schumann e Chopin, estão entre os autores preferidos do piano brasileiro. “Nossa maior pianista, Guiomar Novaes, foi uma das maiores intérpretes das obras de Schumann e Chopin. A popularidade desses compositores no Brasil talvez venha daí, pelo menos no caso de Schumann. Chopin é um compositor universal, cuja obra toca o coração de todos os povos, como bem definiu Arthur Rubinstein”, comenta Freire.

Menino prodígio, Freire chegou entre os finalistas do 1º Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro, em 1957, com apenas 12 anos. “Havia um entusiasmo e uma euforia comparáveis a uma Copa do Mundo. O presidente da República, Juscelino Kubitschek, compareceu às finais e, num arroubo, incentivado pelo embaixador Paschoal Carlos Magno, ofereceu uma bolsa de estudos por dois anos no país de escolha dos três brasileiros finalistas”, recorda-se.

Enquanto se dedicava ao piano, Nelson Freire comparecia aos grandes concertos: “O Brasil sempre cultivou um fascínio pelo piano. Tivemos grandes pianistas e, no século passado, principalmente na primeira metade, os maiores se apresentavam aqui. Não para um ou dois concertos, mas, muitas vezes, para mais de dez récitas numa só temporada. Tive a sorte de pegar o fim dessa época”.

Participar do Festival de Música traz boas lembranças para o pianista: “Fico feliz de voltar a Londrina, onde estive pela primeira vez aos 19 anos, em 1963. Me lembro de ter comido algo muito gostoso no almoço, no dia do concerto. E, ainda um pouco inexperiente, exagerei nas porções!”

40 anos de história

No final dos anos 1970, o Conservatório Musical de Londrina convidou o Duo Morozowicz, formado pelos irmãos Norton e Henrique, para uma apresentação. “Eu logo me apaixonei pela cidade. Fiquei impressionado com a pujança que Londrina estava tendo”, recorda-se Norton Morozowicz.

A Secretaria Estadual de Cultura, na época, era recém-criada, tendo à frente Luiz Roberto Soares. Um de seus projetos era descentralizar a cultura no Paraná. Soares acabou convidando Norton Morozowicz para criar um Festival de Música Barroca em Antonina. 

“Só que, na época, Antonina não tinha a menor estrutura para realizar o festival. Foi então que eu  falei: ‘Se for para descentralizar, vamos fazer esse festival em Londrina’”, revela o maestro.

Sugestão aceita, o evento veio para Londrina, mas manteve, na primeira edição, em 1979, o nome I Festival de Música Barroca. A realização teve participação do maestro Othonio Benvenuto e da professora Walkyria Ferraz, entre outras personalidades. “O apoio deles foi muito importante para desenvolver o festival”, acentua Morozowicz.

Quatro décadas de realizações no meio cultural é um marco. “Na verdade, é o 39º festival, mas são 40 anos. É uma celebração importante, porque 40 anos não são 40 dias, nem 40 semanas. Principalmente na área da cultura, é raro ter alguma coisa que se preservou por tanto tempo. O festival é um dos eventos mais importantes do Paraná. Todos no país que lidam com cultura estão padecendo. É uma coisa que a gente não pode esmorecer, porque, afinal de contas, eu acho que o festival representa muito para a cidade. O festival projetou Londrina bem mais longe do que as suas fronteiras, tanto nacionais como internacionais”, acrescenta Norton Morozowicz. “Eu fico muito contente de poder voltar e participar disso tudo.”

Logo no início, também, Norton convidou o jovem Marco Antonio de Almeida, que vivia no exterior. “Eu estava na Alemanha, mas era aluno ainda, e agradeci muito o convite, porque me deu muita força. Até me lembro que a primeira obra que eu toquei foi de Schumann, lindíssima, chamada Dança dos Companheiros de Davi. E que me acompanhou a vida toda. É a obra com que eu mais faço sucesso, e estreei aqui, no Festival de Londrina”, lembra o pianista.

Criado há 40 anos, o Festival de Música está na 39ª edição porque, em apenas um ano, não foi realizado: 1982. Um equívoco que nunca mais se repetiu.

*Ingressos no site do Festival de Música de Londrina (www.fml.com.br)

Andréa Monclar/Asimp

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