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Primeiro volume cobre um período entre o início dos leilões de cativos em Portugal, em 1444, até a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695

O jornalista e escritor Laurentino Gomes vem a Londrina para lançar seu novo livro “Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares” (ed. Globo, 480 pág., R$ 49,90), participar de um bate-papo com o público e autografar a obra.

O evento será amanhã (dia 17 de setembro), às 19h, na Livrarias Curitiba do Catuaí Shopping Londrina [rod. Celso Garcia Cid, km 377, Gleba Palhano, tel. 43-3294-8300] e a entrada é franca.

A obra é o primeiro volume de uma trilogia dedicada à história da escravidão no Brasil e cobre um período de 250 anos - entre o primeiro leilão de cativos africanos registrado em Portugal, no dia 8 de agosto de 1444, até a morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695.

Os dois volumes seguintes, com publicação em 2020 e 2021, serão dedicados ao auge do tráfico negreiro, no século XVIII, em que mais de dois milhões de africanos foram transportados para o Brasil, ao movimento abolicionista e ao fim da escravidão, pela Lei Áurea de 13 de maio de 1888.

A escravidão no Brasil foi uma tragédia humanitária de proporções gigantescas. Arrancados do continente e da cultura em que nasceram, os africanos e seus descendentes construíram o Brasil com seu trabalho árduo, sofreram humilhações e violências, foram explorados e discriminados. Essa foi a experiência mais determinante na história brasileira, com impacto profundo na cultura e no sistema político.

Longas pesquisas

Com 30 capítulos e caderno de imagens, incluindo mapas e tabelas, Escravidão reúne uma série de ensaios e reportagens de campo, resultado de seis anos de trabalho de pesquisas, período em que o autor visitou centros de estudos, bibliotecas, museus e locais históricos de doze países em três continentes.

Entre outros locais, foi a Cartagena, na Colômbia, maior entreposto de comércio de escravos do antigo império colonial espanhol; percorreu o sul dos Estados Unidos, cenário da Guerra da Secessão, que custou as vidas de 750 mil pessoas para que a escravidão fosse abolida nos Estados Unidos; esteve em Liverpool, na Inglaterra, de onde partiam navios para a compra de cativos na África; e morou seis meses em Portugal, de onde fez cinco viagens a oito países do continente africano (Cabo Verde, Senegal, Angola, Gana, Benim, Marrocos, Moçambique e África do Sul).

No Brasil, Laurentino Gomes visitou quilombos no estado da Paraíba; antigos engenhos de cana-de-açúcar de Pernambuco e do Recôncavo Baiano; a Serra da Barriga, em Alagoas, onde morreu Zumbi dos Palmares; as cidades históricas do ciclo do ouro e diamante em Minas Gerais; as fazendas dos barões do café no Vale do Paraíba, em São Paulo; e o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, maior porto de desembarque de escravos do mundo no século XIX.

Embora o foco principal do trabalho seja o Brasil e a África, este primeiro volume da trilogia  também traz alguns capítulos sobre a escravidão em outros períodos da história da humanidade, como na Grécia Antiga, no Egito dos faraós, no Império Romano, nos domínios do islã e no próprio continente antes da chegada dos portugueses.

O trabalho de revisão e leitura crítica do livro foi feito pelo poeta, ensaísta e historiador Alberto da Costa e Silva. Ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva é considerado atualmente o maior especialista brasileiro em história da África, escreveu várias obras fundamentais para a compreensão do tema. São de sua autoria as notas e observações que aparecem no rodapé de alguns capítulos.

“Considero a escravidão o assunto mais importante da história do Brasil”, afirma Laurentino Gomes. “Tudo que já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com as nossas raízes africanas e a forma como nos relacionamos com elas. E essas raízes são mais profundas do que se imagina. Fomos a maior sociedade escravagista do Hemisfério Ocidental por mais de trezentos anos. Quarenta por cento de todos os 12 milhões de cativos africanos trazidos para as Américas tiveram como destino o Brasil. Portanto, sem estudar a escravidão seria impossível entender o que somos hoje e também o que pretendemos ser no futuro”, diz o autor.

Perfil

Paranaense de Maringá e seis vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura, Laurentino Gomes é autor de 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de dom João para o Rio de Janeiro; 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República. Somados, os três livros venderam mais de 2,5 milhão de exemplares no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Há ainda O Caminho do Peregrino, em coautoria com Osmar Ludovico da Silva.

Seu primeiro livro também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e publicado em inglês.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela Universidade de São Paulo, é membro titular da Academia Paranaense de Letras.

João Alécio Mem/Asimp

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