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Evento aguardado no calendário de Londrina, o Festival atraiu um público de mais de 12 mil pessoas e trouxe a Londrina dezenas de artistas do Brasil e do exterior em sua 17ª edição - a maior em número de convidados de sua história

A qualidade da programação do Festival de Dança de Londrina 2019, reconhecida e aplaudida pelo público a cada noite, não deixa dúvidas de que o evento é parte essencial do calendário cultural da cidade. A mostra oficial encerrou ontem (13), coroando 11 dias intensos que superaram as expectativas da organização e do público. Foram 14 espetáculos de dança, performance e teatro (sendo três internacionais), seis oficinas e duas atividades paralelas que levaram cerca de 12 mil espectadores aos locais de apresentação. Além disso, o evento reuniu mais de 150 profissionais da arte como bailarinos, atores, técnicos, diretores e coreógrafos que trabalharam em conjunto à equipe técnica e produção do Festival.

Os números resumem um pouco a grandiosidade do que foi a 17ª edição, mas não apontam os momentos emocionantes, belos e contestadores apresentados nos palcos do Teatro Ouro Verde, Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL, Bar Valentino e Zerão, ou as reflexões que mobilizaram corpos e pensamentos desde o dia 3 de outubro. Em 2019, o Festival de Dança trouxe como tema norteador “Potências incendiárias”. Não só o conjunto de espetáculos, mas também imagens e textos lançados pela curadoria na revista e no site, convidaram o público o pensar o território de conflitos sócio-políticos em que se transformou o país e nos incêndios reais e metafóricos que consomem patrimônios materiais e imateriais, vidas e a própria história.

Com curadoria assinada por Danieli Pereira e Renato Forin Jr., o evento reafirmou a urgência da arte como lugar de reconquista da empatia, do diálogo, do respeito, da liberdade de expressão, das garantias democráticas. “Como nunca, sentimos o abraço do público de Londrina e de pessoas que vieram de fora para aproveitar os espetáculos e a oficinas a preços populares. Sentimos a paixão, o desejo e a necessidade da arte nestes tempos em que estamos tão desapegados e segregados. Graças às leis municipal e estadual de incentivo, além do apoio da Copel e de antigos parceiros, pudemos realizar nossa maior edição até aqui e jamais poderemos mensurar o impacto que as ações do Festival têm, em termos reais e simbólicos, na vida de tantas pessoas. Acreditamos e continuaremos acreditando na potência transformadora da arte”, explica a coordenadora geral Danieli Pereira.

Extensão

Ela também destaca que o Festival prossegue com uma Extensão Especial no Aniversário de Londrina em meados do mês de dezembro. Já está confirmada para o dia 12 de dezembro a participação do incensado Odin Teatret (Dinamarca), com a presença de Eugênio Barba e da atriz Julia Varley, que apresentarão um espetáculo/demonstração de trabalho, e irão realizar uma masterclass em que vão comentar a exibição de um filme sobre o grupo, que completa 55 anos de trajetória. A programação de extensão também contará com a apresentação de grupos locais, cujo edital de seleção deve ser aberto em breve no site oficial do Festival www.festivaldedancadelondrina.art.br.

Patrocínio

O 17º Festival de Dança de Londrina foi apresentado pelo Governo do Paraná e Copel. Contou com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). Teve apoio da Copel – Pura Energia. A realização é da APD, com apoio institucional da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Funcart. Dentre os apoios culturais, estão o Institut Français, Consulado Geral da França em São Paulo, Hotel Crystal, Só Dança, Rádio UEL FM e Centro Cultural SESI/AML. O incentivo é pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – PROFICE – da Secretaria de Estado da Comunicação Social e Cultura / Governo do Estado do Paraná.

Abertura

Durante a cerimônia de abertura, que teve a participação de importantes nomes do cenário político do Paraná, o Secretário da Comunicação Social e da Cultura do Paraná, Hudson Roberto José, anunciou publicamente o lançamento do terceiro edital do Profice, no valor de R$ 33,2 milhões que, em breve, irá selecionar projetos culturais nas áreas de música, artes visuais, museus, patrimônio histórico e cultural (livro, leitura e literatura), ópera, dança, teatro, circo, artes de rua e audiovisual.

O evento ainda contou com a participação de Celso Louzada Lemos, Gerente de Transmissão da Copel, além de Caio Cesaro, da Municipal de Cultura de Londrina e representantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Funcart e APD. Pela primeira vez, a cerimônia teve tradução em Libras em tempo real, de modo a ampliar o acesso. Em uma parceria com o Parque Escola Itinerante Bico Amarelo, o evento disponibilizou ingressos diariamente para grupos de pessoas com necessidades especiais, além de parcerias com professores da UEL para atrair turmas aos espetáculos.

Destaques

Seguindo a linha curatorial, os espetáculos da edição de 2019 trataram de temáticas atuais, que merecem reflexão e discussão, como protagonismo feminino, com o espetáculo a “Sagração da Primavera”, do Balé Teatro Guaíra (Curitiba-PR), que lotou o Teatro Ouro Verde na abertura; “Há mais futuro que passado – Um documentário de ficção”, do coletivo carioca Complexo Duplo (Rio de Janeiro – RJ); “Estou sem Silêncio”, nova criação da Quasar Cia de Dança (Goiânia – GO); e “[H3O]mens” da Cia. 4 Pra Nada (Ribeirão Preto-SP). Já no tocante às questões sócio-políticas, estiveram à frente o espetáculo “Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias”, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos (São Paulo-SP);

e “KA-F-KA”, trabalho autobiográfico de Mehdi Farajpour, diretor artístico e coreógrafo da Oriantheatre Dance Company (Irã-França).

No âmbito das lembranças e memórias, sobretudo afetivas, esteve presente o espetáculo “Travessia”, do Ballet de Londrina (Londrina-PR), companhia anfitriã que comemora 25 anos de existência; “Pulse(s)”, do bailarino e coreógrafo Filipe Lourenço (França); e “Empty Floor", da imPerfect Dancers Company (Itália). Como parte da fragilidade das relações humanas, o espetáculo “Teia”, da Giro8 Cia de Dança (Goiânia-GO) refletiu sobre os vários tipos de relacionamentos entre as pessoas, bem como “Relações”, da Curitiba Cia de Dança (Curitiba-PR). O público infantil também foi contemplado na programação com o espetáculo “Instagrimm”, da Cia Jovem de Dança de Jundiaí (Jundiaí-SP) e “Bailinho do Plantão”, com o Plantão Sorriso (Londrina-PR), com programação gratuita.

Programação didática

Como parte da política de formação de estudantes, profissionais e o público em geral, o Festival ofereceu diversas oficinas em vários estilos de dança. Dentre elas, “Dança de Salão e Composição Coreográfica”, com o coreógrafo e bailarino Jomar Mesquita, diretor da Mimulus Cia de Dança; “Empty Body (Corpo Vazio) – Dança Meditativa”, com Mehdi Farajpour, diretor artístico e coreógrafo da Oriantheatre Dance Company; “Balé Clássico”, com Cintia Napoli; “Dança Afro – Corporeidade e Ancestralidade”, com a coreógrafa Regina Santos, do grupo Bloco Afro Ilú Obá de Min; “Análise Ativa e Criação de Études”, com as pesquisadoras Nair D’Agostini e Michele Almeida Zaltron; e “A Arte do Mover (Dança Contemporânea)”, com Gabriela Leite, da Quasar Cia de Dança.

Renato Forin Jr./Asimp

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