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Espetáculos on-line e conversas com artistas no fim de semana trazem reflexões sobre o lugar do corpo e das artes cênicas no contexto de pandemia

Teatros fechados, atividades culturais canceladas, tentativas de reconstituir a dimensão da presença cênica por meio da internet. A pandemia do novo coronavírus trouxe desafios e ventos de transformação para a classe artística. Passados mais de cinco meses de isolamento social, o Festival de Dança de Londrina convida o público a pensar a respeito dos caminhos já trilhados e os questionamentos que ainda ficam sobre o papel da arte neste momento histórico. 

De sexta (28) a domingo (30), o Festival promove a extensão “Arte e Sobrevida”, com a exibição de espetáculos on-line e conversas ao vivo com artistas de Londrina, do Brasil e radicados no exterior. Toda a programação é gratuita e está disponível no site www.festivaldedancadelondrina.art.br. A extensão está ligada à 17ª edição do evento (2019) e é apresentada pelo Governo do Paraná e Copel, com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura).

Os espetáculos na íntegra ficam disponíveis para audiência no canal do Youtube do Festival (www.youtube.com.br/FestivaldeDancadeLondrina) da sexta, às 20 horas, até o domingo, às 23h59, podendo ser acessados em qualquer tempo dentro deste período. Serão quatro vídeos: “Terra Desmedida”, do Teatro de Garagem (Londrina-PR), “Ficções do Interlúdio”, de Tânia Farias e Lucas Fiorindo (Porto Alegre-RS/Maringá-PR), “Encontro de Gigantes”, do Núcleo Ás de Paus (Londrina-PR), e uma coletânea com trechos históricos de montagens do grupo Boca de Baco, que completa 30 anos em Londrina em 2020. À exceção deste, convidado especial, os três primeiros foram escolhidos na seletiva 2019 do Festival e pertencem ao recorte local da programação. 

 “Planejávamos uma extensão presencial, como a que realizamos no Aniversário de Londrina ou em outros períodos do ano, com apresentações e oficinas blocadas em um fim de semana. Entretanto, com a pandemia, tivemos de repensar o formato. Aproveitamos a transformação para propor uma reflexão sobre isto tudo que estamos vivendo”, explica Danieli Pereira, coordenadora geral do Festival. A proposta é que os diálogos toquem em tópicos importantes sobre a retomada de uma potência de vida em um momento com tantas incertezas, isolamento e mortes. As artes da cena – especialmente a dança, o teatro e a performance -, que lidam com o convívio e com a presença, estão no centro dos impasses. Ao mesmo tempo, seus porta-vozes, os artistas, podem intuir caminhos a serem desbravados.

A abertura acontece na sexta-feira, dia 28 de agosto, às 20 horas, com uma breve apresentação dos coordenadores Danieli Pereira e Renato Forin Jr., seguida de um encontro com o Teatro de Garagem, grupo londrinense com 14 anos de estrada. Ele convida a atriz e produtora cultural Mel Campos, atualmente radicada em Roma (Itália), para “Territórios do corpo em um contexto de ausências”. O bate-papo é sobre a importância dos corpos, em suas diferenças e diversidades, como locais de falas e experiências que precisam urgentemente ser ouvidas para a concretização da democracia. “Terra Desmedida”, espetáculo com direção de Everton Bonfim, traz personagens que escolhem correr riscos e dançam ao amor e à guerra no contexto de opressões de uma sociedade pós-apocalíptica. 

No sábado, dia 29, às 19 horas, o tema da conversa é “Poesia como respirador”. Tânia Farias, integrante do histórico grupo de atuadores “Ói Nóis Aqui Traveiz” (Porto Alegre-RS), e o ator e dramaturgo Lucas Fiorindo convidam Rodrigo Mercadante, fundador da Cia do Tijolo (São Paulo-SP). Eles abordam a importância dos caminhos sensíveis da poesia – uma arte comunitária desde as suas origens - em tempos de embrutecimento e solidão. A montagem “Ficções do Interlúdio”, dirigido por Tânia, é inspirado nos textos dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa. Na trama, o personagem homônimo depara-se com um fracasso e passa a questionar o sentido profundo do seu teatro. 

O domingo de fechamento da programação, dia 30, enfileira duas conversas com artistas londrinenses de diferentes gerações. A primeira, às 18 horas, celebra os 30 anos de um dos grupos mais emblemáticos do teatro de Londrina, o Boca de Baco. Membros-fundadores da trupe relembram histórias desta trajetória e convidam o diretor paulista Luiz Valcazaras, que assinou montagens e desenvolveu com os atores o seu Núcleo de Investigação Teatral (NITe).  O nome do bate-papo é “Elogio do Encontro – teatro, festa e partilha nos 30 anos do Boca de Baco”, uma ode às celebrações de caráter estético e político que o grupo sempre promoveu na cidade. O público poderá assistir, dentre os vídeos disponibilizados, a um compacto inédito de cenas das principais montagens destas três décadas.

Na sequência, às 20 horas, o Núcleo Ás de Paus (Londrina-PR) entra ao vivo para falar sobre “A poética e a política das ruas como salvação ao isolamento”. O convidado é Rafael de Barros, ator e palhaço formado em Artes Cênicas pela UEL e atualmente cursando mestrado pela ECA-USP, em São Paulo. Dentre as muitas questões, eles refletem sobre as perspectivas de retomada da tribuna democrática das ruas, como palco, após os tantos meses de isolamento. O vídeo que o Ás de Paus apresenta é da vivência-espetáculo “Encontro de Gigantes”, que ocupa espaços públicos e convida crianças de uma determinada comunidade para descobrirem-se gigantes por meio das pernas-de-pau e de jogos cênicos. 

Cada bate-papo tem, aproximadamente, uma hora de duração. A extensão “Arte e Sobrevida” fecha a programação do 17º Festival de Dança de Londrina, cuja mostra oficial aconteceu de 3 a 13 de outubro de 2019 e contou ainda com uma extensão comemorativa no aniversário de 85 anos de Londrina, de 11 a 13 de dezembro do ano passado. 

Governo do Paraná e Copel apresentam o 17° Festival de Dança de Londrina. O Festival tem patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). Apoio: Copel – Pura Energia. A realização é da APD, com apoio institucional da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina e da Funcart. Incentivo: Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – PROFICE – da  Secretaria de Estado da Comunicação Social e Cultura. Governo do Estado do Paraná.

Renato Forin Jr./Asimp

Clique nas fotos para ampliar

Boca de Baco - 30 anos (trechos de montagens) - foto de Milton Dória
Ficções do Interlúdio - foto de Fábio Mascarin
Terra Desmedida - Foto de Jaqueline Vieira

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