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Em sua segunda temporada, Projeto Brisa, da Funcart, incentiva a produção e a fruição da cultura junto à população em vulnerabilidade social. Lançamento acontece hoje (17), na Concha Acústica

No último ano, Londrina constatou um aumento substancial na população de desabrigados. Dados coletados pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com outros órgãos públicos e privados apontavam, em março, que havia cerca de 900 pessoas vivendo nestas condições. No ano passado, foram cerca de 500 atendimentos prestados pela Secretaria principalmente pelo Centro POP - Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua. Para além de demandas básicas, como a alimentação e a saúde, um ponto importante para devolver a cidadania a estas pessoas é o bem-estar, que passa pelo direito constitucional à cultura. Pensando neste aspecto, a Funcart realiza o Brisa, que visa à integração das pessoas em situação de rua com artistas e com a sociedade de modo geral por meio de saraus e outras atividades artísticas.

Nesta quinta-feira, dia 17, das 17 às 20 horas, na Concha Acústica, acontece o lançamento da segunda temporada do projeto, que deve se estender ao longo de um ano com diferentes ações em espaços abertos e fechados da cidade. O patrocínio é da Secretaria Municipal da Cultura por meio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, com apoio do Centro POP e da Secretaria e Assistência Social. Este primeiro sarau contará com a participação de artistas de diferentes linguagens, como os comediantes do ShowRiso, os acrobatas da Família do Circo, os músicos da Orquestra Ouro Verde e os atores da Cia POP Show – grupo, aliás, que nasceu com pessoas em vulnerabilidade social a partir do Brisa realizado no ano passado, sua 1ª edição. Neste dia, como de costume, o palco também estará aberto para que os assistidos mostrem seus talentos e habilidades.

 “Até o nome Brisa foram eles que escolheram. Tem que ser um evento em que a população de rua se sinta à vontade. Eles precisam sentir que o projeto é feito por eles e para eles”, destaca o produtor João Ribeiro. De acordo com João, serão realizados, até o ano que vem, dez ações: seis saraus e quatro espetáculos de grupos locais, que vão convidar o público-alvo a frequentar diferentes espaços culturais da cidade. “A intenção é também incentivá-los a fruir a produção londrinense”, completa o produtor. O primeiro espetáculo será  “Balada de Um Palhaço”, texto de Plínio Marcos dirigido por Luiz Eduardo Pires e interpretado por ele e por Mário Fragoso. Serão duas apresentações no sábado, dia 19 de outubro: às 16h30 e às 19h30, no Centro Cultural SESI/AML (R. Maestro Egídio Camargo do Amaral, 130), com entrada gratuita e aberta a todo o público.

A intenção do Brisa 2019-2020 é atender até 1500 pessoas nos saraus, que serão realizados, além da Concha, no Centro POP (Rua Dib Libos esquina com Avenida Celso Garcia Cid), com uma edição especial em dezembro, no Aniversário de Londrina, no Terminal Rodoviário. Além do teatro, do circo e da música, as ações envolvem outras linguagens como a dança, o hip-hop, a poesia e a declamação (literatura), as artes plásticas e a fotografia. Quanto às apresentações com grupos da cidade, participam ainda a Cia Funcart de Teatro, o Ballet de Londrina e o Grupo Vocal Entre Nós.

O coordenador do Brisa é Silvio Ribeiro, que, além de coordenador da Escola Municipal de Teatro, trabalhou mais de dez anos com crianças e adolescentes em situação de rua. Para ele, o projeto, desde a primeira edição (realizada entre agosto de 2018 e maio de 2019) já mostrou seu potencial na transformação da qualidade de vida dos desabrigados. Além do grupo teatral que nasceu do trabalho, a Cia POP Show, algumas pessoas em estado de rua encontraram na arte um caminho de profissionalização como técnicos, educadores e artistas. Nesta temporada, por exemplo, um dos atendidos ocupará o cargo de monitor do projeto.

“Percebi que o Brisa é um momento agradável em suas vidas. Eles aguardavam com ansiedade e sobriedade cada sarau e eram várias surpresas a cada edição, quando eles se apoderavam do microfone e do palco. Outra surpresa para nós foi a forma com que essas pessoas recebiam os artistas, sempre com respeito e valorizando diferentes trabalhos, mesmo os infantis ou propostas mais difíceis. A resposta intelectual e sensorial deles é ótima”, comenta Silvio.

Ele destaca que a Funcart encampou e formatou o projeto a partir da idealização da socióloga do Centro POP Clarice Junges. “Eu sabia da sensibilidade do Silvio e da Funcart com as questões sociais e os procurei para sugerir que a gente apresentasse um projeto ao Promic. O objetivo é incluir, facilitar o acesso deles à cultura e, ao mesmo tempo, promover a integração com o conjunto da sociedade em um momento privilegiado no qual a cultura estivesse intermediando esta relação. Uma ocasião alegre em que eles tivessem a oportunidade de expressar os seus potenciais e habilidades artísticas”, conclui Junges.

Renato Forin Jr./Asimpç

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