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Escritor de "Samba de Uma Noite de Verão" participa de cerimônia no Auditório Ibirapuera em São Paulo e comemora recente premiação de outra obra pela Fundação Cultural do Pará

Ontem, um londrinense passou a ser o primeiro autor a subir o palco do Auditório Ibirapuera para receber o troféu mais desejado da literatura brasileira.

Contemplado em terceiro lugar na categoria Adaptação do 59° Prêmio Jabuti, o jornalista Renato Forin Jr. divide o pódio com Walcyr Carrasco e Rodrigo Machado. O reconhecimento vem para o seu primeiro livro, "Samba de Uma Noite de Verão", publicado pela pequena KAN Editora e patrocinado pelo PROMIC - Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina. Nesta edição, concorreram ao Jabuti quase 2.500 obras de ficção e não-ficção e foram premiados nomes como Silviano Santiago, Ana Miranda, Marilena Chauí e José Castello.

“É uma emoção inexplicável e uma honra desmedida estar junto de autores que sempre li e que estudo na Academia, neste prêmio que é o mais antigo da literatura brasileira. Nem me sinto muito merecedor. Ao mesmo tempo, penso no troféu como um fôlego para seguir em frente em meio ao caos que temos vivido na área cultural e como reconhecimento a um trabalho árduo e que vem de longa data”. O autor destaca ainda que, pela característica de “Samba de Uma Noite de Verão”- um livro acompanhado de CD com canções escritas por ele na voz de cantores de Londrina -, trata-se de uma obra coletiva. “Este livro representa a consolidação de instituições importantíssimas na cidade, como a Funcart, onde este texto nasceu, o PROMIC, que o financiou, além de concentrar o trabalho de vários artistas da área musical, gráfica e editorial. É a cultura de Londrina que sobe ao pódio”, destaca.

O livro de Forin é uma reescritura de "Sonho de Uma Noite de Verão", obra do fim do séc. XVI do dramaturgo inglês William Shakespeare. Sua proposta consiste em transpor a trama para o universo brasileiro, desenhando metáforas da formação do país. Passeiam pelos 5 atos da peça musical personagens típicos do imaginário brasileiro, como malandros, trabalhadores, lavadeiras, um chefe de comunidade, uma mãe de santo, dentre outros. Eles habitam a Vila de Vera Cruz, humilde e alegre favela de onde ecoa o miscigenado ritmo brasileiro. A história também se passa em uma floresta contígua à Vila, onde reinam seres imaginários da cultura afro-brasileira, como os orixás e outras deidades.

“Quando li o ‘Sonho...’, imediatamente vi ali uma forma interessante para abordar nossas questões, como a exploração dos mais pobres pelos mais ricos, os amores tropicais, a demagogia dos líderes políticos, a visão da sociedade sobre os artistas. Ao mesmo tempo, uma oportunidade para falar sobre o que há de mais potente na nossa formação: o dom da mistura. Foi um longo e minucioso processo de pesquisa para encontrar no contexto brasileiro – e a partir da tradição de nossas matrizes fundadoras – personagens e situações paralelas àquelas propostas por Shakespeare”, explica. O resultado foi o espetáculo encenado em 2009 pela Escola Municipal de Teatro, com direção de Edna Aguiar e Guilherme Kirchheim, e, após posteriores ajustes no texto e novas composição cancionais, a publicação em livro-CD em dezembro de 2016.

Renato enviou o projeto do livro ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura por cinco vezes e só na última teve a proposta aprovada, o que permitiu a distribuição de parte da tiragem para escolas públicas estaduais, além de outras instituições ligadas à arte e à educação da cidade, como forma de incentivo à leitura do texto dramático e à audição de música popular para jovens.  No sentido paradidático, a publicação traz notas com vida e obra de compositores brasileiros, desde a tradição até a contemporaneidade, partituras das canções autorais e posfácio analítico escrito pelas professoras Sonia Pascolati e Maria Carolina de Godoy, do PPG Letras da UEL.  Outros textos incluídos no livro são o prefácio do autor e a apresentação elaborada pelo jornalista Antônio Mariano Jr. A direção musical do disco é de Sara Delallo, com produção de áudio de Luciano Galbiati. A coordenação editorial é de Marcos Losnak, cuja editora também recebe seu primeiro Jabuti na cerimônia desta noite, representada por Danieli Pereira, que fez a produção do livro.

Nova premiação

Novembro foi um mês de ótimas surpresas para Renato. Poucos dias após saber do Prêmio Jabuti, o autor recebeu a notícia de que outro texto dramatúrgico – a peça “OVO” – fora contemplado nos Prêmios Literários 2017 do  Programa Seiva de Incentivo à Arte e à Cultura da Fundação Cultural do Pará (FCP). O resultado foi divulgado no dia 22 de novembro e prevê a publicação inédita da obra em formato de livro. Parte da tiragem será distribuída pela Fundação sediada em Belém e outra parte será destinada ao autor. No mesmo edital, foram contemplados mais onze novos escritores em diferentes categorias, como romance, poesia, ensaio e infanto-juvenil, de quatro estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pará. “OVO” recebeu a média 100, nota máxima inclusive dentre outras categorias.

“Os Prêmios Literários promovidos pela Fundação Cultural do Pará têm duas características muito interessantes e incomuns: o fato de, mesmo sendo um prêmio estadual, permitir a inscrição de autores do território nacional, e abarcar várias categorias, inclusive a dramaturgia – este gênero milenar, que tem pouca visibilidade em outros concursos e no mercado editorial. Uma grande felicidade poder publicar ‘OVO’, um texto pelo qual tenho particular apreço”, explica Renato. Bem diferente de “Samba de Uma Noite de Verão”, que toca em aspectos mais culturais e sociológicos, “OVO” propõe uma reflexão filosófica sobre a passagem: a morte das pessoas, o desaparecimento das coisas e a efemeridade do tempo.

A trama traz dois personagens trágicos – Édipo e Electra – como irmãos que passaram a juventude na zona rural e que, na vida adulta, encontram-se na cidade no momento do falecimento de mãe. Diante da circunstância extrema da morte, é a oportunidade de refletirem juntos sobre questões como os afetos familiares, a força do destino na caminhada humana e a figura divina. Com forte influência psicanalítica e teor lírico, “OVO” traz metáforas ligadas à maternidade/paternidade e ambienta a trama em um galinheiro, como referência ao espaço onde os irmãos brincavam na infância. Em termos formais, o texto alinha-se à dramaturgia contemporânea, propondo quebras espaço-temporais, fluxos de pensamento e reflexões metateatrais. Inédita no formato de livro, a peça foi montada pelo grupo londrinense Agon Teatro em 2015 e cumpriu mais de 30 apresentações na cidade-sede e outros municípios paranaenses.

Ainda este ano, a publicação estará em fase de edição pela Fundação Cultural do Pará, em parceria com o autor, e o lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2018. O livro “Samba de Uma Noite de Verão” pode ser adquirido na Funcart (Rua Souza Naves, 2380) ou direto com o autor pelo WhatsApp (43) 99979-3349. O valor do livro ilustrado de capa dura com CD é R$ 35.

Telma Elorza/Asimp

Ovo - Agon Teatro (foto de Marika Sawaguti)

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